Capítulo Vinte e Cinco - Caindo - Ponto de Vista de Maya
Damian Blackwood exala alto, seu olhar escurecendo. 'É real, acredites ou não. E agora fazes parte deste mundo.'
'Parte de quê?' Eu pergunto, com medo de ser comida a qualquer momento. 'O que isso sequer significa?'
Ele ri baixinho na garganta. 'Significa que a tua vida nunca mais será a mesma agora que sabes sobre nós.'
Eu finalmente largo a cama e relaxo. 'Então tu compraste-me do meu Pai para me trazer para aqui e me manter presa no teu mundo sobrenatural por diversão?'
Algo escuro pisca no seu olhar. 'Estás aqui para que eu te possa manter segura.'
Isso faz-me rir. 'Segura? Achas que estou segura numa casa com um lobo?'
Ele aperta a mandíbula, os seus olhos piscando com algo que não consigo ler. Observo-o quando ele chega ao fim da cama e apenas fica ali. Tudo é visível para mim, exceto da metade da coxa para baixo, que está escondida pela cabeceira da cama.
'Olha, estou a ter dificuldade em dizer isto porque não queria que descobrisse assim. Mas não há como desfazer o que fiz e sabes o que eu sou agora. Vai ficar tudo bem.'
'Todos os monstros são reais? Tenho que lidar com vampiros e outras coisas também?'
Ele parece culpado e até estremece com a palavra monstro. 'Eu não sou aquele de quem devias ter medo, no entanto. Há outras coisas que são muito piores que lobos.'
'Oh, que fofo, considerando o que acabei de ver. És um lobo grande e estás-me a dizer que há coisas mais assustadoras do que tu por aí. Ah, não, obrigada. Quero acordar deste pesadelo agora.'
Silêncio enche o ar, e ele solta um suspiro pesado.
'És a minha companheira, Maya,' ele finalmente diz, sua voz baixa e quase inaudível.
O meu mundo inteiro gira e tudo em que consigo pensar são aquelas cenas nos livros que li. 'A tua quê?'
'Ouviste-me, Maya.'
'Não, acho que não ouvi,' eu digo a rir. 'Podia jurar que acabaste de dizer companheira, mas não foi isso que disseste.'
'Foi exatamente o que eu disse,' ele diz com um rosnado baixo e percebo que ele está a falar a sério.
'Tens que estar a brincar comigo,' eu digo enquanto a minha cara empalidece.
'Parte de mim diz que queria que estivesse, mas sei o que és e no que te vais tornar.'
Eu entendo cada palavra e quase caio na cama. 'Tornar? Estás a dizer que vou ficar como tu também?'
'O destino te escolheu para mim, mas não precisas tornar-te como eu, a menos que queiras. Faz parte da profecia e eu preciso de ti tanto quanto tu precisas de mim.'
Sinto-me fraca e as paredes começam a fechar-se quando a minha respiração se torna em suspiros rápidos. Tudo está a afundar e o meu mundo inteiro está a inclinar-se. 'Tens a miúda errada.'
Eu tento sair da cama, mas cambaleio e quase caio. Pelo canto do olho, consigo vê-lo a contornar a beira da cama.
'Afasta-te de mim.'
'Vais cair,' ele diz, mas parece que estou presa num barril.
'Deixa-me em paz,' eu digo antes de tudo começar a ficar preto.
Eu caio de joelhos e mãos, rastejando pelo chão enquanto a minha respiração se torna difícil.
'Maya,' ele diz suavemente, mas soa distante.
'Eu não pedi por isto,' eu sussurro, assim que o meu mundo inteiro desaparece da vista e sinto que estou a cair.