Chapter 3
O Miraan estava sentado na área do bar com um copo de uísque nas mãos quando o Irtaza chegou.
"Saeen, já foi resolvido", ele informou, olhando para baixo.
"É por isso que eu não quero nenhum viciado sob meu comando. Mesmo que a informação não fosse muita, ela não teria vazado se não fosse pelo vício dele em gelo", disse Miraan com uma voz fria.
"Saeen! Vou garantir que isso não aconteça de novo", disse Irtaza rapidamente. Ele conhecia bem o chefe; se as coisas não fossem feitas do jeito certo, ele mesmo resolvia, e depois até os inocentes tinham de se preocupar.
"Bom! Vamos para Jamshoro de manhã", disse Miraan, levantando-se. Ele já tinha tido o suficiente por enquanto, precisava dormir.
"A senhorita Kanwal ligou várias vezes...", informou Irtaza, falando sobre uma de suas amantes, que também era modelo top.
"Não tenho tempo para isso agora!", respondeu Miraan sem se virar. Eles sabiam muito bem qual era o seu lugar; ele não entendia por que ligavam tanto. Ele nunca os atendia conforme pediam; sempre era do jeito que ele queria, quando ele queria.
Irtaza viu o chefe ir embora enquanto o telefone tocava de novo. Era a Kanwal outra vez. Ele atendeu com um suspiro. "Quando posso me encontrar com ele?" ela perguntou.
"Mam, ele não tem tempo agora, vou entrar em contato assim que ele estiver livre", disse Irtaza com paciência.
"Você é inútil!! Me passe o número pessoal dele", rosnou Kanwal.
"Sinto muito, mam", disse Irtaza e encerrou a ligação. O número pessoal do Miraan Rohero era só para a família ou amigos mais próximos, não para as amantes.
Irtaza nem se deu ao trabalho de atender o telefone de novo. Ele sabia que o Miraan queria vê-la, que ele iria imediatamente, acontecesse o que acontecesse. Era assim com todas as suas amantes.
"O poder é tudo mesmo", murmurou Irtaza para si mesmo enquanto pensava em como o chefe era e ainda assim essas modelos, atrizes faziam de tudo para agradá-lo.
Na manhã seguinte, Miraan foi para Jamshoro com Irtaza e seus guardas. Todos ficaram extasiados ao vê-lo quando ele chegou à haveli (mansão). Era feita no estilo antigo, com uma longa entrada e uma fonte no meio, mas tinha todo o conforto que alguém poderia pedir.
"Assalam u alaikum! Ammi", ele saudou a mãe, inclinando a cabeça diante dela.
"Wa alaikum assalam", respondeu ela, passando a mão pela cabeça dele. Fazia muitos dias que não se viam; era uma rotina, mas ela ainda sentia saudades.
"Deixe-me fazer o café da manhã para você", disse a mãe, levantando-se.
"Só chá, Ammi. Vou me encontrar com Dada Saeen enquanto isso", disse Miraan, endireitando seu shalwar kameez preto. Sua barba marrom bem cuidada estava ainda mais atraente hoje.
Ele entrou no quarto do avô depois de bater na porta. As pernas dele estavam paralisadas há anos, e recentemente ele também vinha tendo problemas cardíacos.
Miraan perguntou sobre a saúde dele depois de cumprimentá-lo.
"Como sempre, não estou ficando mais jovem", disse o avô, fazendo Miraan se sentar perto dele. Miraan tinha visto seu avô mudar tanto com os anos, um pouco da dureza saindo do rosto dele a cada ano que passava.
Para Miraan, ele sempre teve um lugar especial; era o único filho dos pais. Seu tio não tinha filhos.
Miraan passou um tempo com o avô, mas depois teve de ir embora, pois tinha algumas coisas para cuidar. Normalmente, seu pai e tio lidavam com assuntos políticos e a região. Ele era quem garantia que tudo estivesse sob controle.
Miraan encontrou sua tia no caminho de saída. Ela tinha sido como uma segunda mãe para ele; tendo sido o único filho da casa, ele recebeu todo o amor.
Miraan encontrou seu pai e tio no jantar.
"O problema foi resolvido em Karachi?", perguntou o pai.
"Sim", respondeu Miraan, recebendo um aceno de aprovação orgulhoso em retorno.
Ele e seu tio (Daem Rohero) conversaram na biblioteca por um tempo depois do jantar. Eles sempre foram mais próximos, quase como amigos.
"Tio, você parece preocupado, tem algum problema?", perguntou Miraan depois de um tempo, e Daem Rohero deu a ele um sorriso triste. Ele admirava e ao mesmo tempo odiava como seu sobrinho conseguia ver tudo sem nem tentar. Miraan tinha tudo o que precisava para assumir a família um dia; era o filho perfeito, o sobrinho perfeito e o chefe perfeito.
Daem só balançou a cabeça, sem energia para dizer qualquer coisa.