Capítulo Cento e Catorze - Nova Informação - Ponto de Vista de Damian Blackwood
Depois de voltar pra mansão pra me arrumar, eu e a minha Maya fomos pro lugar onde o Lyle tá. Um dos meus patrulheiros tava lá com ele, guardando o corpo dele até a gente chegar. Assim que eles nos veem chegando, se afastam, pra eu poder ver ele.
Ethan pega o bilhete do Lance e olha pra baixo. Ele suspira fundo antes de me entregar.
'Estamos indo atrás de você.' As palavras não empolgam. 'É só isso?'
'Aparentemente sim,' Ethan fala, rindo. 'A gente já sabia disso.'
Balanço a cabeça e viro o bilhete do avesso pra ter certeza que não tem outro escondido em algum lugar, mas não tem nada. É só uma folha de papel simples com aquelas quatro palavras. Olho pro corpo do Lyle, a tristeza me consumindo na hora. Mas agora não é hora de luto.
Odeio que tenha chegado a isso. 'Enterrem ele no cemitério da alcateia. Façam direito.'
'Mantenha ele longe daqueles que enterramos antes?' Lance pergunta.
Faço uma careta quando lembro de quem ele tá falando. 'Sim. Certifiquem-se de que o Lyle esteja com aqueles que não nos traíram.'
Voltamos pra mansão, com o Ethan e alguns guerreiros no nosso encalço. Assim que estamos longe de olhares curiosos e ouvidos indiscretos, fazemos um círculo em volta da minha mesa no meu escritório.
Agora é hora de planejar a guerra.
'Os vampiros e outras alcateias ainda vão vir atrás da gente,' eu digo. 'Mesmo que a ameaça tenha passado, eles ainda pedem a minha morte.'
'Seu Pai deve ter dado alguma coisa pra eles, pra fazer eles quererem te matar,' Ethan fala.
'Eles compraram uma mentira,' eu digo, mantendo meus olhos fixos no bilhete na minha mesa. É o papel que eu peguei da mão do Lyle. 'E eles estão se recusando a ver que a profecia está quase no fim. A maldição vai ser suspensa assim que -'
Meus olhos se viram pro lado quando minhas palavras param. Maya está parada ali, esfregando as mãos. 'Assim que eu devolver a mordida.'
'Sim,' eu falo, minha voz mais baixa agora.
De repente, os olhos dela se arregalam e ela olha pra um ponto na parede, imóvel. Eu estico a mão, tocando o braço dela levemente pra ver o que está acontecendo, mas ela não me responde.
A pele dela brilha e outra coisa assume. Eu não tenho certeza do que está acontecendo, porque com certeza não fazia parte da profecia.
'Eu vejo tudo,' ela murmura. 'Lorcan matou o irmão dele por minha causa.'
'Você?' eu pergunto. 'Espera. Quê?'
As palavras dela me chocam. Com certeza, toda a parte da reencarnação não está certa.
'Você e eu estávamos juntos, mas Lorcan me roubou,' ela sussurra enquanto lágrimas enchem os olhos dela. 'Você foi morto por minha causa, mas nós éramos destinados a ser companheiros. Ele me roubou. Depois ele fez de novo, quinhentos anos atrás.'
O tempo para quando eu ouço as palavras dela. 'Não, isso não é possível.'
Ela alcança, cobrindo a boca. 'Eu sou a pessoa que fez isso.'
'Não, você não é,' eu falo, me aproximando e tentando confortá-la. 'Você não é a pessoa que fez isso. Se eu morri, então fui eu. Só eu.'
'Não, eu joguei a maldição.'
A sala está tão silenciosa que dá pra ouvir um alfinete caindo no chão. A confissão dela me deixa fria e quente ao mesmo tempo. 'Como assim você é a pessoa que jogou a maldição?'
Ela estende a mão, faíscas saindo da palma dela. 'Minha linhagem familiar é sangue de bruxa.' Os olhos dela tremem. 'Quando ele te matou, eu amaldiçoei a linhagem pra te trazer de volta. Se eu não pudesse, então todos os lobos morreriam. Essa é a nossa última chance.'
'Então me marque, me reivindique. Faça o que quiser,' eu insisto, sem me importar com quem está na sala com a gente. 'Eu sou sua.'
Ela se vira pra mim, os olhos completamente brancos. 'Se eu te reivindicar agora, não vai funcionar.'
'Por que não vai? Você está disposta e eu já te reivindiquei.'
'Porque sem todos os meus poderes, eu não posso desfazer a maldição.'
Os olhos dela voltam ao normal antes de ela desabar. Eu a pego antes que ela caia no chão, depois olho pros outros reunidos.
'Ninguém fala nada sobre isso. Estão me ouvindo? Ninguém. A gente não pode arriscar nada disso sair dessa sala ou todos nós estaremos mortos. No pior dos casos, alguns que queriam se rebelar antes podem tentar de novo.'
'Como ela desperta os poderes dela?' Ethan pergunta sem hesitar.
'Eu não sei. Eu acabei de descobrir que ela é parte bruxa e que tudo isso aconteceu antes. Meu Irmão mais novo não estava completamente errado.' É estranho dizer isso em voz alta. Como isso pode ser? O que eu devo fazer agora?
'Você acha que tem algo a ver com Os outros vindo?'
Balanço a cabeça enquanto a puxo pra sentar na cadeira de couro. 'Tem que ser. Por que mais eles continuariam vindo? Os vampiros têm um líder que é tão velho quanto essa maldição. Ele deve saber de alguma coisa.'
A minha mente roda com as informações novas. Ela é uma bruxa e agora uma loba. Não só isso, mas ela é a chave pra nos libertar completamente da maldição e a pessoa que a lançou. Meus olhos se arregalam quando os pensamentos passam pela minha mente.
'Eu não faço ideia do que a gente está fazendo,' eu falo, minha voz mal audível. 'Eu achei que seria simples. Ela me morderia e tudo isso acabaria, mas agora tem mais. O que os vampiros sabem que a gente não sabe?'
'Mais tipo o que seu Irmão mais novo e Pai sabiam?' Ethan fala baixinho.
Eu lanço um olhar pra ele. 'Bem, a gente não pode perguntar pra eles, pode? Além disso, eu não acho que eles sabiam de tudo. Pai amava meu irmão mais novo mais, então é claro que ele ia querer que ele vivesse mais do que eu.'
Balanço a cabeça de novo, tentando processar todos os pensamentos desenfreados passando pela minha mente.
Isso é demais.
E agora eu sei como ela se sentiu o tempo todo. Parece que eu estou em um mundo que eu não entendo e eu posso nunca superar isso.