67- Irmãozinho
“Grita!”
“PARA, SEBASTIAN, PARA!” Ruben continuava a gritar com toda a força dos pulmões, mas eu não conseguia ouvir. A voz dele não chegava até mim. E eu o fiz gritar, alto, dolorosamente, sem piedade. A minha postura era vazia, mas aquele pesadelo estava passando diante dos meus olhos. E pensar que o homem que eu fiz gritar tanto implorou para a minha esposa, pelo bem da minha felicidade, estava estilhaçando o meu coração. Sempre acreditei que Ruben sentia ressentimento por mim, que era por isso que ele estava longe de mim, mas eu não sabia em que confiar ou o que fazer. Depois de ter Eileen, senti que estava perdendo tudo. Ganhei ela e perdi todo o resto. A vida e o meu caminho estavam desaparecendo. “O que aconteceu? No que você está pensando?” Eileen perguntou, arrumando a cama e sentando ao meu lado, segurando meu braço carinhosamente. “Você quer ir a um encontro no domingo?” Eu perguntei fracamente, sem mostrar uma reação adequada. “Claro. Por que não? Mas, me diz o que aconteceu, porque dá pra ver, você não está pensando no encontro.” Ela disse, esfregando meu braço lentamente, mas eu suspirei, afastando-me e levantando-me. “Nada…” Eu murmurei, segurando as têmporas antes de soltar uma forte expiração. “Você não vai me contar?” “Apenas alguns pensamentos indesejados.” Murmurando, eu me aproximei, sem olhar para ela. “Tipo?” “Deixa pra lá.” “Onde você vai?” Ela perguntou quando eu estava prestes a sair do quarto e procurar a resposta surgindo no meu coração. “Ver a escuridão mais uma vez.” Fechando meus olhos, eu me preparei mentalmente para o pior. Eu nunca teria feito isso, mas queria saber o que levou Ruben ao ponto de procurar a minha felicidade. Achei que isso nunca significou nada para ele, então por quê? “E encontrar o quê?” Eileen perguntou suavemente. Abrindo meus olhos, engoli em seco, saindo do quarto depois de responder. “Uma resposta.” Eu não tinha ideia de como iniciar a conversa com ela, então peguei uma bebida e vi Ruben no salão, cuidando da sua vida, oferecendo-lhe uma bebida. “Quer um?” Eu ofereci, tentando não parecer estranho. Ele parou, olhando para mim confuso. “Valeu, acho.” Hesitando nervosamente, ele lentamente pegou a bebida de mim. Ele estreitou os olhos, tomando um gole com desconfiança, me irritando. Mas, controlando-me no momento, eu sentei também, olhando para ele, “Asad já foi?” “Já. Você o conhece, ele se recusou a ficar onde não tinha interesse. Ele voltou para ver o que Sufiyan faria com Fahad.” Com um sorriso seco, ele encolheu os ombros casualmente. “Se ele vai testemunhar as histórias dos outros, quando vai se concentrar nas dele?” Murmurei, revirando os olhos. “Seria melhor se nunca. Quem ia querer ser parceiro dele?” Ele murmurou baixinho e eu não esperava essa resposta. “De qualquer forma, posso saber o motivo dessa generosidade?” Ele perguntou, terminando sua bebida, finalmente dando toda a sua atenção. “Você não está indo embora?” Eu perguntei fracamente, sem saber o que perguntar ou como perguntar. “Por que você sempre quer que eu vá embora, Sebastian? A minha presença te incomoda tanto assim?” Ele riu secamente, balançando a cabeça. E isso me machucou. “Eu não quis dizer isso.” Eu suspirei, virando-me para ele. “Eu estou aqui porque quero saber a sua decisão. Você pretende manter a sua posição como Black Death ou não?” Ele começou a dizer seriamente, a pergunta cuja resposta eu ainda não tinha certeza. “Claramente, o seu mundo começou a girar em torno da sua mulher, desde que você fez aquilo com você mesmo, você mudou muito, mas o amor não alimenta o seu estômago, Sebastian.” Ele me disse com raiva. Sobre a condição que eu fizera a mim mesmo, que também não era favorável para mim. Eu também não queria, mas meu coração não estava mais se acomodando na sede de sangue. Nada estava me dando consolo, exceto a presença dela. “Eu estou bem ciente disso. A superfície do trabalho ainda está sob meu controle. Eu ainda estou cuidando dos negócios e vou continuar.” Eu informei suavemente, sem saber como lidar com isso. “E quanto ao que está abaixo da superfície? Você quer que eu cuide de todo o seu trabalho sujo agora e deixe você ter o seu final feliz com a sua amada?” Ele zombou, me provocando, e eu não tinha certeza se ele realmente implorou para Eileen ou não. Ou será que nenhum de nós era capaz de mostrar as nossas emoções corretamente. “Se você pudesse, eu seria grato.” Murmurando, terminei minha bebida, mas isso o provocou. “Eu sabia. Você é tão egoísta, Sebastian. Você acha que eu sou uma lixeira que você pode usar para limpar o seu lixo?” Ele cuspiu, batendo com a mão, enfurecido. “Ruben, eu só perguntei. Não exagere.” Eu suspirei, sem vontade de suportar o drama dele. “Oh, eu estou exagerando? Sebastian, eu não estive no seu casamento. Eu não estive lá quando você fez Dave e Jacob seus padrinhos, eu não estive lá quando você assumiu os negócios. Eu nunca estive lá!” Ruben gritou, perdendo a paciência comigo, liberando as conversas que ele guardava dentro dele. Meu coração se apertou quando ele começou a compartilhar a percepção que ele tinha de mim, “Você nunca me deixou aproveitar um segundo com você! Isso é demais, Sebastian!? Um bom momento com o meu irmão!? E não trabalho infernal!?” Gritando, nós dois nos levantamos e ele continuou a gritar sua fúria. Eu mantive uma face estoica, movendo minhas mãos atrás das minhas costas porque elas tremiam e eu não queria que ninguém visse isso. Tolo eu que pensei que ele não me odiava. Ele me odeia afinal… “O que está acontecendo?” Todos vieram depois de ouvir os gritos, mas eu coloquei minha mão trêmula no ar para detê-los, sem tirar os olhos de Ruben, que estava perdendo o fôlego. “Não, não, não, não interfiram, eu quero ouvir o quanto ele também me odeia.” Eu sussurrei, ofegante, movendo minha mão para trás novamente, perdendo a postura. “Porque é isso que você merece. Você nunca me deixou fazer parte da sua vida! Sempre me afastou! Você se tornou uma pessoa que merece solidão! Você merece essas cicatrizes também!”