Capítulo Dezesseis - Algo Mais - POV de Maya
Eu respiro fundo, levanto e ajeito a camisa. Se o/a **Damian Blackwood** acha que vou ficar no escuro, ele/ela está errado/a. Eu não sei o que estou procurando, mas a sensação de que descobrir a verdade é a única maneira de recuperar o controle me corrói.
Eu saio do refeitório e desço pelo corredor, refazendo meus passos. A luz do sol filtrando pelas janelas altas não ajuda muito a diminuir o desconforto que me invade. A mansão parece quieta demais, como se estivesse prendendo a respiração, esperando algo acontecer.
Quando chego à esquina onde ouvi o primeiro gemido, diminuo o ritmo. Meu pulso acelera quando me aproximo da porta que abri antes.
Ela está fechada agora, como o/a **Damian Blackwood** deve ter deixado. Eu encosto a orelha na porta, prendendo a respiração, ouvindo qualquer som.
Nada.
Minha mão paira sobre a maçaneta, tremendo um pouco. Uma parte de mim sabe que essa é uma má ideia. Se o/a **Damian Blackwood** me pegar, quem sabe como ele/ela vai reagir? Mas a necessidade de respostas supera meu medo.
Eu giro a maçaneta lentamente, o rangido fraco da fechadura fazendo meu coração pular. O quarto está vazio. As cortinas ainda estão fechadas, e a luz fraca dificulta a visão dos detalhes, mas o lobo se foi. O ar está mais pesado aqui, carregando o leve cheiro metálico de sangue. Meu olhar corre para o canto onde o lobo estava, e percebo uma mancha escura no tapete.
Eu entro com cautela, meus olhos vasculhando o quarto em busca de pistas. Os móveis são escassos. É apenas um sofá baixo, uma mesa desgastada e uma única cadeira. Na mesa, um pano dobrado manchado de vermelho confirma o que eu já suspeito. O lobo estava ferido.
O que o/a **Damian Blackwood** está escondendo?
Um som fraco atrás de mim me faz girar, meu coração pulando na garganta. A porta ainda está entreaberta, mas o corredor além está vazio. Eu exalo trêmula, mas a sensação de estar sendo observada não desaparece.
Eu volto para a mesa, meus dedos roçando o pano manchado. Minha mente corre com perguntas. Quem ou o que era o lobo?
Eu ainda não tenho as respostas, mas vou encontrá-las.
Eu saio do quarto e fecho a porta suavemente atrás de mim, minha mente correndo com perguntas que eu nem consigo começar a responder. Meu pulso pulsa em meus ouvidos, mas me forço a manter a calma. A última coisa que preciso é esbarrar no/na **Damian Blackwood**, ou em qualquer outra pessoa, e deixá-los ver o quão abalada eu estou.
Mas não consigo parar de pensar naquele lobo. A maneira como ele me olhou, a inteligência em seus olhos e o sangue em sua pelagem. E agora, o quarto vazio com seu leve cheiro metálico e o pano manchado deixado para trás. Tudo aponta para algo que eu não deveria saber.
Meus passos ecoam pelo corredor enquanto caminho em direção à grande escadaria. A mansão parece ainda maior sob a luz do dia, a marcenaria intrincada e os corredores extensos dando-lhe um ar de poder silencioso.
Mas é o tipo de poder que sussurra segredos e mentiras.
Eu paro perto da escada, agarrando o corrimão polido enquanto olho ao redor. A casa está silenciosa, mas não está vazia. Sinto o peso de olhos invisíveis e o zumbido silencioso de algo fora de alcance, me encarando.
"Mantenha a calma", eu murmuro baixinho, me forçando a me mover.
Eu desço as escadas rapidamente, o som dos meus passos quebrando o silêncio. Ao chegar ao fundo, vejo a/o **Evelyn** saindo do refeitório, carregando uma bandeja com os restos do meu café da manhã intocado.
Ela me vê e levanta uma sobrancelha. "Você não comeu muito", ela diz, seu tom leve, mas incisivo.
"Eu não estava com muita fome", respondo, tentando manter a voz firme.
A/o **Evelyn** não parece convencida, mas não insiste no assunto. Em vez disso, ela aponta para o corredor que leva para a parte de trás da casa. "Se você está procurando algo para fazer, a biblioteca é logo ali. Pode ajudar a tirar a mente das coisas."
Eu forço um sorriso. "Obrigada. Posso dar uma olhada."
Enquanto ela desaparece na cozinha, eu hesito, olhando para o corredor que ela indicou. A biblioteca parece tentadora, como uma fuga para algo normal, mas não consigo afastar a vontade de continuar cavando.
E provavelmente vou me meter em problemas por fazer isso.
O/A **Damian Blackwood** deixou claro que há coisas que ele/ela não quer que eu saiba. E agora que tropecei em uma delas, é impossível deixar para lá.
Eu me afasto da biblioteca e vou em direção à ala leste, na mesma direção de onde o/a **Damian Blackwood** veio quando me encontrou perto da porta do lobo. Meu instinto diz que, seja o que for que ele/ela esteja escondendo, as respostas estão em algum lugar naquela parte da casa.
O corredor fica mais escuro à medida que caminho, e os candeeiros na parede ficam mais distantes. O ar parece mais pesado aqui.
Passo por uma série de portas fechadas, cada uma idêntica à última. Eu estico a mão para tocar em uma das maçanetas, mas me interrompo, a memória da voz aguda do/da **Damian Blackwood** cortando meus pensamentos.
"Não é lugar para você."
O aviso ecoa em meus ouvidos, mas só alimenta minha curiosidade. O que não é para mim? O que ele/ela acha que eu não consigo lidar?
Chego ao fim do corredor e me encontro em frente a uma porta dupla que parece diferente das outras. A madeira é mais escura, as esculturas ao longo da moldura mais intrincadas, e o ar ao redor parece mais frio.
Minha mão paira sobre a maçaneta, hesitação em guerra com determinação. Se o/a **Damian Blackwood** me pegar, haverá um preço a pagar. Mas a atração é inegável.
Respirando fundo, empurro a porta.
O quarto além é vasto e pouco iluminado, com prateleiras altas alinhadas nas paredes, cheias de objetos que parecem tão antigos quanto a própria mansão. Livros, relíquias e artefatos estranhos entulham o espaço, o ar espesso com poeira e outra coisa.
No centro da sala, há uma mesa grande, sua superfície coberta por livros abertos, mapas e símbolos que parecem estranhamente familiares.
Eu me aproximo, meu coração batendo forte enquanto examino a mesa. Um dos livros chama minha atenção, sua capa de couro desgastada ostentando um símbolo que não reconheço, mas me sinto atraída. Eu estico a mão, meus dedos roçando as páginas.
Antes que eu possa abri-lo, um rosnado baixo ressoa das sombras.
Eu congelo, minha mão pairando sobre o livro enquanto meus olhos se voltam para o som.
Da escuridão no fundo da sala, algo se move. É um clarão de pêlo escuro, o brilho de olhos âmbar brilhantes.
O lobo.
Ele está aqui.
Minha respiração falha quando o lobo entra na luz fraca, seus movimentos lentos e deliberados. Seu olhar se fixa no meu, e por um momento, o ar entre nós parece carregado.
Ele não ataca nem rosna novamente. Ele só me observa.
E enquanto eu o encaro, um pensamento estranho se infiltra em minha mente. Ele me conhece.
Eu não entendo como ou porquê, mas naquele momento, eu sinto isso tão claramente quanto o medo correndo por mim. Este lobo não é apenas um animal. É algo mais. Algo conectado a mim de uma forma que não consigo explicar.