Chapter 43
Sinaan dirigiu para casa, sua mente estava nas palavras de Miraan. Ele sabia que Miraan estava certo, mas a questão era se ele estava pronto para fazer algo a respeito. Sinaan lembrou-se de quantas vezes havia se impedido de tocá-la sem motivo, sem esperar mais do que aquele ato.
"Não pode ser tão difícil. Só preciso realizar os desejos dela de vez em quando", murmurou para si mesmo.
Adar levantou-se rapidamente quando ele entrou no quarto; ela havia passado horas chorando e preocupada com o que ele planejava fazer. E se ele já tivesse ligado para a família dela? O rosto de Adar estava inchado de tanto chorar, e ela o olhou com lábios trêmulos.
Sinaan respirou fundo e aproximou-se da cama, onde ela havia estado sentada poucos minutos antes. Ele a abraçou, lembrando-se de que precisava consolá-la, que isso fazia parte do cuidado com uma pessoa. Mas assim que ela esteve em seus braços, todos aqueles pensamentos sumiram de sua mente.
"Eu... eu farei tudo, só não ligue para a minha família...", disse Adar com os lábios trêmulos, enquanto novas lágrimas começaram a cair de seus olhos. Sua testa estava encostada no peito de Sinaan, e ele sentiu a umidade em sua camisa em segundos.
Ele olhou para baixo, para a cabeça dela: "Não chore, Adar. Falei isso com raiva, não tinha intenção de fazer nada daquilo. Só não gostei da sua frieza, eu odeio isso", disse ele, dando um beijo no topo da cabeça dela enquanto a puxava mais para perto. Sentia falta dos sorrisos tímidos dela, do seu olhar em direção a ele, de ver a felicidade nos olhos dela antes que chegasse aos lábios.
Adar ficou em silêncio, chocada; não conseguia acreditar que ele havia percebido sua mudança de comportamento. Ela levantou a cabeça e o olhou com visão turva. Sinaan secou suas lágrimas. "Quero que nosso relacionamento dê certo, quero que sejamos felizes juntos", disse Sinaan, relutante. Estava compartilhando seus sentimentos com ela, o que não era fácil para ele.
"Por quê?", perguntou ela sem pensar que estava questionando-o diretamente.
"Porque gostei de como você era nos primeiros dias do nosso casamento", respondeu ele, tocando suavemente sua bochecha.
Um sorriso triste surgiu nos lábios de Adar. "Não sinto mais o mesmo...", disse ela, com os olhos distantes, como se estivesse lembrando daquela versão de si mesma, a garota jovem e tola que tinha sonhos, que desejava um futuro melhor.
"O que mudou?", franziu a testa Sinaan.
Adar saiu de seu transe com a voz dele e olhou para o lado. "Farei tudo o que você quiser", repetiu.
"Não quero que seja uma marionete. Quero que faça o que a deixa feliz, quero realizar seus desejos", disse Sinaan, pegando suavemente no queixo dela e fazendo-a encontrar seus olhos.
"Você não queria se incomodar com os meus desejos", disse ela, com muitas reclamações nos olhos. O olhar nos olhos dela era doloroso para ele, mas ainda era melhor do que sua frieza.
"Cometi um erro, me dê uma chance?", disse Sinaan, beijando sua testa.
Adar o olhou por longos segundos; não sabia se acreditava nele, mas acabou assentindo relutantemente.
"Obrigada", sorriu Sinaan. "Agora vá se refrescar, vou ver o que tem para o jantar", disse ele, dando uma palmada no rosto dela.
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Depois de se prepararem para dormir, Adar ainda estava um pouco preocupada; não estava pronta para mais nada ainda. Deitou-se na cama, virando-se para o lado.
Sinaan a puxou para seus braços sem dizer uma palavra, e Adar ficou rígida como uma tábua.
"Não farei nada até que esteja pronta. Só... durma nos meus braços", sussurrou Sinaan suavemente, e ela começou a relaxar lentamente. Ele sentia falta dos dias em que ela se aproximava dele voluntariamente. Sinaan adormeceu após beijar o topo da cabeça dela.
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Miraan partiu para Jamshoro cedo pela manhã, chegando antes do café da manhã.
Sua mãe ficou agradavelmente chocada ao vê-lo; ela o abraçou. Miraan foi se refrescar e depois desceu para tomar café da manhã com a família. Todos notaram seu comportamento alegre, mas não fizeram nenhum comentário.
Daem e Saem Rohero estavam prontos para partir após o café da manhã. "Preciso falar sobre algo", disse Miraan com o rosto sério.
"Voltaremos ao meio-dia, podemos conversar então, se não for urgente", olhou Saem Rohero para seu relógio.
"Tá bom, baba saeen", disse ele e foi cumprimentar Dada Saeen.
"Kab aye? (Quando chegou?)", perguntou Dada Saeen após as formalidades.
"Há uma hora", respondeu Miraan, sentando-se perto dele. Ele segurou a mão de Dada Saeen.
Dada Saeen perguntou como as coisas estavam em Karachi. Conversaram por um tempo, antes que Dada Saeen fizesse uma pergunta do nada: "Ela está voltando?".
Miraan fez uma dupla tomada: "Quem?".
"Chashman...", olhou intensamento Dada Saeen para ele.
"Por que perguntaria isso?", disse Miraan, esfregando o pescoço.
"Você está irradiando energia feliz. E vi a pessoa cuja presença pode afetá-lo assim. Acho que meus olhos velhos não perceberam você roubando olhares dela, ou o quão triste estava quando a levou para Lahore", disse Dada Saeen, dando uma palmada na mão dele.
"Quero me casar com ela", confessou Miraan, olhando para as mãos deles.
"Ela concordou?", perguntou Dada Saeen, sabendo o quanto isso era importante.
"Sim, ontem à noite...", disse Miraan, mal conseguindo controlar seu sorriso. Dada Saeen orou pela vida feliz de Miraan e Chashman naquele momento; estava verdadeiramente feliz com o que havia acontecido. Sua neta finalmente viria morar ali, mesmo que fosse como esposa de Miraan.
"Os outros sabem?", perguntou Dada Saeen.
"Não", informou Miraan.
"Tudo bem, diga a todos para virem aqui quando seu pai e tio chegarem", disse Dada Saeen.