34- Bonita
Aquela chuva tava linda… pelo menos pra mim…"
Estávamos na chuva. Eu tava olhando pela janela enquanto abraçava meus joelhos, na esperança de passar o tempo enquanto outra pessoa tava ocupada jogando o melhor jogo de todos os tempos. Nota o sarcasmo.
Eu tava franzindo a testa, tentando fechar os olhos e mudar meus pensamentos pra outro lugar, ouvindo o som da chuva pra me perder nele e desviar minha mente de qualquer coisa, menos comida.
Mas, falhei, a única coisa que conseguia pensar era em comida. Qualquer coisa ia ser bom nesse momento.
Meu cenho se aprofundou quando escondi meu rosto nos meus joelhos. Me abraçando forte, mordendo a parte de dentro da bochecha quando o som do jogo dele chegou aos meus ouvidos, me frustrando.
Doce! Gostoso! Argh. Cala a boca. O som disso tava me irritando.
Eu tava rezando pra que ele perdesse qualquer nível que estivesse jogando e as vidas dele acabassem, pra ele ter que esperar vinte minutos por outra.
Fiquei assim e ouvi ele suspirando finalmente. Bufando, levantei os olhos e vi ele xingando baixinho, "Droga."
Que bom que você perdeu.
Ele colocou o celular no bolso e se virou pra mim, "Eileen." A voz dele, firme, me fez pular com a atenção repentina.
"O quê?" Eu murmurei, me abraçando mais perto, curvando os lábios pra baixo.
"Tira o vestido." Ele mandou, endurecendo meus ossos. Meu coração pulou, me espantando com a ordem imprevista.
"P-Por quê?" Eu gaguejei, enrolando os dedos dos pés, sem ter força pra compartilhar intimidade, especialmente no carro.
"Eu disse, tira o vestido." Ele ordenou, desabotoando o casaco, sem vontade de ouvir resistência.
Agora acho que ele jogando Candy Crush era bem melhor.
Engolindo em seco, mordi minha bochecha quando ele tirou o casaco, ficando só com o colete e a camisa preta combinando perfeitamente, deixando seus músculos largos proeminentes. Eu hesitei enquanto abaixava meu zíper lentamente, sem levantar os olhos, me sentindo desconfortável, me despindo no carro.
Meu coração tava batendo anormalmente, perturbado, com fome e a desobediência era mortal no momento.
"Mais rápido, droga." Rosnando, ele puxou meu zíper com força, me ajudando a tirar o vestido, danificando o vestido caro no processo, enquanto eu fiquei só com a anágua.
"Sebastian, eu-" Eu ia dizer pra ele que não podia fazer nada ali, não tinha força suficiente, mas ele se aproximou e colocou o casaco sobre minha cabeça, me deixando confusa.
"Guarda meu celular e carteira na sua bolsa." Ele disse friamente, colocando o celular na minha bolsa antes de devolver.
Eu fiquei confusa com a ação dele, mas respirando fundo, ele pegou as chaves e saiu do carro e veio pro meu lado, abrindo a porta.
"Sebastian? O que você tá fazendo?" Perguntei, surpresa quando senti uma brisa fria do vento, formando arrepios na minha pele.
"Segura firme, guarda a bolsa e coloca o casaco sobre a cabeça." Ele me disse com indiferença.
Coloquei a corrente da minha bolsa no ombro, abrindo a boca pra perguntar o porquê, mas não adiantou.
Antes que minha mente pudesse processar, ele passou os braços por mim e me levantou do assento, me segurando no estilo noiva.
"O-O que você tá fazendo?" Eu engasguei com as ações dele, envolvendo meus braços instintivamente em volta do pescoço dele, segurando o casaco com a outra mão pra me salvar dessa chuva.
"Tem uma estalagem por perto. Ninguém pode vir pelas próximas vinte e quatro horas. O combustível tá acabando também, temos que ir." Ele explicou o que tava acontecendo.
Eu entendi por que ele me fez tirar o vestido. Era de veludo e ia ser extremamente pesado se ele me pegasse. Por isso ele me fez tirar, mas dizer por que ele fez isso ia ser muito esforço, então ele usou a droga da dominância dele.
"E-Eu posso andar." Eu gaguejei, segurando o pescoço dele com força, definitivamente não querendo andar com aqueles saltos altos.
"Cala a boca." Ele murmurou, fechando a porta com um chute, me puxando mais pra cima, me movendo pra esconder meu rosto no peito dele.
Senti ele andando debaixo daquela chuva forte enquanto me segurava. Me levando pra estalagem próxima. Eu tava segurando a camisa dele com uma mão e o casaco dele com a outra.
Eu tava tremendo, mas ele me moveu pro peito dele pra me ajudar a me esconder. Não era a primeira vez que ele me segurava assim, mas me deu uma sensação indesejada.
Meu coração tava batendo forte, meu corpo tava leve, não era a intimidação ou medo de sempre, mas algo mais que eu desconhecia. Ele aumentou minhas sensações, anestesiou meu corpo, mas de uma forma estranha, me segurando assim nessa chuva.
Olhando pra cima lentamente, eu o vi encharcado, a água rolando, os cabelos caindo no rosto dele, fazendo ele brilhar com uma beleza que eu nunca tinha notado antes.
A chuva o fez bonito.
Suas feições se transformaram em uma careta que ele não conseguiu esconder. Era difícil pra ele andar nessa chuva forte enquanto me segurava, mas ele não me colocou no chão nem reclamou.
A água pingando em suas feições o fez requintado.
Engolindo em seco, movi minha mão pra cima, pro pescoço dele e ajeitei o casaco um pouco mais pra que pudesse cobrir nós dois da chuva antes de encharcar.
Ele parou no lugar, direcionando seus olhos ônix aos meus intensamente. Eu timidamente olhei de volta. Pelo poder dos olhos dele pairando no meu rosto tenso, eu não consegui manter contato visual.
"Eu tô com fome…" Eu sussurrei, olhando pro peito dele, mordiscando meu lábio inferior, envergonhada.
"Eu sei." Ele suspirou, quase sem fôlego, como se estivesse congelando, eu podia sentir ele tremendo, mas ele não ia contar.
"Por isso eu tava procurando um lugar pra gente ficar com a ajuda dos poucos sinais que restavam." Ele explicou, continuando a andar de novo. Mas, em vez de agradecer a ele por considerar minha fome e me levar pra lá. Eu curvei meus lábios pra baixo, murmurando o que eu não deveria.
"Jogando Candy Crush?" Eu disse, ganhando uma sobrancelha arqueada divertida dele. Me permitindo a bufar, mas não ousei olhar de volta nos olhos dele.
"Sem sinais." Ele murmurou, sem pensar muito nisso e continuou andando. Olhei pra cima pra ele de novo lentamente, percebendo que ele saiu do carro nesse tempo, me carregando nos braços, me levando pra lá porque eu tava morrendo de fome… tudo por mim.
Quando esse pensamento veio na minha mente, eu tremi. Meus olhos se conectaram com suas feições estoicas com os lábios separados e batimentos cardíacos aumentados.
Ele sempre foi tão atraente? Era. Mas, agora, não é esse tipo de atraente, mas… outro tipo do qual eu não tinha certeza de como colocar em palavras ou talvez- eu não estava pronta.
Eu não conseguia desviar o olhar, eu queria que ele me protegesse. Me abraçasse como fez quando eu desmoronei. Que me dissesse que ele só ouvia a mim.
"Você é tão requintado, sabe…" Eu sussurrei, me afogando em seus olhos indecifráveis, querendo saber o que nos levou a esse ponto.
'Por que eu estou em seus braços e ainda tão longe dele?'
Mantendo o casaco sobre nossas cabeças, mas algumas gotas conseguiram atingir nossa pele, fazendo meu corpo tremer com o vento forte, esperando sua reação e resposta.
"Eileen." Ele me chamou roucamente depois de um breve silêncio, sem olhar de volta nos meus olhos atentos fixados em suas feições estéticas.
"Hum?" Eu murmurei inocentemente, respirando fundo. Com seus olhos misteriosos fixos no chão, eu me aproximei, seus batimentos cardíacos estavam imensos, eu podia sentir, batendo forte. Acho que era o tempo frio.
"Não. Só, não." Ele respirou depois de um longo silêncio. Um brilho de algo sombriamente bonito brilhou em seus olhos, mas ele não me deixou entender a profundidade disso. Isso… machucou ele?
"O quê?" Eu sussurrei, incapaz de compreender o que eu fiz desta vez que ele queria que eu parasse. Ele engoliu o nó na garganta e gradualmente encontrou meus olhos, parando.
"Não olhe pra mim assim. Não diga nada." Ele sussurrou sem fôlego, aproximando perigosamente o rosto do meu. Meu coração pulou, eu estava soltando longos suspiros, apertando minha mão no casaco dele.
'Como assim? O que eu disse? Você não gosta da minha voz?" Eu perguntei, me recusando a desviar meus olhos dos dele profundos, lambendo meus lábios. Querendo saber o que meus olhos e palavras eram capazes de fazer.
'Não olhe pra mim." Ele rosnou, mudando sua pegada em mim firme, a mandíbula travando, mas não por raiva, mas com hesitação - de quê? - Eu não sei.
"Por quê?" Eu perguntei tristemente, não querendo desviar o olhar enquanto ele queria que eu fizesse.
"Porque eles estão me deixando louco. Eu quero eles-" Ele estava prestes a deixar seus sentimentos saírem em um surto de fúria, mas a voz de alguém veio, quebrando o ritmo que eu criei com extrema dificuldade.
'Vamos, cara! Não fica na chuva!" Alguém veio, correndo pra nós com um guarda-chuva. Eu o xinguei nos meus olhos, mas não disse nada.
Nós dois quebramos awkward o contato visual estranhamente atraente e nos viramos. Corando com o que acabou de acontecer, eu, sem querer, o segurei rigidamente.
Como eu olhei pra ele em primeiro lugar?
Limpando a garganta, eu desviei o olhar finalmente, voltando aos meus sentidos também.
'Me coloca no chão, eu posso andar." Eu sussurrei, mexendo no casaco, pegando o guarda-chuva do homem.
"Obrigada." Eu disse, pegando o guarda-chuva, enquanto ele quase agarrou minha mão enquanto olhava pra mim. Meus olhos se arregalaram em choque com a ação dele.
Não porque ele tentou - ousou me tocar, mas pela fúria letal de Sebastian.
"S-Sebastian…" Eu chamei. Hum, Sebastian não perguntou nem recusou, ele simplesmente me colocou no chão também e me virou pra longe do homem. Tirando o colete, pegando o guarda-chuva de mim, ele me deu. Eu podia sentir sua carranca sob minhas unhas.
'Use. Sua anágua é transparente." Ele disse, olhando pra longe, definitivamente não gostando da maneira que aquele homem tava me examinando de cima a baixo.
Oh, ele ia se arrepender.
Eu podia ver a raiva nos olhos de Sebastian por ousar olhar pra presa dele de maneira lasciva.
Eu usei o colete dele, fechando os botões pra me cobrir. Embora estivesse molhado e me fizesse tremer, mas, eu usei de qualquer maneira enquanto entrávamos.