50.2- Fortuito
Meu humor explodiu e eu larguei a rosa na minha mão, fazendo ela cair no chão e chamei ela mandão, 'Eileen.'
Ela parou e virou pra mim, olhando pra cima com um sorriso, 'Uau, uau, como foi a sessão de uma hora?' Ela provocou, encostando na parede, dando uma olhada pro Asad que riu da reação dela, me queimando de inveja ainda mais.
'Vem comigo.' Eu falei frio, sem me importar em olhar pro Asad e virei pra sair, mas a Eileen veio, me parando, 'Espera, você deixou cair sua rosa.' Ela chamou, vindo e pegando ela.
'Não é minha.' Eu murmurei, revirando os olhos.
'É dele. Ele tava segurando ela quando ele veio.' Asad adicionou de trás, sorrindo pra me irritar.
'Eu não pedi sua opinião.' Eu rosnei, fazendo uma cara feia, descontente com a presença dele aqui e fui pro meu quarto rápido. Só de ver ele me queima.
Me fez sentir como se ele fosse roubar tudo que eu prezo de mim.
Eu odeio ele. Eu odeio o Asad com cada pedacinho de mim.
'Sebastian?' Eileen chamou, vindo atrás de mim, ainda segurando a rosa. Ela tava perplexa com a minha reação enquanto a gente ia pro nosso quarto e no momento que a gente entrou, eu agarrei o braço dela com força.
'Eu te falei pra ficar longe do Asad, não falei?' Eu sussurrei, fervendo de raiva, descontente em achar a sombra dela em qualquer lugar perto dele.
'Quando você disse isso? Eu só tava conversando, qual o problema?' Ela perguntou, confusa com minha fúria repentina, puxando o braço dela.
'Eu não quero ele perto de você, Eileen.' Eu respirei, largando o braço dela, segurando minha testa, desabotoando meu colete e sentei na cama.
'Tá tudo bem, Sebastian? Vocês dois brigaram ou algo assim?' Ela perguntou suavemente, chegando mais perto e tava pra tocar no meu ombro mas eu parei ela.
'Não é nada. Deixa pra lá. Eu só tô te dizendo agora, tira o Asad das nossas coisas.' Eu sussurrei, jogando meus cabelos pra trás, deixando eles um pouco bagunçados, irritado de achar ele no meu lugar.
'Ok… Eu não gostava dele mesmo. A gente tava falando de você...' Ela enrolou, dando de ombros e eu não tava com vontade de ouvir o que eles falaram. Com certeza ia ser algo negativo.
Eu fechei meus olhos, cabeça baixa, humor manchado nesse ponto. Eu não tava mais afim de fazer nada, eu só queria deitar e descansar. Com uma carranca no rosto, eu senti uma pétala na minha orelha.
Abrindo meus olhos, eu vi que a Eileen tinha colocado a rosa atrás da minha orelha. Eu fiz uma expressão estranha e ela tirou uma foto. Minha carranca se aprofundou.
'Apaga isso, Eileen.' Eu sussurrei, pegando a rosa e jogando fora.
'Essa foto não vai pra lugar nenhum e para de descontar sua fúria nessa pobre rosa.' Ela riu, pegando a rosa de novo, me irritando agora e colocou ela atrás da orelha dela agora.
'Fica ótima em mim, você não acha?' Ela perguntou, se olhando no espelho, mas aí olhou pro meu reflexo com um sorriso, 'Mas, menos que em você.'
Ela tava testando minha paciência com o jeito dela, eu odiava ser provocado e ela tava me levando pro limite com essas ações. Eu não tava animado nem um pouco.
Bufando, eu me levantei e tava pra correr pro banheiro, mas ela segurou meu pulso, o que fez meu coração pular uma batida, meus passos congelaram, um arrepio repentino desceu pela minha espinha quando eu senti a pele dela.
'Ok, ok, pelo menos me fala quando é seu voo?' Ela perguntou, rindo e ouvindo esse som melodioso, fazer o que eu detesto parecia valer a pena.
Se fez ela rir com um ser cruel como eu, então ser provocado valeu a pena.
'Hoje à noite.' Eu respondi rude, ainda sem olhar pra ela, sendo teimoso. Por que eu sou tão frio?
'E quando você volta?' Ela perguntou, largando meu pulso e eu comecei a sentir falta do calor da mão dela na minha. Eu queria que ela segurasse minhas mãos.
'Eu não sei ainda.' Eu suspirei, olhando de canto, encarando as características bonitas dela realçadas pela rosa atrás da orelha dela, me perdendo no encanto dela. Como ela ficou perfeita, como se todo o encanto desse mundo foi feito pra ela. Ela merecia todos os encantos das tentações.
'Eu posso ir junto?' Ela perguntou mas eu não consegui ouvir, nada mais existia antes da presença irresistível dela, isso prendeu meu coração e as palavras escaparam dos meus lábios sozinhos.
'Você é tão linda, sabia?' Eu sussurrei, levando meus dedos pro lado do rosto dela, acariciando ele suavemente, puxando o cabelo dela pra trás da orelha, ajeitando a rosa direito.
'Não esquece de me ligar, diferente de antes.' Eileen sussurrou, ajeitando minha camisa e meu colete, olhando pra baixo, sorriso sumindo.
Se eu pudesse contar pra ela como foi difícil pra mim ligar pra ela.
'Eu liguei antes também.' Eu sussurrei, essa foi outra questão, as palavras recusaram escapar dos meus lábios.
'Então não foi acidental? Por que você não falou nada então?' Ela perguntou, decepção misturada no tom dela. Meus dedos se moveram, cobrindo as bochechas dela pra fazer ela olhar de volta nos meus olhos, afundando nela.
'Eu nunca soube que falar duas palavrinhas podia ser tão difícil até então.' Eu sussurrei sinceramente, contando pra ela porque as palavras não conseguiam escapar dos meus lábios.
'Que palavras?' Ela perguntou, perfurando de volta nas minhas órbitas com toda a paixão dela pra tranquilizar meu coração.
'Volta.' Eu não conseguia dizer pra ela essas duas palavrinhas.
Ela corou quando eu falei pra ela, olhos arregalados, boca aberta.
Ela claramente não esperava isso de mim – nem eu, mas eu percebi agora – você não tem controle sobre as emoções. Elas transbordam.
'Tudo bem, eu vou ligar agora.' Ela sussurrou, desviando o olhar timidamente, se afastando abruptamente. Ela tava tentando controlar o sorriso fraco dela, mas tava claro nos lábios dela.
'Eu vou esperar.' Eu sussurrei honestamente, curvando meus lábios em um também invisível, que ela percebeu. Eu não sei por que, mas aqueles momentos mínimos, mas doces, estavam me tentando.
Nós encaramos os olhos um do outro por um longo tempo até que ela quebrou estranhamente, percebendo que nós dois entramos em um estado de transe dos nossos próprios pensamentos e saindo disso, nós nos afastamos.
Limpei minha garganta, eu fui pro banheiro rápido, trancando, eu encostei na parede, soltando minha respiração parada, pressionando minha palma no meu coração pra sentir as batidas rápidas pedindo só uma pergunta -
Quando isso tudo aconteceu?