Capítulo Oitenta e Dois - Desmoronando - Ponto de Vista de Damian Blackwood
Eu viro pra encarar ela, meu coração batendo um pouco mais rápido do que antes. Lágrimas ameaçam cair, brilhando nas bordas dos olhos dela. Ela ainda tá lutando contra elas, como se deixá-las cair a traísse.
"Com medo do quê?" Eu pergunto baixinho, chegando mais perto, mas sem chegar muito perto pra invadir o espaço dela.
"De tudo", ela murmura, a voz rachando. "De você, de mim, desse mundo que eu tô aprendendo. Eu sinto que tô me afogando, e ninguém pode me tirar disso."
As palavras dela me atingem como um soco no estômago. Claro, eu posso tirar ela. Tudo o que ela tem que fazer é querer, mas eu fico de boca fechada.
Eu alcanço ela então, pegando o rosto dela com carinho. "Você não tá sozinha nisso. Nós vamos fazer isso juntos, se você deixar."
Por um breve momento, eu sinto ela se inclinar no meu toque e a tensão no corpo dela alivia o suficiente pra me lembrar que ela não construiu uma parede completa entre a gente. Mas tão rápido quanto veio, foi embora, e ela dá um passo pra trás, balançando a cabeça.
"Eu não sei se consigo acreditar nisso. Olha como são as alcateias. Claro, eu só conheci os dois bandidos e agora o seu Pai, mas eles nem conseguem decidir o que a profecia realmente significa. E se vocês todos estiverem errados?"
Eu respiro fundo, me controlando. "Confia em mim quando eu digo que eu não tô errado. O significado que eu tenho é o dos lobos originais, depois que a maldição foi lançada. Vai precisar de você e de mim pra quebrar isso."
"Seu Irmão mais novo tem o mesmo requisito? Pode ser ele quem precisa de uma alma gêmea como a destinada pelo destino? E se precisarem dos dois?" Ela pergunta, as lágrimas agora escorrendo pelo rosto dela. "Como você pode ter tanta certeza de que você tá certo ou que eles estavam?"
Eu sinto o tremor na voz dela. É como uma rachadura na represa que ela tava segurando e agora não tem como parar a enchente.
As emoções dela transbordam, cruas e sem filtro. Ela tá aterrorizada com tudo isso. A profecia, o desconhecido, tudo o que foi jogado nela. E eu não posso dizer que eu culpo ela.
Eu também tenho vontade de desabar. Quando eu dou um passo mais perto, eu vejo ela se encolher, então eu paro e não forço ela. Eu não tento forçar nada. Ela tá ali parada, desmoronando sob o peso de tudo e tudo o que eu posso fazer é estar lá por ela. Deixar ela sentir o que ela precisa sentir.
De repente, ela levanta a mão, enxugando o rosto das lágrimas, mas mais continuam vindo.
"Eu não posso falar pelo meu Irmão mais novo, Maya. Sinceramente, eu não sei qual é o papel dele nisso, ou qual vai ser o caminho dele. Mas eu sei o meu, e eu sou quem tem que quebrar a maldição", eu digo, chegando mais perto, mantendo a voz baixa e firme. "Eu sei o que a profecia disse e o que Os anciãos da alcateia querem. E eu sei que eu tô ligado a você. Você e eu, juntos, fomos feitos pra quebrar isso."
Infelizmente, não, eu não sei qual é o papel do meu Irmão mais novo ou se ele também tem que achar uma alma gêmea. Eu só sei que quando eu era jovem, um dos anciãos que tava vivo há uns cem anos me puxou pra um canto e disse que tinha que ser eu. Nenhum dos lobos de hoje tava vivo quando a maldição original foi lançada, então a gente não pode perguntar ou saber com certeza. Mas ele parecia tão certo.
Os olhos dela me procuram. Eu consigo ver a tempestade neles, junto com a dúvida e a confusão.
"Eu não quero que suas vidas acabem, mas eu tô morrendo de medo que a minha também acabe. Meu Deus, eu nunca sonhei que essa seria a minha vida. Eu sou filha de um Homem rico com um Irmão mais novo que ia assumir a empresa. Meu destino era casar com alguém rico que meu Pai visse como benéfico pra família."
Ela balança a cabeça e cobre o rosto com as mãos.
Eu só fico ali parado, com a boca aberta de choque. "Tecnicamente, você casou com alguém rico, e ele pagou bem ao seu Pai."
As palavras saem rápido demais, minha tentativa de humor não funcionando no espaço cheio de tensão entre a gente.
"Eu quero saber porque você é rico e mora em uma propriedade dessas quando você foi expulso?"
Eu pisco. Não era pra onde eu achei que ela ia com isso. "Você realmente quer saber ou foi retórica?"
"Damian Blackwood", ela diz com um bufo quando ela se vira pra me olhar, as mãos caindo pros lados. "Me conta."
Eu exalo, passando a mão no cabelo, de repente me sentindo exposto. É uma conversa pra qual eu não tava pronto, mas ela merece saber. Então, eu abaixo os ombros, cedendo. "Então, eu posso ter roubado algumas contas na minha saída e me certifiquei de que a alcateia que eu peguei fosse cuidada. Foi assim que eu consegui o dinheiro", eu digo, soltando uma risada curta, tentando aliviar o clima. "A alcateia sabe como conseguir renda pra gente sobreviver, então a gente investe e faz outras coisas. Não é como se a gente não trabalhasse."
Eu vejo os olhos dela piscarem com descrença enquanto ela processa minha confissão. "Eu nunca te vi trabalhar", ela diz, a voz parada enquanto ela me olha de cima a baixo, o olhar dela indo pra mansão enorme que se ergue atrás da gente. A expressão dela vacila, uma ponta de algo entre confusão e diversão piscando nos olhos dela. "Eu não sei se eu quero saber o resto."
Eu levanto uma sobrancelha pra ela. "Bem, você tem que saber, né?"
Ela bufa, uma risada trêmula escapando dos lábios dela. "Eu não sei se eu vou olhar pra você da mesma forma. Tem tantos segredos e eles continuam saindo aos poucos. Bem quando eu acho que eu sei tudo, eu descubro que eu não sei."
Eu vejo ela encarar a mansão, a expressão dela ficando mais conflitante. "Isso é demais."
Eu chego mais perto, dessa vez, minha mão instintivamente alcançando a dela. A mão dela desliza na minha facilmente. "Eu sei que é muita coisa. Mas essa vida não é sobre dinheiro. É sobre a alcateia e o que é certo. A gente construiu algo juntos, e eu fiz o que eu tinha que fazer pra ter certeza de que a gente ia sobreviver. Eu garanti que a gente ia ficar seguro."