81- Abraçando Meu Protetor
Depois que Nathaniel foi embora, fomos pro nosso quarto. A maior parte das paradas dele não entraram na cabeça da Eileen, mas, honestamente, ela ficou chocada que eu aceitei a ajuda dele pra continuar vivo também.
Dando mais uma prova do meu amor pra ela. Ela não faz ideia do que eu faria por ela.
Estávamos no nosso quarto, Eileen veio por trás de mim e me abraçou, se sentindo tão pequena perto de mim.
"Você parece melhor. Tá tudo bem agora?" A voz doce dela veio, olhando de lado pra ver meu rosto.
"Hum. Finalmente peguei o culpado." Cantarolando, eu concordei com a cabeça, me virando pra ela e subindo na cama.
"Sério? Quem é?" Ela perguntou apressada.
Com uma cara séria, eu falei pra ela, "Dave."
Eu contei tudo pra Eileen, como a inveja dele nos trouxe até aqui, a angústia que levou meu próprio irmão de mim. Eu nunca conseguiria esquecer aquela dor ou meu remorso.
"Eu não consigo acreditar que ele fez isso com a gente. Você confiava tanto nele e aquele cachorro se aproveitou de você. Eu tô tão enojada dele. Como ele pôde fazer isso?" Ela rosnou, totalmente enojada, como eu, de ouvir tudo.
"Não se preocupa, eu vou dar pra ele o pior resultado." Eu rosnei, fechando as mãos em punho.
Rosnando de volta, ela concordou com a cabeça, não tentando me impedir também, "Eu também quero fazer isso. Ele merece. Que erros o nosso Ruben teve?"
"Eu vou."
Concordando, eu juntei toda a minha coragem, sabendo que se eu quero proteger minha família, então eu preciso continuar do jeito que eu sou agora.
Em silêncio, nós dois deitamos pra dormir, ela pegou meu braço e apoiou sob a cabeça e virou pra mim, segurando minha camisa.
"Sebastian..." A ressonância preocupada dela veio.
"Hum?"
"Agora que você achou o assassino dele. Você pode descansar agora." Sussurrando, ela levou a mão pra cima, me fazendo olhar pro rosto preocupado dela.
"Ainda não."
"Eu tô tão preocupada com você. Desde que o Ruben morreu, você não derramou uma lágrima. Eu sei que você quer." Ela continuou, fazendo concha no meu rosto, sentindo pena do meu estado.
Ela sabia bem da dor que eu tava carregando no meu peito, mas eu queria queimar.
Suspirando, eu puxei ela pra perto, abraçando ela pra ganhar energia pra seguir em frente por enquanto, "Eu preciso do seu abraço tanto quanto. Fica nos meus braços pra me dar forças pra continuar."
Ela abriu a boca pra discutir, mas parou e concordou, me segurando firme pra me dar uma calmaria temporária antes que eu perdesse meu coração pra agonia.
E no dia seguinte, sem me importar com nada na minha vida, eu amarrei o Dave naquele mesmo quarto onde eu perdi minha sanidade. O quarto onde eu gritei pela primeira vez e não consegui parar depois.
O quarto onde tudo começou.
Ele tava amarrado, fazia um tempo que eu não torturava ninguém pessoalmente, mas eu queria dar pra ele o pior resultado.
"Chefe, o Plague Doctor tá aqui." Jacob me informou, sem se dar ao trabalho de olhar pro irmão dele. Ele sabia que ele tava aqui por causa dos próprios erros.
"Ele ainda não foi embora?" Eu perguntei, estreitando os olhos.
"Não. A Amanda tá morrendo de vontade de testemunhar como você vai fazer isso." Nathaniel veio com a Amanda, constantemente encarando ela por causa do problema que ela tava causando por estar ali.
"Não. Eu quero fazer isso sozinho." Eu exigi.
"Chefe, por favor." Ela sussurrou pro Nathaniel.
"Isso vai compensar a sua taxa. Ainda não?" Ele ordenou, suspirando, apertando a ponte do nariz.
Ele tava cancelando as taxas dele por causa da subordinada dele? Não me admira que eles sejam tão leais a ele.
"Tanto faz."
"Vai. Eu vou ficar lá fora com o De Villiers." Ele rosnou e saiu rapidamente, mas ela sorriu, "Valeu, Chefe. Você é o melhor~" Ela mandou um beijo, mas eu ignorei ela, ele foi embora.
Deixando nós dois sozinhos.
Eu encarei ela, mas ela retribuiu com um sorriso estranho, ela não tava com medo ou empolgada, ela tava... feliz.
"Eu não vou te incomodar, eu só quero ver como fazer a pessoa que mais te machuca sofrer. Como torturar aquele que você chamava de seu." Sussurrando, ela sentou no canto, colocando uma perna pra cima e apoiando o queixo nela, me observando com fascínio.
Ignorando ela, eu me virei pro Dave e dei pra ele a morte mais torrencial, eu não deixei ele, eu deixei as cicatrizes dele sangrarem.
Eu cortei os dedos dele, primeiro arranquei as unhas e depois cortei eles, deixei arder, fazendo ele gritar muito, implorando tanto pela morte e a imagem do meu irmão veio na minha frente.
"Mata... me... por favor..."
Ele atirou nele. Cinco vezes.
O que ele fez de errado? Por que meu Irmão?
Por uma vez eu tava dando uma chance pra vida, eu queria viver. Quem diria que aquele abraço de lado ia ser o último abraço que eu ia dar nele?
'Eu não quero mais voltar. Eu tô cansado de ficar longe de todo mundo.' E agora você tá tão longe da gente que você nunca mais ia poder voltar.
Me desculpa, eu sinto muito, meu amado irmão.
Eu não queria que aquilo durasse muito mais. Eu queria tanto matar ele que eu machuquei ele ao ponto dele não aguentar mais e ele quase morreu por causa da perda de sangue.
"Eu não vou deixar você morrer assim, seu filho da puta." Rosnando, eu me afastei.
Uma lágrima rolou pela minha bochecha quando eu tava encarando o corpo dele, despejando toda a minha raiva no meu olhar, ressentindo ele tão profundamente que eu peguei minha arma e atirei nele exatamente onde ele atirou no meu irmão.
Lágrimas encheram meus olhos, eu tava devastado, atirando nele cinco vezes. Ele morreu na primeira, mas eu continuei atirando. O som daquilo me deu um prazer desconhecido.
Perdendo a cabeça, agonizado além dos limites.
Depois de terminar, eu continuei imóvel até que a voz dela veio. Ela não mostrou nenhuma reação o tempo todo, só encarando sem sequer piscar.
"Foi... prazeroso? Ou tranquilizante?"
"Os dois." Sem fôlego, eu joguei a arma na minha mão longe, dando um passo pra trás.
"É bom, né? Matar aquele em quem você mais confiava e aquela pessoa trair sua confiança." Ela perguntou, olhando pra mim vagamente.
"Depende."
Expirando, eu me afastei e comecei a lavar minha mão ensanguentada. Eu não queria tocar na Eileen com aquelas mãos.
"Você tá se referindo ao Nathaniel?" Eu perguntei, intrigado pra saber a quem ela tava se referindo.
"Obviamente não. Ele foi quem me salvou, me deu uma nova vida. Eu confiava em alguém assim também uma vez, ele me enganou, fez o pior, matou meu bebê. Ver ele morrer foi satisfatório. Parecia leve." Ela sussurrou, curvando os lábios pra cima.
Expirando profundamente antes de descer e esticar os braços por ficar na mesma posição por horas.
"Por experiência, eu diria, chorar nos braços do seu protetor te daria consolo." Ela sorriu suavemente, chegando mais perto pra inspecionar o corpo do Dave.
"É por isso que você é tão leal a ele mesmo que ele te xingue o tempo todo?" Eu perguntei, levantando a sobrancelha e ela concordou com a cabeça, um sorriso crescendo ainda mais.
"Eu posso dar minha vida pelo meu Chefe. E não só eu, todos nós. Ele trilhou um longo caminho. Você teve o apoio da família pelo menos, o Chefe construiu esse nome e império do nada. Eu respeito ele." Ela suspirou, endireitando as costas e respirando fundo, recuperando a postura dela.
A razão pela qual todos nós o aceitamos como número um foi porque ele provou. Ele conquistou essa posição depois de inúmeras dificuldades. Eu concordo com isso também.
Nós dois saímos do porão, eu ordenei que um dos meus funcionários limpasse o lugar e saí onde o Nathaniel tava esperando a Amanda.
"Foi um show que você testemunhou até o fim? Nós estamos atrasados por sua causa." Nathaniel repreendeu ela de novo, mas ela ganhou a postura sedutora dela.
"Ah, qual é, Chefe. Como eu posso perder essa oportunidade?" Ela sorriu.
"Vamos agora." Ele suspirou quando eles estavam prestes a sair, mas a Amanda se virou pra mim.
"Espero que você consiga seguir em frente agora e continuar com sua família." Nathaniel disse e eu fiquei surpreso em pensar como ele sabia.
"Como você..." Fazendo uma pausa, minha boca se abriu.
"Só um palpite, mas sua reação confirmou isso. Parabéns." Ele sorriu, acenando o dedo indicador pra mim.
E eu quase esqueci disso. Eu tava pensando nisso quando tudo aconteceu. Eu tava vivendo o momento mais lindo da minha vida e o Dave arrasou tudo completamente.
"Valeu..." Cantarolando, eu olhei pra baixo, me sentindo meio vazio. Eu não sabia como me sentir sobre isso, mas sem deixar minha mente mergulhar mais fundo nos meus pensamentos, a Amanda chamou.
"Lembre-se das minhas palavras, você vai se sentir melhor."
Ela sussurrou sinceramente e foi embora com todo mundo, deixando meu domínio e eu rezei pro dia em que eu tenha que aceitar a proteção dele e nunca mais voltar.
Eu odiava isso.
Eu tenho meu valor como a Morte Negra, eu não queria que ele manchasse isso.
Mas ouvindo as palavras dela, eu comecei a ponderar sobre elas profundamente.
"Abraçar meu protetor... hein?"
E ao ouvir aquela palavra, a princípio eu pensei quem poderia me proteger e no segundo a palavra daquela pessoa veio na minha mente instantaneamente.
Eileen.
Expirando, eu olhei pro céu. Eu sabia que nunca fui um irmão bom ou exemplar, mas eu amava ele profundamente. Demais. Eu não conseguia dizer isso pra ele e agora eu nunca mais conseguiria fazer isso.
Mas, depois de um tempo terrivelmente longo, o grito de alguém me proporcionou consolo. Foi satisfatório. Matá-lo me acalmou.
'Eu sei que não consegui fazer muito por você, mas isso foi tudo que eu pude fazer por você. Eu vinguei sua morte, meu querido irmão.'