02 - O começo
Foi só umas semanas atrás que a vida da Chloé mudou drasticamente. Tudo começou na noite da festa de maioridade dela na fazenda deles, a Eastwood Estate. Desde então, a vida dela virou uma bagunça de intrigas. Ela tava alheia ao fato de que fantasmas sinistros no fundo tavam mudando seus planos pra segunda marcha, tipo, em silêncio.
A noite do aniversário dela é uma sexta-feira linda. O céu tá limpo, quase sem vento. A família dela e os melhores amigos tão lá. A Chloé, linda e magra, sorri, meio sem graça, parada na frente da mesa redonda enquanto todo mundo canta "parabéns". Ela tá toda arrumada de preto, com uma blusa colada e calças jeans que marcam as curvas dela; a cintura fina e sexy contra os peitos fartos e a bunda redonda e atraente. O cabelo dela cai de um jeito feminino nos ombros. O rosto dela, com os olhos azuis marcantes, brilha como sempre, cheio de vida. Ela tá firme nas botas de fazenda, confiante; a típica garota de fazenda bonita, talvez mais bonita que a média. Ela nem liga pra beleza dela de Miss Mundo e tá pronta pra encarar qualquer competição de homem na fazenda.
Dois grandões tão do lado dela. Do lado direito, tá o Leo, jovem e gato, barbeado e com cabelo curto e arrumado. Ele podia fácil passar como um jogador de rúgbi. Ele encosta de leve no ombro direito dela e sorri pra ela assim que a cantoria e os aplausos acabam.
"Parabéns, Chloé, agora você é uma mulher independente. Posso pedir um beijinho de parabéns, por favor?"
Ela vira a bochecha pra ele dar um selinho. Em vez disso, ele agarra ela nos braços de repente e beija ela sem vergonha, puxando o corpo dela com paixão pra perto dele, na frente de todo mundo. Surpresa, ela empurra ele. "Não, Leo. Dá o dedinho e você já quer a mão toda. Irmã, seu porco atrevido!"
Todo mundo cai na risada. O Tony, do lado esquerdo dela, o cara de cabelo grisalho e já de idade, puxa de leve a mão esquerda dela. Ela vira com um sorriso e olha pra ele. Ele sorri com todas as rugas que enrugam o rosto todo e olha pra ela com olhos grandes e doces. "Parabéns, minha filha mais nova e linda, pelos seus 21 anos. Vem mostrar pra gente como você consegue apagar todas as velas de uma vez só." Ele se abaixa e beija a testa dela de leve, como se ela ainda fosse adolescente.
Ela sorri e olha pra ele, admirada. "Valeu, pai. Tem tanta coisa pra falar. Não tenho palavras. Você é o melhor pai do mundo inteiro."
Ela vira e observa o bolo de aniversário, decorado com uma chave grande e vinte e uma velinhas. A chave simboliza a maioridade dela. Ela respira fundo e, com um sopro forte, apaga todas as velas. Aí ela pula que nem uma criança levada e faz uns gestos bobos com os braços. "Uhu, agora eu finalmente mando em mim mesma. Não sou mais a menina dos olhos do meu pai, que ele quer proteger e cuidar a cada minuto e a cada passo que eu dou! Uhu...!"
Todo mundo explode de rir com as palhaçadas dela e grita umas coisas de apoio. Super feliz, ela começa a falar com todo mundo, olhando cada um nos olhos quando fala com ele ou com ela. "Obrigada, gente linda. Tô tão feliz que vocês tão todos aqui na fazenda esse fim de semana. Zoey, minha irmã, o marido dela, Quinn, e Lyle, o filho de vocês, que se aventurou pela passagem perigosa da montanha pra chegar aqui, fico tão feliz que vocês tão seguros aqui com a gente. A gente quase não se vê. Vocês são raros que nem dente de galinha. Lyle, sempre um prazer ter você na fazenda um tempinho antes de você ter que voltar pro internato da escola do outro lado da montanha. Ronnie e Hayley, minhas parceiras e melhores amigas dos tempos de escola, passamos por tanta coisa, mas sobrevivemos com nossa loja de móveis e oficina. Obrigada por estarem aqui."
Ela ouve o Leo pigarreando. Ela empurra ele de brincadeira e xinga ele: "É, Leo. Não esqueci de você. De qualquer jeito, você tá sempre rodando em volta de mim que nem mosca varejeira."
Todo mundo tá rachando de rir. O Tony então garante que todo mundo se sirva e se sente ao redor da mesa. Depois de um jantar gostoso, todo mundo pula na piscina aquecida e se diverte na água. A casa da fazenda é construída como um grande *rondavel*. No meio, ela envolve uma área redonda grande onde a Clea, a mãe da Chloé, que já se foi, fez um jardim único. O jardim esconde as paredes internas da casa, em volta da piscina no centro. A sala de jantar dá pra piscina e pode ser acessada por portas de vidro deslizantes que agora estão bem abertas.
Depois de um tempo, a Chloé sai da piscina e, de biquíni, vai pra varanda na frente do prédio. A brisa fresca acaricia ela suavemente enquanto ela admira o céu estrelado. Ela sempre se sente tão pequena sob a infinidade de estrelas; tão linda sem a poluição de luz da cidade.
O jardim lembra ela de novo da mãe dela, que morreu dormindo um ano atrás. O jardim era a paixão da Clea. Ela importava sementes de espécies raras e plantas nativas e estrangeiras, exóticas, que ainda enfeitam o jardim com suas cores de tirar o fôlego. Ela sente muita falta da mãe dela agora! Ela tá sozinha na fazenda com os três homens gigantes e não ajuda muito ela ser magra. Eles tratam ela como uma menininha que precisa ser protegida a cada minuto.
Ultimamente, ela percebe que o Ronnie e o Leo tão olhando pra ela de um jeito estranho. Ela tá sentindo que, pra eles, a amizade não é suficiente. Os homens bobos! O Leo geralmente tenta isolar ela, enquanto o Ronnie fica olhando, perdido num mundo de sonhos. Eles são como irmãos pra ela, em vez de amigos. O Ronnie, que perdeu o pai quando era adolescente e a mãe por causa do câncer e depois o irmão na cadeia, cresceu com ela e é como um meio-irmão pra ela. Por outro lado, ela e o Leo se deram bem e passam muitas horas juntos no tempo livre. Ele virou um irmão pra ela rapidinho. Apesar de os dois serem bonitos e fortes, ela vê eles como irmãos e não como namorados em potencial.
Tudo começou a mudar quando a Clea morreu. Daí em diante, foi como se eles estivessem competindo pela atenção dela, como se tivessem ciúmes um do outro. Hoje em dia, ela se sente desconfortável na presença deles e se sente sozinha no meio deles. Uma lágrima escorre pela bochecha dela.
Ela sente mãos quentes nos ombros e ouve a voz do Leo: "Chloé, no que você tá pensando? Tá com saudade? É da Clea?"
A Chloé vira devagar, olha pra cima e se pergunta como ele consegue ler os pensamentos dela tão bem. "Ela ia adorar estar aqui. Tô com essa sensação de vazio aqui, onde fica o coração, que nada consegue preencher."
O Leo coloca a mão dele, cheia de compaixão, no coração dela e com a mão esquerda pega no queixo dela e levanta a cabeça dela pra que ela tenha que olhar direto nos olhos verdes dele. Com carinho e amor, ele enxuga a lágrima da bochecha dela.
"Chloé, faz tempo que tô tentando te pegar sozinha porque preciso te contar uma coisa muito importante. Agora é a hora certa. Você tem vinte e um anos, uma mulher independente. A gente se divertiu tanto junto, andando a cavalo, nadando na represa, correndo com carros e motos e tudo mais. Pra mim, é maravilhoso estar com você. Você é tão cheia de vida e competitiva. Seu sorriso, sua risada, o jeito que você fala com o corpo todo e aqueles olhos lindos! Não consigo dormir à noite, porque você ocupa toda a minha existência. Você é a força motriz por trás do meu sucesso como gerente da fazenda na sua fazenda. Não consigo imaginar viver sem você e nenhuma garota vai ser boa o suficiente pra ocupar o seu lugar no meu coração. Eu te amo tanto que dói."
A Chloé fica chocada. Ela sente que esse cara tem uns planos estranhos pro futuro dela e tudo que ela consegue pensar hoje é na liberdade e independência dela. Agora ele joga isso do nada e ela tem que encarar.
Ela tá presa!