55- Partindo Seu Coração
~ Sebastian ~
Eu tava bravo comigo mesmo, na real me odiando por ter mostrado fraqueza. Sendo aquele que tinha poder pra caramba, forte o suficiente pra dominar os medos... agora eu me sentia impotente.
Tudo por causa da Eileen.
O que ela tava fazendo comigo tava me enfraquecendo e, de jeito nenhum, eu podia deixar isso acontecer.
Eu tava no quarto, sem dormir, olhando pro teto, desliguei meu celular, ignorando todas as ligações dela, perdido em pensamentos indesejados.
A voz dela tava me viciando, eu não queria isso.
A voz dela tava me tentando, eu não queria isso.
A voz dela tava me manipulando, eu não queria isso.
Eu não quero nada da voz dela.
Soltando a frustraço, peguei meu celular, liguei de novo, vendo um monte de mensagens e áudios da Eileen.
Com uma carranca, abri o último, ignorando as outras.
'E aí, já chegou? Tá cansado?...' Tô. De você.
'Você disse que ia esperar minha ligação... esperou?...' Infelizmente, esperei.
'Me liga quando tiver um tempinho.' Não vou ligar.
'Ah, e o Asad me deixou em casa, não fica bravo, por favor. Desculpa... Se cuida.'
Fiz uma careta quando ouvi, xingando baixinho por saber que ela tinha se relacionado com ele, sendo que eu tinha proibido.
'Porra, essa mulher.'
Perturbado, furioso, liguei pra Eileen finalmente. Ela atendeu na hora, mas tava claro que não tava feliz com a minha falta de atenção.
'Alô? Tá acordado ainda? Não são tipo meia-noite?' Ela perguntou meio sem jeito, com a voz triste.
'Por que você sempre faz o que eu proíbo?' Perguntei frio, sem tirar os olhos cansados do teto.
'De todas as minhas mensagens, só essa conversa de dois segundos importou? Mais nada?' A voz dela, cheia de tristeza, veio, mas eu não sabia como dizer que eu quero distância dela...
Mas, meu coração também não queria isso.
'Não brinca comigo, Eileen, nós dois sabemos que você trouxe o Asad pra conseguir minha atenção.' Respondi com a voz baixa, mas furioso.
'É óbvio que eu ia fazer isso quando você não me dava atenção. Você disse que ia esperar minha ligação, né?' Ela suspirou, a tristeza e a decepção bem claras na voz.
'Eu tava ocupado.' Argumentei, murmurando.
'Uma mensagem. Porra, um áudio, Sebastian. Por que você faz isso?' Ela explodiu por um segundo, mas suspirou no fim. Eu não queria, mas precisava de tempo pra me concentrar em mim. No que eu tinha me tornado por causa dela.
'Fazer o quê? Eu te falei que tava ocupado.' Explodi também e parei com um suspiro, tipo ela no fim, sabendo que podia machucá-la, e machucou.
'Onde você vai, você só vai pra longe de mim também.' Ela sussurrou, e meu coração disparou. Eu não queria trazer isso.
Mas, eu sei que essas distâncias são culpa minha.
'Eu tô te incomodando?' A Eileen perguntou, com a voz cheia de tristeza, e meu coração apertou porque eu não queria fazê-la se sentir assim.
Soltando o ar, comecei a contar pra ela o que eu tava sentindo por estar perto dela, 'Eileen, eu não gosto do que você me faz sentir, do que você faz sem querer que eu faça. Não gosto de ouvir sua voz.'
'Por que você tá quebrando meu coração falando essas coisas, especialmente no telefone?' A voz dela quebrou, e meu peito apertou mais. O brilho da dor na voz dela me fez culpado.
Eu sinto muito.
Fechando os olhos, coloquei a mão no meu coração, que tava pulsando descontroladamente, continuando o peso que ela tinha causado em mim.
'E a pior parte é que você virou um hábito, muito mais do que meu desejo mais profundo. Porra, você nem é meu desejo mais profundo. Você virou minha necessidade, Eileen.'
Rosnando, fechei mais os olhos, minhas mãos tremiam um pouco, incapaz de abrir os olhos e me ver no espelho, testemunhar esse meu lado patético.
'Sebastian, por favor, para. A gente pode conversar sobre isso quando você voltar.' Ela murmurou suavemente, esperando que pudesse me parar.
Mas, juntando toda a minha coragem, comecei a falar sobre que tortura eu tava passando, não guardando minhas palavras no coração pra ter certeza de que o meu sofrimento chegasse ao fundo dela.
'Eu odeio o que você faz comigo, Eileen.'
'Sebastian, Por favor.'
'Eu odeio o que você faz comigo, Eileen.'
'Para, por favor.'
'Eu odeio o que você faz comigo, Eileen.'
'Por favor…'
'Eu odeio o que você-'
'Sebastian!' Ela explodiu, gritando pra eu parar de furar o coração dela do mesmo jeito que ela furava o meu.
'Por favor, não quebre meu coração falando isso de novo!' Ela chorou, tentando abafar os soluços cobrindo a boca. Meu maxilar travou quando ouvi a voz dela miserável.
Abrindo os olhos devagar de novo, olhei pro teto com uma dor insuportável indo pro fundo da minha alma. Eu tava com raiva, deprimido e exausto.
'É exatamente assim que eu me sinto quando você confessa seu amor por mim,'
Confessei, mordendo o lábio inferior trêmulo pra garantir que a compostura da minha voz não quebrasse. Eu escondi a minha angústia, focando na dela.
'Quando você tenta diminuir as distâncias, quando você tá perto de mim, quando você me abraça, quando eu ouço sua voz.' Continuado, percebi que ela tava tentando não soltar outro soluço, mas eu continuei, dando mais cicatrizes do que eu já tinha dado.
'Eu te machuco tanto só por existir perto de você?' Ela perguntou, fraca, quase sussurrando, fungando pra não chorar mais.
'Machuca.' Respondi frio, me ressentindo dessa minha frieza ao extremo, por acabar com as emoções frágeis dela. Eu tava impotente pra dizer pra ela...
Eu tinha medo de amar ela.
'Por que você tá falando isso agora? O que aconteceu com você? Você tava bem quando foi embora. Você disse que ia esperar minha ligação. É por isso que você me ligou? Pra quebrar meu coração?' Ela perguntou desesperada, querendo saber o que me cegava a ponto de destruir o coração dela.
Rosnando, perdi o fôlego, a voz rouca ficando mais grossa, 'Eu odeio o que eu me tornei por sua causa. Você roubou minha identidade. Eu não sei mais quem eu sou, Eileen.'
'Depois de vir pra cá, percebi que eu nunca fui assim antes. Eu ia causar uma confusão aqui, causar um derramamento de sangue, acabar com a paz e tomar o trono do submundo à força. E se eu acabasse perdendo a vida, eu ia amar, mas eu não fiz e você sabe por quê?' Rosnei, sentando, jogando o cabelo pra trás, largando a pose de demônio perfeito que eu tinha criado.
Eu vi ela indo embora, mas eu não impedi.
'Por quê…?' Ela perguntou, assustada.
Tornando-me estoico novamente, eu disse pra ela o que eu evito por causa dela, 'Porque você não queria que eu morresse.'
Eu cerrei os dentes, apertando os lençóis com firmeza quando o som do soluço dela chegou em mim. Ela não conseguia suportar as vozes que eu enterrei no meu peito.
Mas, de novo, quando eu ouvi tudo, por que ela não ia ouvir também?
'Você acha que chorar vai resolver meu sofrimento?' Eu sibilei, odiando os choros dela, partindo meu coração. Eu não conseguia ouvir.
'Podia me trazer de volta o domínio que eu tinha?! O poder que eu tinha!?' Gritei no telefone, furioso por perder o poder que eu tinha sobre uma mulher patética.
'Tá feliz agora?! É isso que você queria fazer, né?!' Continuei a culpar ela pela minha própria consolação, mas não tava funcionando.
Eu só tava aumentando a nossa dor com a minha fala sem sentido.
'Me desculpa, me desculpa tanto… Eu não queria… Eu só…' Ela continuou, derretendo meu coração na hora com os choros dela, já que eu falhei em proteger a exceção que eu prometi pra ela de novo.
Inspirando, me acalmei um pouco, fechando as mãos em punho. Impotente diante dos sentimentos, fechei os olhos, abaixando a cabeça quando eu quebrei.
'O que você fez comigo, Eileen…?'
A minha voz trêmula e rouca veio, cheia da angústia que eu ganhei por andar no caminho dela.
Aos soluços dela, meu coração ficou bravo comigo só porque eu evoquei aquele som indesejado.
'Eu só queria ser especial pra você.' Ela sussurrou, colocando o desejo dela profundo nas palavras. Um pedido simples que eu podia ter realizado, mas falhei cada vez que tentei.
'Eu só queria ser importante pra você.' Sussurrando de novo, ela tentou parar aqueles choros que eu causei, tornando-a vítima da minha agonia de novo.
Mas, eu não aguentei mais e, com raiva, desliguei a ligação, jogando o celular longe, porque os soluços dela também tavam partindo meu coração.
'Porra!' Eu xinguei alto, puxando meu cabelo de angústia, perdendo o fôlego pra entender o que tava acontecendo comigo. Eu tava me tornando alguém que eu nunca imaginei.
Ela tinha me viciado de um jeito que eu nunca ia conseguir me recuperar.
E, no meio desse ciclo destrutivo de uma realização indesejada, eu não consegui dizer pra Eileen:
'Você é mais importante do que a minha própria respiração.'