78- Recusou-se a Chorar
'Q-Que?"
Enxugando a bochecha pra tirar as lágrimas, meus olhos arregalaram como se estivessem duros, me recusando a acreditar no que eu tava ouvindo.
'Desculpa. Sentimos muito, Chefe. Tentamos o nosso melhor...'
Fechando os olhos, apertei os dentes e joguei meu telefone longe. Abaixando a cabeça, respirei fundo pelas narinas pra recuperar a postura.
'Porra!'
'Sebastian? O que aconteceu?' Perturbada por me encontrar assim, Eileen perguntou na hora.
'Dave ligou... ele me falou que... não só nós, mas o Ruben também foi atacado...'
Fechando os olhos, eu podia sentir uma parte da minha alma morrendo ao ouvir essa notícia. Era inexplicavelmente doloroso, mas eu me recusei a deixar isso me desmoronar.
'Ele não conseguiu.' Eu informei a ela num tom quebrado, soltando uma lágrima indesejada quando ela engasgou em descrença.
'O quê?! Meu Deus.' Fazendo uma cara de choro, ela me abraçou ao ouvir que eu perdi o irmão que mantive longe de mim todo esse tempo.
E quando finalmente decidi me abrir pra ele... Eles o roubaram de mim, porra!
"Como isso pôde acontecer? Por que alguém faria isso?" Eileen deixou uma lágrima cair, me abraçando com compaixão. Ela estava de coração partido em saber.
Eu não sabia como reagir. Eu tava totalmente arrasado, mas furioso ao mesmo tempo.
Era claro. Alguém queria destruir minha casa.
"Eu não sei como isso aconteceu... e por quê..." Exalando, a frustração de perder tudo tava transbordando no meu peito.
Rosnando, eu bati com minha mão ilesa na mesa, "Porra!"
Essa impotência pra salvar meu irmão tava engolindo minhas emoções.
Perdendo a cabeça, eu levantei rápido, minhas pernas tavam fracas, minha mente tava confusa, mas eu não vou deixar meu corpo relaxar quando meu Irmão tinha... deixa pra lá.
"Levanta, Eileen. Nós vamos embora." Sibilando de dor, forcei meu corpo a ficar de pé.
"Mas, você tá machucado..." Ela argumentou com ternura, mas eu afastei a mão dela.
"E daí? Vamos."
Com a mente transbordando de angústia e estresse, nós voltamos correndo.
Meu coração tava batendo forte pra imaginar como eu ia confrontar o corpo sem vida dele. A ideia de ele não estar mais aqui tava me dando uma agonia inexplicável.
Era insuportável, perder meu único irmão.
Ao chegar no hospital, sem me importar com minha condição, eu corri pra dentro, meu coração morrendo pra ver meu Irmão. Minha mente não tava funcionando direito, meus sentidos tavam embaçados.
"Chefe, você também foi baleado..." Dave correu pra mim, preocupado ao me ver baleado também, mas ignorando ele, eu fui pra frente.
"Onde ele está?" Eu perguntei desesperado, perdendo o fôlego.
Eles me levaram pra dentro do quarto onde o corpo dele tava. Eu não queria que a Eileen visse essa cena, então eu fui sozinho e quando meus olhos caíram sobre o corpo sem vida dele, meu coração deu um solavanco de pavor.
"Ruben..."
Estreitando os olhos, lágrimas encheram meus olhos. Meus lábios começaram a tremer, mas eu me recusei a soltar as lágrimas. Apertando os dentes, eu curvei minhas mãos em punho, virando a cabeça, impotente pra testemunhar meu irmão me deixando tão cedo.
Por que eles tiraram a vida dele? Nós finalmente estávamos dando uma chance pra nós e eles levaram isso embora também?
Com sonhos destruídos e passos pesados, eu saí e a Eileen me segurou como apoio.
'Sebastian...' Sussurrando, ela segurou minha mão firme, beijando ela pra me garantir, quando um policial se aproximou da gente.
"Sr. Stellios. Eu sou Gracia Rey. Fui designada como responsável pelo caso de assassinato do seu Irmão."
Resmungando, eu sentei, olhando pra baixo, perdendo a cabeça em angústia.
"Sinto muito pela sua perda. Se não se importar, posso fazer algumas perguntas?" Ela perguntou hesitante. Eu sabia que não ia precisar de um oficial, eu devia encerrar esse caso também.
"Hum. Pode ir."
"Como você foi baleado?"
"Alguém também mirou na minha esposa. Nós mal conseguimos escapar." Eu suspirei, apertando a mão da Eileen com força, preocupado em entender o que eu teria feito comigo se algo acontecesse com ela também.
"Entendo. Significa que alguém está mirando nos seus entes queridos. Sua esposa, seu irmão e seus pais também foram alvos, mas ambos estão seguros. Eles estão a caminho daqui." Ela me informou, me chocando em pensar que alguém tava invejando meu final feliz e queria roubá-lo de mim.
Sibilando, eu bati com a mão na mesa, "Porra!"
'Sebastian, se acalma, você está machucado." Eileen sussurrou, me ajudando a me acalmar.
"Tem alguém que você suspeita que poderia atacar assim sem piedade?" Ela perguntou.
"Eu tenho alguns nomes em mente, mas nenhum deles é capaz de fazer isso, nem quero falar sem pensar. Me dê um tempo pra processar." Eu falei pra ela friamente, eu não queria entregar nomes desnecessariamente.
"Claro. Quando você se sentir bem." Ela saiu.
Nós estávamos sentados, eu tava analisando a situação, tentando entender o que eu deveria fazer pra superar essa situação e a voz aterrorizada da minha Mãe chegou até mim.
Um arrepio percorreu minha espinha, eu sabia que ela ia ficar arrasada e só eu era capaz de acalmá-la. Mas...
Eu consigo? Eu deixei as sombras dela anos atrás? Eu posso abraçá-la de novo? Eu posso acalmá-la de novo? Ela me aceitaria?
O que eu devo fazer?
'Ruben!' Soluçando, ela correu pra mim, segurando meu ombro desesperadamente, lágrimas brilhando nos olhos dela, o que partiu meu coração.
"Sebastian... você ouviu o que eles disseram sobre o Ruben? Não pode ser verdade. Eles não podem tirar meu bebê."
Estreitando os olhos, lágrimas começaram a cair do canto dos olhos dela. Ela tava prestes a acabar e ver o corpo dele, mas eu a abracei por trás.
Meu corpo agiu por conta própria. Eu não podia deixar ela ver a condição do corpo dele. Baleado cinco vezes.
"Mãe. Por favor, não vá lá."
Segurando ela firme, eu sussurrei sem esperança, segurando ela pra impedir que ela visse o corpo morto dele. Isso ia partir o coração dela.
Engasgando, ela começou a chorar, perdendo as forças, quase caindo, mas eu a abracei forte. Meu ponto provavelmente abriu enquanto fazia isso, eu me encolhi de dor, mas ignorei e foquei na Mãe.
"Não. Isso não pode ser! Me diz, é mentira! Por que tem que ser ele?!"
Soluçando, ela se virou pra mim, me abraçando forte. Eu estava hesitante no começo, mas aos poucos a abracei de volta.
Meu coração deu um solavanco, pois eu tinha esquecido como era quente e caseiro. Fechando os olhos, eu a segurei firme, meus lábios estavam tremendo.
"Sinto muito, não consegui protegê-lo. Sinto muito."