Capítulo Dezenove - Traído - POV de Damian
Quando eu me mexo, já dá pra saber que vou ter uns problemas.
**Evelyn** entra no quarto, bloqueando meu caminho. 'E quanto a ela?'
Eu congelo, a pergunta dela me pegando de surpresa. Meus olhos encontram os dela, e eu vejo a compreensão ali, mas também a frustração. Ela sabe do que eu tô fugindo.
'Como assim?' pergunto, mas a resposta já tá na cara.
'Você não tá protegendo ela, **Damian**,' ela diz baixinho. 'Você tá mantendo ela no escuro, tratando ela como se fizesse parte dessa bagunça que você tá tentando controlar. Você não pode proteger ela da verdade pra sempre. Ela merece saber mais. Ela já tá envolvida, quer você queira ou não. Então vai contar pra ela antes que outra pessoa conte. Você sabe que todo mundo tá tenso e tá só piorando.'
Eu dou um passo pra trás, uma respiração forte escapando enquanto o peso das palavras dela me esmaga. Ela tá certa. Eu tenho feito exatamente o que prometi que não faria — mantendo ela no escuro, tomando decisões por ela sem considerar o que ela pensa ou sente.
Eu sei disso, mas odeio admitir.
Mas contar pra ela agora, com tudo desmoronando ao meu redor, parece impossível. A profecia. A maldição. A linhagem. Ela não tá pronta pra nada disso. Ela nunca vai entender porque eu me mantenho distante, porque eu mantenho ela longe de tudo.
Mas **Evelyn** tá certa em uma coisa. Alguém vai contar pra ela se eu não contar. Eles tão doidos pra fazer isso.
'Eu não posso perdê-la, **Evelyn**,' eu digo, minha voz mais baixa agora, uma mistura de raiva e impotência que eu não tô acostumado a sentir. 'Eu não posso deixar ela se meter no meio disso.'
Os olhos de **Evelyn** suavizam, mas a expressão dela não muda. 'Escuta, se ela resistir ao laço entre vocês, então tudo tá perdido. Mas ela não vai te escolher ou te aceitar se você não começar a ir atrás dela direito. Vai contar pra ela antes que isso piore mais do que já tá.'
Eu quero discutir. Eu quero afastá-la, lidar com a bagunça, focar na invasão e nos inimigos se aproximando. Mas a verdade das palavras dela bate mais forte do que qualquer batalha que eu já enfrentei.
Eu não posso proteger ela de tudo. Eu não posso controlar o destino dela. E se eu não começar a confiar nela, a distância que eu coloquei entre nós vai nos separar antes que qualquer outra coisa possa fazer isso.
Eu me viro, passando por **Evelyn** em direção à porta. 'Eu preciso lidar com isso primeiro. Depois eu converso com ela. Mas eu preciso que você segure as pontas até eu voltar.'
Ela não se mexe, seus olhos me seguindo enquanto eu chego na porta. 'Não demore muito, **Damian**. Você não tem muito tempo.'
Eu paro na porta, o peso das palavras dela afundando. Eu não tenho tempo. Eu nunca tenho tempo. E cada segundo que eu passo fugindo da verdade é um segundo que pode nos custar tudo.
Eu não me dou ao trabalho de responder ela quando saio do escritório. Minhas botas batem no chão com um barulho forte. O ar no corredor parece mais frio do que no escritório, o que provavelmente é um truque. Eu tô respirando rápido e meus nervos estão à flor da pele.
Minha mente corre enquanto eu me movo pelos corredores. Cada segundo conta. Cada sombra no corredor, cada rangido das tábuas do chão embaixo de mim, parece um relógio marcando. Eu não tenho ideia de quem tá por trás dessa invasão, mas eles já chegaram muito perto. E a pior parte — eles entraram no cofre com o conteúdo que eu guardei lá dentro.
Essa é a última coisa que eu posso me dar ao luxo de deixar cair nas mãos erradas.
Eu viro bruscamente na próxima esquina, indo em direção aos fundos da casa, meus sentidos em alerta máximo. Eu não sei se é paranoia ou o fato de tudo ter estado quieto demais. Eu não consigo me livrar da sensação de que alguém ou alguma coisa tá me observando.
Em vez de ficar pensando nisso, eu afasto o pensamento e continuo andando.
Quando eu chego perto da porta principal do escritório, meu pulso acelera. Eu já sinto o peso da bagunça na minha mente. Tantas coisas não resolvidas, tantas mentiras não ditas. A pior parte? **Maya** tá no meio de tudo isso. E ela nem sabe em que ela tá prestes a se meter.
Se eu tiver sorte, talvez eu consiga mantê-la fora disso por mais algumas semanas, no máximo.
Eu abro a porta, quase sem parar pra ver a destruição. Parece que meu mundo inteiro virou de cabeça pra baixo em questão de horas porque alguém entrou nesse quarto também. É o único outro lugar que eu guardo documentos pessoais, além do meu escritório.
Este é mais para a alcateia.
Eu atravesso o espaço até uma mesa, meu olhar percorrendo o quarto. Papéis estão por toda parte, espalhados pelo chão.
Eu não posso continuar fazendo isso. O pensamento ecoa na minha mente, me corroendo.
Eu pego os papéis caídos um por um. O peso do que está acontecendo me esmaga mais a cada pedaço que eu toco. Quem estava aqui sabia exatamente o que estava procurando — e isso é aterrorizante. Eles miraram em dois quartos que guardam tudo que temos a esconder.
Eu enfio os papéis de volta na gaveta, batendo a porta com mais força do que o necessário. Minha respiração vem em rajadas rasas, a pressão no meu peito aumentando. Isso é mais do que apenas a invasão. É tudo que eu tenho tentado esconder dela. Tudo que eu achava que podia controlar.
Os uivos lá fora estão distantes, mas eu consigo sentir a alcateia se agitando, sentindo a mudança no ar. Algo está vindo. Eu não sei o que, mas eu consigo sentir.
A porta abre atrás de mim, e **Simon** entra. Seus olhos estão afiados, percorrendo o quarto antes de fixarem em mim.
'Você achou alguma coisa?' ele pergunta, sua voz baixa, mas urgente. 'Meu Deus. Pegaram a biblioteca da alcateia também?'
Eu não respondo de imediato. Eu não consigo. Minha mente está em outro lugar. O rosto de **Maya** continua aparecendo na minha frente. Ela não merece estar envolvida em tudo isso. Mas eu já estou muito fundo.
'Não tem mais ninguém na casa,' **Simon** continua, seu olhar firme. 'Mas quem estava aqui sabia o que estava fazendo. Os guardas estão em alerta máximo, e a alcateia está mantendo a posição. Mas...' Ele para, me observando de perto.
Eu me viro para encará-lo, minha mandíbula travando. 'Não é só sobre a invasão. Alguém de dentro tem passado informações pra eles. Isso não é aleatório. Se fosse, tudo estaria revirado. Isso se limitou a dois quartos. Alguém sabe.'
A testa de **Simon** se franze. 'Você acha que alguém da alcateia nos traiu?'