20- Notório
Presente
'Eu tinha sonhos, tipo, MILHARES de sonhos pra minha lua de mel, mas tipo, ele estilhaçou TUDO, um por um, e eu não consegui parar, saca?'
Eu contei minha história de entregar meu coração pro cara errado pra um certo homem gato, enquanto encarava a visão crepuscular.
Meus olhos estavam brilhando de tristeza quando eu contei pra ele, sentada e encarando o mar que era de parar o trânsito.
Não queria mesmo lembrar da minha experiência de partir o coração. Mas esses olhos não conseguem mais produzir lágrimas.
Eu matei a minha habilidade de chorar na hora.
Ele tava ali, parado atrás, ouvindo com esses olhos misteriosos, com cuidado, sentindo compaixão pelo meu estado.
"Minha Lady..." Ele me chamou baixinho, chegando mais perto. Sem mexer aqueles cabelos pretos como breu que voavam com a brisa fria do mar nem por um segundo.
Ele estendeu a mão pra mim, mas com os meus lábios tremendo, eu me virei totalmente pra ele, sussurrando minha culpa.
'Eu tô péssima, ele virou minha doença, Asad."
A mão dele pra me consolar parou. Doeu no coração dele ouvir que, depois de tudo, eu considerava ele parte de mim, mas eu não posso matar o que a gente teve, né?
'Pelo que eu ouvi até agora, não consigo achar nenhum motivo pra você grudar seu coração nele, Minha Lady." Asad soltou o ar, botando a mão de volta, desapontado, atrás das costas.
Eu não consegui pedir desculpa, mas eu devia.
'Porque você não sabe o que ele fez depois. Tem umas paradas que ele fez e eu... não consegui me impedir." Eu argumentei. Meu tom tava mais baixo do que o normal, mais suave. Desviando o olhar, eu segurei meu vestido. Sem saber como contar pra ele.
'Ele drogou minha mente. Eu não consigo ir embora mesmo se eu quiser agora." Eu confessei, machucando o Asad com a minha declaração, sem querer.
Mas, aguentei firme, como sempre. Fico me perguntando como ele consegue esconder tão bem o que tem nesse coração. Fico me perguntando o que tá por trás dessa fachada.
Ele fez um sorriso de canto, se ajoelhou pra ficar com o rosto perto do meu, me deixando chocada.
"Eileen." Murmurando, conectando seus olhos intensamente com os meus com aquele sorriso que esquenta o coração.
"Asad, não-" Sussurrando, com pressa, meus olhos arregalaram com as atitudes fofas dele.
'Não se preocupa, eu tô aqui agora. Você não precisa ter medo, ele não pode te prender mais." Ele sussurrou, mostrando um sorriso tranquilizador que fez meu coração pular uma batida.
"Eu não vou deixar a escuridão dele te consumir." Os olhos dele, meio nublados, tinham um pouco de carinho por mim que eu não consigo negar nem resistir.
"Eu tô aqui." Meu coração bateu forte, mas se as coisas pudessem ser tão tranquilas quanto as palavras dele.
Mordendo a parte de dentro da bochecha, eu desviei o olhar, 'Eu parei de acreditar em palavras vazias faz tempo, Asad. Eu não confio em você nem um pouco." Eu sussurrei, segurando a barra do meu vestido.
Eu levantei do meu lugar, fazendo sinal pra ele seguir e parar de se ajoelhar porque eu não consigo ver ele fazendo isso.
'Eu também não espero, mas eu vou te fazer confiar. Um dia, Minha Lady, eu vou." Ele sussurrou, sincero. Sempre usando palavras que me fazem querer derreter, mas eu me segurei.
Dando um passo mais perto, mas me abraçando com força, eu não tive coragem de olhar nos olhos dele.
'Tá ficando tarde. A gente devia voltar. O Sebastian já já chega em casa." Eu murmurei com pressa, pegando minha bolsa e as coisas rápido.
Ele entendeu minha hesitação e me deu espaço com um aceno de cabeça, 'Sim, Minha Lady."
Sem falar mais nada, a gente foi pra casa, deixando minha história incompleta, mas eu vou contar tudo pra ele. Eu preciso.
O carro do Sebastian tava lá, indicando que ele tava em casa. A gente saiu, o Asad abriu a boca pra falar alguma coisa, mas eu falei primeiro.
"Merda. O Sebastian tá em casa. É melhor eu ir." Xingando, eu ia embora, mas quando eu notei a carranca dele, eu parei, mostrando um sorriso pra ele.
"Obrigada pela noite linda." Eu falei de verdade, dando tchau pra ele com a mão. Surpreso, mas ele sorriu e acenou de volta enquanto eu corria pra dentro.
Mas quando eu entrei em casa, meu passo diminuiu, limpando o sorriso e botando no lugar uma cara de paisagem, com uma carranca no meu rosto quando eu tava em frente ao nosso quarto.
Suspirando fundo pra me preparar pra reação dele, eu empurrei a porta e o todo-poderoso Sebastian tava sem camisa, só de calça, mostrando o corpo sarado, com o cabelo molhado indicando que ele tinha acabado de sair do banho.
Estreitando os olhos, eu entrei devagar, fechando a porta quando ele tava de costas pra mim. Observando o corpo dele que me dava água na boca por um segundo antes de chegar mais perto
"Onde você tava?" Veio a voz dele, dominante, usando o celular, grudado no que quer que ele tivesse fazendo.
'Na beira do mar. Eu precisava de liberdade." Com uma resposta fria, eu tava parada atrás dele.
'Hmm?" Jogando o celular na cama, ele olhou por cima do ombro, levantando uma sobrancelha, perfeitamente.
Fazendo um sorriso de canto pra cima, mas vazio, meus olhos caíram nas marcas no corpo perfeito dele.
Aquelas treze cicatrizes lindas.
Arrastando minhas unhas nelas, eu perguntei, 'Dói?"
Os olhos dele estreitaram com uma reação indecifrável, mas eu afundei minhas unhas na cicatriz dele, 'Elas pinicam do jeito que eu quero?"
De novo, nenhuma reação enquanto eu parei por um segundo, 'Elas mancham sua pele como eu queria?" Eu falei, morrendo de vontade de ouvir o que eu queria.
Mas, ao invés disso, ele abaixou a cabeça, fazendo um sorriso de canto pra cima, sedutor, 'Não, mas elas são lindas, com certeza." Ele sussurrou.
'Porque elas te lembram da sua crueldade?" Eu perguntei com um sorriso frio, estreitando os olhos, com nojo.
'Não." Levantando a cabeça de novo, ele conectou os olhos dele com os meus intensamente, completando as palavras dele, 'Porque você fez elas."
Minha garganta secou com uma intoxicação indesejada, me dando um arrepio na espinha.
Virando a cabeça, furiosa com a sensação que ele causou, eu rasguei a pele dele com as minhas unhas o suficiente pra fazer sangrar, 'Tsc."
Ele riu, "Agora elas doem."
Sorriso com a minha tentativa falha de esconder o efeito que a frase dele causou em mim.
'Eu não tô nem aí, porra." Zombando, eu me virei pra sair, mas ele continuou sorrindo, 'Nem eu pedi pra você estar."
Revirando os olhos, eu tava indo embora, mas ele agarrou meu pulso, imobilizando meu corpo quando eu senti a seriedade dele.
"O que você tava fazendo com ele sozinha?" Ele perguntou firme, totalmente descontente.
'Eu não quero botar minha miséria em evidência, mas eu não consegui resistir à vontade também." Eu respondi secamente, incapaz de encarar os olhos dele profundamente por mais tempo.
'Eu queria contar pra alguém, então eu contei pra ele. Não consegui terminar, mas eu vou, com certeza." Murmurando, eu mexi a mão pra tirar meu pulso, mas ele me trouxe mais perto.
Ele me puxou, mas eu botei minha mão no meio pra criar um pouco de distância, tocando a pele exposta dele sem querer no processo.
'Como se isso pudesse mudar alguma coisa. Se você quer reviver suas cicatrizes, então me diz, eu faço isso com prazer." Ele mostrou o sorriso diabólico dele de sempre, passando o dedo no lado do meu rosto – super devagar.
'Então, onde você parou?" Ele perguntou, sedutor, parando no canto dos meus lábios, me encarando intensamente.
'Na Torre Eiffel." Eu sussurrei, com cuidado, tremendo com a próxima parte da nossa lua de mel.
O sorriso dele sumiu, separando o dedo com um brilho de tristeza, 'Podia ter sido uma memória linda se você não tivesse estragado tudo." Ele sussurrou.
'Nada é lindo com você, Sebastian." Zangada, eu bati no peito dele, desviando o olhar.
Mas minha atitude fez ele pegar na minha cintura firme, com a outra mão no meu pescoço. Eu tremi, mas ignorar o toque dele nunca foi minha capacidade.
'Com quem você tá mentindo? Você tá louca pra receber meu amor, por mim." Ele sussurrou a realidade dolorosa nos meus ouvidos, com a cabeça na minha, seguido de respirações pesadas.
'Por que você não pula as partes e vai logo pra minha favorita, hmm?" Cantarolando, ele me acariciou devagar, suavemente, fazendo um sorriso de canto pra cima.
Mas, eu não aguento. A afeição dele me deixa louca, fechando os olhos. Eu tentei desviar o olhar, mas ele me impediu.
'Não desvia agora." Ele sussurrou, me analisando.
'Você sabe que você não consegue escapar do meu domínio mais, Eileen. Seu destino tá selado comigo. A gente não pode voltar pra aqueles tempos mais." Ele botou um pouco de firmeza suave pra dizer que tava claro no tom dele, me encostando na cabeceira da cama.
'Você não é mais meu maior desejo." Perdendo o ar, as mãos dele me seguraram com força, encostando no meu pescoço.
'Você é minha necessidade, Eileen." Ele rosnou, apertando o aperto pra compartilhar o calor que tava viajando no corpo dele
Engasgando, eu bati no peito dele, perdendo o fôlego na proximidade dele, 'Para, Sebastian."
Ele parou, suspirando fundo, desapontado, antes de manter uma distância boa.
'Ok. Mais alguma coisa?" Ele falou, botando a mão no ar, desanimado, mas não deixou isso à mostra.
'Tsc." Zombando, eu sentei na cama, agarrando os lençóis com força, odiando o que ele fez comigo.
Ele suspirou, vestiu a camisa dele e foi dormir sem perguntar mais nada.
Eu não estendi a conversa sem sentido e fui dormir também.
***
Eu e o Asad estávamos na praia de novo. Todas as minhas suítes ficaram pra trás, longe da gente. Encarando o mar, eu me abracei, sorrindo pra mim mesma quando eu senti o ar fresco da liberdade me abraçando.
Eu tava perdida na beleza do momento. Do som das ondas me dando serenidade até a voz do Asad de trás me puxar de volta.
'Você é tão linda, sabia?" Ele sussurrou, sincero, parado atrás de mim. Encarando com atenção, o que aumentou as batidas do meu coração.
O comentário dele pode ser fofo, mas me lembrou do Sebastian e eu não gosto disso.
'Por favor, não me chama assim, Asad. Isso... me assusta." Eu sussurrei, olhando pra baixo, triste. Justamente quando eu pensei em não machucá-lo, eu acabei fazendo isso.
Ele riu, fazendo um sinal pra mim relaxar, "Eu peço desculpas, eu não vou. De qualquer forma, ele falou alguma coisa sobre a gente estar sozinha?" Ele perguntou, indiferente, dando de ombros.
"Eu contei pra ele por que a gente tava aqui." Eu respondi impassível.
'Você contou pra ele? O que ele falou então?" Asad ficou surpreso, não esperando a reação dele do Sebastian.
'Ele não liga. Na verdade, ele quer que você saiba de tudo, ele é um sádico, porra." Eu murmurei, revirando os olhos.
'Perda dele." Ele sorriu vitorioso, mas uma intenção travessa brilhou nos olhos dele.
Suspirando pra tirar isso da cabeça, eu perguntei, continuando sem perder tempo, 'Onde eu parei?"
'Na sua lua de mel." Ele franziu a testa, ele não gostou, mas tava ouvindo pra me deixar em paz.
Balançando a cabeça, eu respirei fundo e continuei de onde a gente parou.
"Durante nossa lua de mel, minha única ação errada devastou a lasca de emoções que eu tinha sobrado pra ele."