Chapter 32
O Chashman entrou sem esperar por ele e, assim que passou pela porta, viu a empregada vindo pelo corredor, quase correndo. Algo do outro lado chamou sua atenção. Ela foi até lá e a empregada a olhou com os olhos arregalados. "Assalam Alaikum, mam", disse ela, mas Chashman ficou paralisada no lugar, incapaz de acreditar no que estava vendo, quanto mais responder à saudação.
Nesse momento, Miraan apareceu e, com um gesto de mão, mandou a empregada embora.
"O que eu fiz tão errado para merecer esse tratamento?", perguntou Miraan, com os dentes rangendo. Eles não haviam confirmado nenhum relacionamento, mas o que estava começando entre eles o deixava em um nó. O comportamento dela o afetava como nada mais.
"Você me pergunta isso?! Você é louco, insolente!", ela quase sussurrou. A expressão de choque tomou conta do rosto dele, mas Chashman se virou para ele: "Você vê isso?! ", apontando para o bar, "meninas e Deus sabe o que mais!!! Não quero nada a ver com um homem assim! Nem quero ver sua cara!"
Miraan olhou nos olhos vermelhos dela, percebendo que ela havia perdido o controle. "Eu não bebi nem estive com nenhuma garota desde que você chegou. E não tenho planos de fazer isso", disse Miraan em silêncio, sem acreditar que estava se explicando.
"Mas você fazia!", exclamou Chashman, com lágrimas nos olhos. Ela não sabia por que tudo isso importava tanto para ela. Era a vida dele, ele podia fazer o que quisesse.
"Você vai ficar me julgando por isso? Esse é meu estilo de vida, é o que estou acostumado", disse Miraan em voz baixa, aproximando-se dela e levantando seu queixo para que seus olhos se encontrassem com os dele. Ela viu muitas emoções nos olhos dele, algumas legíveis, outras não.
"Nunca mais farei isso, só pare de agir assim", sussurrou Miraan, mostrando sua vulnerabilidade, deixando-a ver o interior dele. Ele não sabia o motivo, mas sabia que qualquer coisa seria mais tolerável do que o frio dela.
"Promete?", perguntou Chashman, com uma lágrima escorrendo. Ela sentia as emoções, a vulnerabilidade nos olhos dele, e não se sentia tão forte naquele momento.
"Prometo!", disse Miraan, secando suas bochechas. Chashman se aproximou e colocou a cabeça no peito dele, querendo se acalmar. Levou alguns minutos para conseguir.
Ela levantou a cabeça e olhou novamente para o bar, com uma expressão dolorida. "Vou mandar tirar tudo daqui", disse Miraan rapidamente, e Chashman assentiu enquanto dava um passo para trás.
"Mas isso não vai sumir da minha vida, álcool é servido em todas as festas, até nas que eu organizo, é uma mercadoria", ele explicou, sem querer esconder nada dela.
"Mas você disse que não iria...", começou Chashman. "Não vou fazer tudo isso, e é uma promessa", confirmou Miraan. Ele viu um pequeno sorriso nos lábios dela. "Espero que agora eu não seja mais submetido ao seu frio", disse Miraan, e Chashman balançou a cabeça sorrindo.
"Agora vá se arrumar, vou verificar o jantar", ordenou Miraan. Assim que ela subiu as escadas, Miraan saiu e viu Irtaza esperando por ele.
"Irtaza, a que horas precisamos sair?", perguntou ele.
"Em uma hora, Saeen", respondeu Irtaza, olhando para o relógio. Ele tinha uma reunião com um traficante de armas, uma das coisas que Miraan se interessava muito.
"Ok, manda alguém limpar a área do bar, não quero ver nem um único copo lá pela manhã", ordenou Miraan, sabendo que seria obedecido. Ele foi para a cozinha e viu que a arrumadeira já havia terminado de preparar o jantar.
"Sirva, estaremos aí em alguns minutos", disse Miraan, enquanto ia para seu quarto se trocar.
Chashman estava se sentindo muito mais leve, mesmo que não pudesse confessar a si mesma, toda essa briga entre eles a entristecia por dentro. O jantar foi com um clima muito mais leve, e Miraan contou a ela o plano para o dia seguinte.
"Você não tem nada para fazer até o almoço?", perguntou ela, franzindo a testa.
"Não, estou livre até lá. Vou te mostrar a cidade enquanto isso", disse ele, fixando seus olhos escuros nela. Ele a admirava naquele momento, sentada olhando diretamente nos olhos dele. Os melhores homens começavam a gaguejar após um minuto na presença dela, e ela estava ali, com toda a sua coragem. Ela não era como nenhuma outra mulher que ele já havia conhecido. Ela não se curvava para agradá-lo, mantinha sua posição diante dele. E isso o encantava ainda mais.
No dia seguinte, Sinaan a acordou novamente. "Não sei o que você faz quando eu não estou", murmurou ele, afastando-se depois de acordá-la. Adar ficou ali por alguns segundos, sentindo uma queda dentro dela. Ela queria agradá-lo, ser elogiada, amada por ele. Mas algo sempre dava errado.
Adar se levantou rapidamente da cama quando ouviu o som dele colocando a escova de volta na mesa. Ela tomou um banho e saiu vestindo um vestido simples mostarda. A manhã transcorreu normalmente, Sinaan não estava diferente, saiu de casa depois de comer, sabendo que precisava encontrar algumas pessoas.