30.2- Conversas Importantes
'Eileen." O tom dele, tipo, super sério, veio, guardando o celular, me dando toda a atenção dele, que eu nem pedi.
'Acho que te falei que precisamos conversar." Ele suspirou, fazendo um gesto pra eu chegar mais perto.
'Falou? Não lembro." Perguntei nervosa, jogando o cabelo pra trás, chegando mais perto dele.
'Vem." Ele chamou, indicando pra sentar bem do lado dele. Minhas pernas ficaram bambas, não conseguia nem falar direito. Ia sentar do lado dele, mas ele pegou no meu pulso e me puxou pro colo dele.
Me contorcendo, fiquei parada com aquilo. Uma mão dele tava na minha cintura, pra ter certeza de que eu tava presa no campo dele, enquanto a outra tava no meu pescoço, olhando fixamente nos meus olhos.
Engoli seco com aquele silêncio todo, enrolei os dedos dos pés quando ele só ficou me encarando, tipo, profundamente, como se estivesse pensando em algo que ele não conseguia entender, passando o dedão dele devagar na minha mandíbula.
Por um segundo cru, a compaixão brilhou nos olhos dele, me puxando pra mais perto. Segurei a camisa dele, sem querer, esperando encontrar alguma coisa por trás daquele labirinto, mas não rolou.
Depois de um tempo infernal, testando minha paciência, ele soltou o ar, 'Pela última vez, Eileen." Apertei a camisa dele, fechando os olhos pra me preparar mentalmente pro que ele ia falar.
'O homem com quem você casou era só uma imagem falsa." Ele começou a me dizer, com autoridade.
Sem me deixar, pra que eu pudesse olhar nos olhos dele e tirar a imagem que eu tinha na cabeça e substituir pela que ele tava criando.
'Você tá destruindo seu coração por algo que nunca existiu. Você não tá apaixonada por mim, mas pela imagem que você criou na minha cabeça e agora que eu não sou o que você pensava – Tá te partindo o coração." Ele suspirou, furando meu coração com aquela declaração fria, que só servia pra consolar – e nós dois fizemos isso. Por nós mesmos.
"Mas, na real, o que você viu foi um sonho falso. Eu nunca fui o que você viu. Então, por quem você se apaixonou em primeiro lugar? Porque não foi por mim. Você nunca me amou." Doeu como ele falou que meu amor era nada…
Ele explicou, com uma voz baixa, mas firme, o que eu não conseguia botar em palavras, sem hesitar. Sem se importar se ia machucar ou não.
'Essa é a pior parte, que eu prendi meu coração a algo que não existe. Mas, a culpa é minha? Foi errado sentir amor pelo meu noivo?" Sussurrei com a voz embargada, esperando que em algum lugar do coração dele ele pudesse entender o que eu tava sentindo.
"Eu sei, eu sei, você não teve culpa. Você fez o que tinha que fazer, sentiu o que tinha que sentir, mas não continuou. Não sinta nada por mim." Ele falou baixinho, mas se fosse possível eu já teria feito há muito tempo. Por que ele achava que eu tava dividindo meus sentimentos com ele, afinal?
"Não vamos voltar pra isso, Sebastian. Eu te falei, não consigo controlar o que eu sinto." Respondi, com o coração em pedaços, porque a mente vazia dele não conseguia entender aquilo.
Claro, sentimentos são coisas de outro mundo pra ele.
'Exatamente, Eileen. Você tá quebrando seu coração à toa. Sai dessa ilusão. Você acha que eu vou ser assim de novo, eu não vou. Não me compare." Ele sussurrou, passando o dedão na minha pele pra eu entender.
"Não grita, Eileen." Ele sussurrou, sem esperança, me deixando chocada de saber que minha voz ainda tava ecoando naquele lugar vazio.
'Eu também não quero, mas olhar pra você parte meu coração, minhas emoções são incontroláveis. E não é sobre quem você foi, mas sobre quem você é." Com uma voz rouca, eu não tava mais conseguindo me manter de pé.
"Dói, Sebastian, porque você não sente nada." Sussurrei de volta, desesperada, enquanto ele suspirava, desapontado, quase furioso. Minhas palavras tavam fazendo efeito e ele odiava isso.
'Então tá, eu posso ser assim também. O tal amor da sua vida, mas não seria nada além de uma esperança falsa, uma personalidade falsa. Ia ser o suficiente pra consertar seu coração?" Ele perguntou, exasperado, franzindo a testa, descontente, achando que minha dor não significava nada, só pra calar minha voz.
'É isso que você quer?" Ele perguntou de novo, com raiva, juntando nossos rostos. A dominação escorria da aura dele, exigindo uma resposta.
'Não." Eu chorei baixinho, balançando a cabeça em negação. Tremendo um pouco, não querendo que ele agisse assim de novo.
Ele respirou fundo, se acalmando, "Então para de trazer isso à tona. Estou te fazendo entender de boas." Ele falou, mordendo a parte de dentro da minha bochecha, eu balancei a cabeça quando a superioridade dele voltou, com muito mais escuridão.
"Além disso, deixei passar sua ousadia dessa vez, mas não vai ter próxima, entendeu?" Ele avisou, sério, com certeza não gostando de como eu entrei na mente dele e quebrei o fluxo dos gritos melodiosos dele.
'Sim." Concordando, eu olhei pra baixo quando ele tirou a mão da minha pele.
'Você se atreveu a me desrespeitar. Nunca mais faça isso, não me faça ultrapassar meus limites." Ele sussurrou, deixando pra lá com um aviso.
'Eu-Eu sinto muito…" Sussurrei de volta, me encolhendo quando os olhos dele, cheios de autoridade, estudaram meu corpo. Murmurando, ele me puxou do colo dele, se recostando e apoiando uma perna na outra.
'Ah, e para de tomar aqueles comprimidos anticoncepcionais que sua amiga te deu." Ele mandou, sério.
'Você sabe?" Perguntei, surpresa.
'Quem mais poderia ser? Só ela tem essa coragem." Ele suspirou. Eu não queria irritá-lo mais do que já tinha feito, então eu murmurei.
'O-Okay."
E a gente tá de volta ao ponto de onde começamos de novo. Minhas emoções não tiveram efeito. Ele ouviu minha voz, mas escolheu não reagir. Eu não quero dizer-
'Marquei uma consulta com a ginecologista. Consulta ela primeiro antes de tomar qualquer comprimido aleatório. Vai saber que efeitos colaterais pode ter." Ele murmurou, revirando os olhos, franzindo a testa profundamente.
'Quê?" Pisquei, achando que tinha ouvido errado.
'Eu falei pra consultar uma médica primeiro." Ele deu de ombros, arqueando a sobrancelha pra mim, porque eu tava chocada, não esperando que ele fosse deixar.
'Eu-Eu não esperava que você… deixasse eu…" Eu me perdi nas palavras, sem saber como reagir ou o que falar.
'Lidar com uma pirralha já é o suficiente, não tô com clima pra outra." Ele provocou, me encarando, me chamando de pirralha. Meus lábios formaram uma linha fina, fiquei parada.
'Além disso, seu corpo tá muito fraco." Ele murmurou baixinho pra ele mesmo, mas eu ouvi. Não vou negar, eu sempre tive deficiência de ferro e vitaminas, então duvido que eu conseguisse dar à luz normalmente em primeiro lugar.
'De qualquer forma, guarde minhas palavras na sua mente." Ele suspirou, levantando pra ir dormir, mas eu segurei na manga da camisa dele, inocentemente, olhando de volta pro olhar profundo dele, timidamente.
'Sebastian," Chamei, sem largar a manga dele. Ele não reagiu, esperando eu continuar.
'Você… Realmente me ouviu?" Perguntei hesitante, sem saber como essas palavras chegaram nos meus lábios em primeiro lugar.
O maxilar dele travou, as feições endureceram quando ele puxou a mão de volta. Não gostando de como eu me dirigi aos dois momentos de fraqueza dele. Ele tava totalmente descontente.
'Não. Eu menti pra você parar de reclamar." Ele mentiu, se afastando, mas eu sei que ele me ouviu, porque se minha voz não tivesse chegado até ele, ele não estaria me dizendo pra parar de ficar nas memórias falsas dele.
Eu tava falando sobre isso há um tempo, mas ele reagiu só dessa vez, tudo porque ele ouviu e eu não sabia se devia ficar feliz ou não…