11- A Chamada
Dói, desses meses de noivado, conversas bonitinhas, sonhos falsos. Dói tudo isso.
******
Faz uma semana. Meu pé já sarou. Dói um pouquinho, mas tá de boa. Fico pensando o que ele disse pros meus pais, que eles não vieram mais me ver. Ligam todo dia, mas não vieram mais se encontrar.
Ou, sei lá, conheço meu Pai, um arranhãozinho e ele fica aqui até sarar, e agora… só ligações?
Olhando pro teto com uns pensamentos nada a ver, senti meu peito doer.
Se ele pudesse, ia atirar no meu pé sem pensar duas vezes. Não ia hesitar em acabar com minhas respiradas também. Se eu falhasse em dar pra ele a diversão que ele quer… ele podia me matar.
Ia me apagar como se eu nem existisse.
Virei, dei uma olhada e vi ele dormindo, uma mão embaixo da cabeça, respirando fundo. Mesmo dormindo ele parece dominante. Fiz uma cara feia. Sentei.
Morrendo de vontade de ir o mais longe que pudesse desse quarto, dessa presença insuportável. Encostei o pé no chão, mas doeu de repente, o que me fez fazer uma careta.
'Aí.' Como sou de sono leve, que acordo com qualquer coisinha, minha careta acordou ele na hora, e ele agarrou meu pulso com uma força de ferro.
'Não se mexe.' Ele bocejou, nem se dando ao trabalho de abrir os olhos, mas sem soltar meu pulso.
'Tsc.' Zombando, puxei minha mão de volta, levantando o pé, olhando pra ele com raiva, mas abrindo os olhos devagar, ele deu um sorrisinho vitorioso.
'Preciso garantir que você não vai fugir.' Deu de ombros, sentando, esfregando o ombro, o que deixou seus músculos definidos visíveis através da camisa.
Dava pra ver pelo corpo dele que não era de enfeite. Ele com certeza podia me esmagar nos braços dele. Desviei o olhar, não querendo olhar pra aquele corpo tentador, e apertei os dentes.
'Idiota, se você acha que não vou. Uma ferida não vai me impedir.' Murmurei, agarrando os lençóis com força, decidida a irritá-lo logo que o dia amanhecesse.
'Então, corre. Vou ver até onde você vai.' Ele murmurou de volta, sem se importar com minha valentia, sabendo que me tinha na mão. Ele podia me quebrar quando quisesse.
'Eu vou. Um dia, vou tão longe que você nunca mais vai me alcançar. Vou embora e nunca mais volto.' Rosnei, deixando bem claras minhas intenções, morrendo de vontade de correr o mais longe possível.
'Não existe nenhum lugar que você possa se esconder de mim.' Ele sorriu, descartando minha declaração. Pra ele, tudo aquilo não significava nada.
'Hmph.' Zombando, revirei os olhos, virando pra sair da cama de novo, dessa vez com cuidado, mas ele agarrou meu braço, franzindo a testa.
'Sabe, me irrita quando você não demonstra medo. Me mostre o que me tenta, sua coragem não vai te levar a lugar nenhum.' Ele disse – me ordenou que tivesse medo e obedecesse ele em silêncio.
'Eu te odeio. Você é nojento.' Sibilei, puxando minha mão, sabendo que minhas ações iam resultar em alguma coisa fatal.
'Não toca-' Como eu disse, antes que eu pudesse terminar a frase. Meu peito se chocou com o dele, olhando pra baixo enquanto segurava meus braços rígidos,
'Estava dizendo alguma coisa, hã?' Perguntando de um jeito tentador, o bafo quente dele ficou no meu pescoço, provocando um arrepio assustado que eu estava tentando esconder.
Gritei de dor quando ele segurou meu braço pra deixar uma marca, fechando os olhos de medo, o que o agradou, 'Ah, aí está o medo que eu queria testemunhar.'
Rindo, ele continuou, o rosto inclinado pro meu, me forçando a olhar naqueles olhos de neve prateada insuportável.
'Viu, Eileen?' Cantarolando, a outra mão dele se moveu pelo meu pescoço pra garantir que eu não me movesse. Meu coração começou a bater forte, os lábios se separando pra falar, mas minha voz ficou presa. Não querendo irritá-lo ainda mais.
'Em questão de um piscar de olhos, posso te dominar, te agarrar na palma da minha mão sem escapatória.' Ele falou da realidade dolorosa que eu tendia a ignorar, me dominando.
'Me solta.' Sussurrando, abaixei o olhar tristemente.
'Hum?' Cantarolando, ele encostou os lábios nos meus.
'Por favor…' Implorei, segurando minha camisa com força, mas ele não deu a mínima pras minhas ações.
'Não tente abalar o equilíbrio de poder, Eileen. Eu tenho a autoridade e você nunca vai competir com meu poder.' Ele avisou num sussurro severo, meu coração disparou, mãos e pés frios com esse poder avassalador.
'Se você quer que eu mostre meu poder, então farei isso com prazer.' Sussurrando, ele se moveu, me prendendo direito pra ficar por cima.
'Não...' Com angústia brilhando no meu rosto, balancei a cabeça. Ele estava segurando meu braço enquanto eu segurava a camisa dele, tentando me afastar, mas ele me puxou pra baixo pra me trancar perfeitamente sob ele.
'Ah, não se debate. Vem cá.' Sorrindo pra minha luta fracassada, ele adorava minhas tentativas inúteis de me salvar dessa fera.
'Sebastian, por favor, me desculpa.' Sussurrando, era tudo que eu podia fazer pra pará-lo.
'Eu não faço de novo. Por favor.' Não devia ter provocado ele em primeiro lugar. Ele não ia ceder nem por um segundo antes de me lembrar da minha posição.
'Você-' Ele ia rosnar, mas o telefone dele tocou.
'S-Seu telefone.' Falei com pressa, esperando desviar a atenção dele pra lá. Ele franziu a testa profundamente. Ressentido com quem o chamou pra estragar o divertimento dele.
Suspirando, ele se afastou, eu tentei me afastar, mas ele continuou me segurando.
'Você não vai a lugar nenhum.' Ele ordenou, decidido a me dar uma lição pra controlar minha língua dessa vez.
'Alô?' Pegando o telefone, ele atendeu a ligação com grosseria, me puxando pra sentar no colo dele e envolvendo a mão na minha cintura pra me segurar perto dele.
'Agora?' Sua insatisfação aumentou.
Meu coração deu um pulo de medo, pensando que ele ia descontar em mim. Ele percebeu a tensão que viajava pelo meu corpo e me olhou por um segundo.
Um sorriso diabólico chegou aos lábios dele, mordendo-os de um jeito sedutor, examinando meu corpo com a intenção de destruí-lo. Estreitando os olhos em desânimo, balancei a cabeça em negação.
Mas isso fez o sorriso dele ficar ainda maior e me apertar mais contra ele. Antes que ele pudesse continuar a ação dele, ainda bem que a ligação chamou a atenção dele.
'Hum? - É, é, tô ouvindo.' Ele falou com desdém, mas logo o sorriso dele sumiu.
'Ufa, tá bom.' Engolindo seco, parei de resistir e deixei ele me segurar com possessão, não importa o quanto fosse repugnante.
'Seja o que for.' Murmurando, ele desligou a ligação, jogou o telefone pra longe, me deixando também, indicando que o interesse dele em me atormentar também tinha ido embora.
Suspirando de alívio, me afastei o máximo que pude dele, olhando nervosa pra ele.
'Se arruma e se veste bem. Meus pais estão morrendo de vontade de conhecer a nora deles.' Ele disse friamente, saindo da cama, esticando os braços.
'Não-' Ele ia dizer com severidade, mas eu terminei a frase dele.
'Eu não vou contar p-pra n-ninguém sobre n-nós.' Eu tremi, com certeza não preferindo irritá-lo como fiz com o Papá.
'Não é isso, eu não tô nem aí. Eles sabem que monstro o filho deles é. Eles estão aqui pra te consolar. É por isso.' Ele disse com desdém. Ele não se importa nem um pouco com o que os pais dele pensam.
Será que existem pessoas assim?
'Não se deixe levar pelas palavras deles. Se eles disserem que podem te salvar de mim. Não confie neles; nada pode. Isso está gravado nos céus.'
Eu tremi quando ele disse isso. Embora eu não tenha expectativas do casal que deu à luz alguém como ele. E, além disso, o consolo deles não pode consertar meu coração.
'Eu sou claro?' Ele comandou.
'S-Sim.' Eu balancei a cabeça.
De costas pra mim, ele ordenou antes de ir se refrescar, 'Bom. Agora, levanta.'