26. Depois do Casamento: Sentindo-se Estranho
A Arleena ainda tava pensando no beijo que o Hugo tinha dado nela.
Depois do casamento, a Arleena ficou no quarto VVIP pra noiva e noivo. A Arleena se olhou no espelho. Pra direita e pra esquerda dela, tinha duas maquiadoras especiais que o Hugo tinha contratado. Enquanto as duas maquiadoras tavam limpando o resto da maquiagem do rosto da Arleena, tudo que a Arleena conseguia pensar era em como ia ser a vida de casada com o Hugo.
De agora em diante, a Arleena ia ver o Hugo o tempo todo, já que eles iam morar na mesma casa. Eles eram próximos desde criança, mas a Arleena ainda não conseguia imaginar como ia ser morar por meses na mesma casa.
Lembrando de quando o Hugo beijou ela mais cedo, a Arleena sentiu uma coisa muito estranha. E se depois... eles fizessem...
A Arleena balançou a cabeça tipo, rapidão. O movimento dela fez com que um dos olhos dela levasse, sei lá, um pouco de removedor de maquiagem sem querer. Resultado: a Arleena parou de se mexer, chocada, com a boca aberta enquanto botava a mão no olho.
"Ai, meu Deus, Miss Arleena. Desculpa. Dói tanto assim os seus olhos?" perguntou a Sherlynn, a maquiadora que tava do lado direito da Arleena.
A Arleena levantou uma mão, tipo, pra dizer que tava tudo bem. Demorou um tempinho pra ela abanar as pálpebras, que tavam meio doloridas.
"Ai, meu Deus, como é que tá isso? Tá doendo mesmo?" a Sherlynn perguntou de novo. A cara dela tava tipo preocupada e culpada ao mesmo tempo.
"Não, tá tudo bem", a Arleena respondeu rapidinho. Não queria deixar a Sherlynn mais preocupada. "Não foi culpa sua. Eu tava meio desligada e mexi a cabeça de repente."
"Tenta abrir os olhos devagar", a Sherlynn instruiu calmamente.
Seguindo as palavras da Sherlynn, mesmo que ainda doesse, a Arleena forçou os olhos a abrir. Piscando devagar, a Arleena tentou neutralizar a dor no olho direito.
"Precisa soprar o seu olho?" perguntou a Sherlynn, que tinha inclinado a cabeça pra olhar a Arleena mais de perto.
A Arleena não conseguiu responder na hora. Ela ainda tava focada em piscar várias vezes. Dava pra ver meio embaçado, porque os olhos dela tavam marejados.
Aos poucos, a ardência nos olhos da Arleena tinha diminuído. A Arleena ficou quieta, depois balançou a cabeça pra Sherlynn.
"Não precisa. Agora meus olhos estão aliviados", a Arleena respondeu, depois deu um sorriso pra Sherlynn. "Desculpa por te deixar em pânico. Eu tava pensando em uma coisa do nada."
Antes que a Sherlynn pudesse falar qualquer coisa, ouviu-se o barulho da porta abrindo. Todos os olhos se moveram juntos pra encarar a figura do Hugo, que parou de andar por um momento. O Hugo só deu uma encolhida de ombros, com uma expressão estranha, e olhou pra todo mundo na sala.
A Arleena olhou pro Hugo com uma cara de confusa. A aparição do Hugo fez ela lembrar do beijo que o cara deu nela algumas horas atrás.
"Por que você entrou aqui?" a Arleena perguntou em resposta à pergunta do Hugo.
O Hugo não respondeu por uns segundos. Ele parecia confuso sobre como responder. Mas logo o Hugo conseguiu neutralizar a expressão do rosto dele, então ele fingiu que tava de boa.
"E daí, não posso entrar nessa sala?"
"Essa sala é só pra noivas", a Arleena respondeu.
"E daí?"
"Você é homem. Por que entrar no quarto privado da noiva?" a Arleena evitou parecer nervosa na frente do Hugo. Não era que ela tava apaixonada pelo Hugo, mas a situação deles era diferente.
Eles já tavam casados.
A Arleena tinha se casado com o Hugo, seu melhor amigo desde criança, o que era totalmente inacreditável. Os dois nunca pensaram que iam se casar.
"Umas horas atrás foi a nossa recepção de casamento. Já esqueceu?" o Hugo perguntou. Depois, ele entrou e fechou a porta da sala.
O Hugo cruzou os braços no peito, numa boa. Os olhos dele encaravam a Arleena com um olhar intenso.
"Eu acho que você não esquece as coisas tão rápido, Arleena. Se a gente tá casado, não deveria ter..."
"A-ai! Ai, meu Deus. Por que minha cabeça tá tonta de repente?" A Arleena de repente botou a mão na cabeça e fechou os olhos bem forte. Ela fez de propósito, pra deixar o Hugo quieto e deixar a situação entre eles ainda mais estranha.
O Hugo na hora ficou preocupado, olhando pra Arleena que fechou os olhos como se tivesse com dor. Assim que ele deu um passo pra ir perto da Arleena, as mãos da Arleena já tavam apontando pra frente.
"Não chega perto. Eu não consigo... ai, parece que eu preciso mesmo descansar!" a Arleena falou fingindo que tava gemendo de dor.
Na verdade, a Arleena fez isso de propósito, porque ela queria criar distância entre os dois. A Arleena ainda não conseguia se acostumar com a presença do Hugo como marido.
"Você precisa de uma pausa?" o Hugo perguntou. Mesmo que ele estivesse preocupado, ele achou estranho.
A Arleena balançou a cabeça, sem abrir os olhos. Como se quisesse mostrar que não queria ver o Hugo.
É por isso que o Hugo sabia que a Arleena tava só fingindo.
"Sua cabeça tá doendo muito?" o Hugo perguntou de novo.
Enquanto isso, as duas maquiadoras que tavam do lado da Arleena, direita e esquerda, já tavam em pânico. Elas não sabiam o que fazer. Além disso, a expressão no rosto delas parecia de medo de fazer a coisa errada.
"Sr. Hugo, o senhor não deveria sair da sala primeiro?" perguntou a Sherlynn com uma expressão de pânico. "Parece que a Arleena precisa descansar agora. Talvez seja por causa do casamento agitado..."
Antes que a Sherlynn pudesse continuar, o Hugo de repente chegou mais perto. A Sherlynn ficou confusa vendo o Hugo que parecia querer fazer alguma coisa com a Arleena.
"Ah, então você precisa descansar e não quer me ver porque sua cabeça tá girando?" o Hugo sorriu, enquanto preparava a mão dele.
Nem a Sherlynn, nem a outra maquiadora tavam prontas pra segurar o Hugo. Mas o Hugo já tinha chegado perto da Arleena e de repente deu um tapa na testa dela.
De repente, a Arleena gritou de surpresa e abriu os olhos na hora. Dessa vez, a cara dela realmente mostrou uma expressão de dor, sem ser de mentira. A Arleena ficou de boca aberta, incrédula, enquanto olhava pro Hugo com raiva.
"O que você tá fazendo?!" a Arleena perguntou com um tom bravo.
O Hugo sorriu orgulhoso depois de saber que ele tava certo. "Acontece que você tava só fingindo que tava tonta mesmo", ele respondeu, enquanto acenava com uma mão.
"Eu não tô fingindo nada – ai! Você tá me dando um peteleco de novo?!" A Arleena já tava chateada. A voz dela subiu um pouco, olhando pro Hugo mais irritada do que antes.
O Hugo parou de acenar com uma mão e botou as duas mãos na cintura. Ele olhou pra Arleena como se estivesse de saco cheio dos teatros da Arleena.
"Você mentiu pra mim. A gente se conhece desde criança, há anos, e você acha que eu não sei que você tá mentindo?" o Hugo soltou uma sequência de frases irritadas.
A Arleena não conseguiu responder nada. Ela só ficou passando a mão na marca na testa. Os lábios dela já tavam torcidos num gemido.
"Ah, droga. Esqueci que você me conhece há anos", a Arleena resmungou.
Depois de esfregar a testa, a Arleena olhou pras duas maquiadoras do lado dela. A Arleena fez um sinal pra elas saírem da sala primeiro.
As duas maquiadoras atenderam o pedido da Arleena. Depois que elas saíram, só sobrou a Arleena e o Hugo na sala.
"Por que você mentiu?" perguntou o Hugo, olhando pra Arleena com olhos de interrogação.
A Arleena olhou de volta pro espelho. Sorte que o resto da maquiagem no rosto dela já não tava tão grosso.
"Porque eu não quero te ver. Vai embora agora. A gente ainda é amigo, não um casal de casados", a Arleena falou sem olhar pro Hugo.
O Hugo riu sarcasticamente. "Eu vou te levar como esposa?" ele zombou.
Ao ouvir isso, a Arleena de repente arregalou os olhos, surpresa. Ela só se levantou e ia dar um soquinho no ombro do Hugo. Mas, infelizmente, o Hugo já tinha fugido da presença da Arleena.
"Eu não vou te levar como esposa, relaxa! Outras mulheres são mais bonitas!" o Hugo provocou a Arleena de propósito, como as provocações da infância deles.
A Arleena pegou um sapato perto do pé da cadeira, fingindo que ia jogar no Hugo. Infelizmente, o Hugo já não tava mais visível, atrás da porta. Deixando a Arleena rindo alto, sem se importar que a Arleena tava franzindo a testa de exasperação.
"Por que eu pedi pra ele ser o noivo substituto pra mim?!" a Arleena resmungou pra si mesma.