65. Mais Atenção
O Dayyan já tava parado na frente da casa quando a Zahra saiu com a mãe dela e a galera do catering.
"Mas Dayyan, o que rolou?" perguntou a Zahra, preocupada, e foi até onde a empregada tava, vendo que a bochecha do Dayyan tava roxa, de tanto ele ter defendido ela dos bandidos. O lábio dele tava rachado e ele tava segurando o peito, que tinha levado um chute.
O Dayyan encolheu com o sangue escorrendo do lábio. "Tô de boa, Sra. Zahra. Só um pouco fraco, faz tempo que eu não me exercito."
A Zahra já tinha visto o sangue e fez uma careta.
"Ai, Mas. Isso deve doer. Umi, me ajuda a levar o pai do Dayyan pra dentro."
"Não, relaxa, eu consigo andar, Mãe", o Dayyan recusou.
"Ele precisa ser tratado primeiro. Traz a Rike, Adisty! Ajuda a Umi aqui!" A Mursida, que sabia o que rolou quando o Dayyan ajudou o filho dela e botou os bandidos pra correr, não aguentava ver o Dayyan machucado indo embora.
Enquanto isso, a Adisty e a Rike, que tavam se escondendo de medo, finalmente saíram depois de ouvir o chamado da Mursida e ajudaram a Zahra a carregar o Dayyan pra dentro da casa.
Enquanto isso, coincidindo com a fuga dos bandidos, o carro do Nurman entrou no quintal e ele ficou chocado ao ver várias pessoas correndo de medo, com a cara toda arrebentada. Alguns vizinhos e amigos do Ehsan, que tavam curiosos com a confusão de antes, mas tavam se escondendo com medo, agora se reuniram na frente da casa deles. A intenção deles era perguntar sobre a cronologia do incidente.
Na varanda dos fundos, o Nurman encontrou sua família em pânico. Seu olhar fixou no motoboy uniformizado que parecia ter apanhado, mas não tanto quanto os bandidos que tavam fugindo da casa. A Zahra parecia preocupada e tava de frente pro Dayyan, se preparando pra cuidar dele.
"O que aconteceu, Umi, Zahra, Rike, Adhisty, vocês tão bem? O Abah viu os bandidos correndo daqui, mas a cara deles tava toda detonada. Eles fizeram alguma coisa com vocês?" perguntou o Nurman, preocupado.
"Alhamdulillah, Umi tá bem, Abah. A Zahra e as crianças também estão bem." A Mursidah explicou e cumprimentou o marido.
"Não, não fizeram, Abah. Graças a Deus pela ajuda do Mas Dayyan. Ele bateu nos bandidos tão mal que eles correram de medo", explicou a Zahra.
"Sim, senhor. O Mas Dayyan é demais, eles imploraram por misericórdia, foram derrotados por ele", acrescentou a Rike, que tava carregando um kit de primeiros socorros.
"Você não é aquele que fica indo e vindo pra pegar os pedidos aqui?"
"Sim, senhor, eu sou o Dayyan, o Kang Ojek da Sra. Zahra." O Dayyan assentiu educadamente.
"Cadê o Ehsan, ele não é o que tava de guarda aqui na frente?" perguntou o Abah, surpreso.
"Não sei, Abah. Ele some quando precisa. Mas, pelo que a Umi sabe, ele tava na frente antes, porque ele tinha feito um depósito com a Umi de manhã." Mursidah explicou com um pouco de irritação com o Ehsan.
"Ah, entendi. Mesmo tendo muitos amigos dele também, né?" Nurman se perguntou.
"Todo mundo sumiu pra algum lugar. A Zahra só tava gritando por ajuda e ninguém veio, Abah." Agora foi a Adisty que respondeu, enquanto trazia um copo de bebida pro Dayyan.
"Ah, entendi. O Ehsan e os amigos dele sumiram depois dos bandidos e da briga?" Nurman pensou e tentou digerir, então ele assentiu pra si mesmo.
"Talvez, Abah. A Zahra não sabe pra onde ele foi", respondeu a Zahra.
"E ela também não se importa com ele, Abah." A Zahra pensou pra si mesma. O foco dela tinha sido no Dayyan, que tinha salvado todos eles.
"Essa água é pro Abah, Neng?" perguntou o Nurman pra Adisty, vendo ela trazer o chá doce favorito dele. A menina balançou a cabeça.
"Não, Abah. Isso é pro Mas Dayyan, nosso herói de hoje. Yeaaay. Toma, Mas, bebe isso primeiro, tô cansada de gelud. Deixa eu clarear minha mente." A Adisty sorriu docemente pro Dayyan.
"Obrigado, moça."
"Ah, pode me chamar de Adek, eu ainda sou nova, sabe, Mas. E eu que deveria agradecer por ter nos ajudado antes."
"De nada, ainda bem que estamos todos seguros", disse o Dayyan.
"Talvez, Abah."
"Uh", o Dayyan fez uma careta quando a Zahra limpou os cantos dos lábios e bochechas machucadas dele com um pano de limpeza.
"Ah, desculpa, Mas! Dói?"
"Hehe, um pouquinho, moça." O Dayyan riu pra fazer a Zahra se sentir melhor. Ele sabia que ela tava se sentindo mal por ele.
A Zahra olhou pros ferimentos no rosto do Dayyan com incerteza. Havia culpa e um sentimento estranho no coração dela. As feridas foram causadas pelo Dayyan protegendo ela. Se ele não a tivesse protegido e ajudado a enfrentar aqueles bandidos, ela não teria se machucado, ela pensou.
A Zahra também sentiu algo estranho correndo pelo coração dela. Um sentimento de paz e segurança depois de ser protegida por alguém que não era seu pai. Era um sentimento estranho que ela sentiu pela primeira vez. A Zahra não entendeu aquilo.
"Desculpa, sim, Mas. Por minha causa, o Mas Dayyan se machucou", disse a Zahra tristemente.
"Não fala assim, Moça. Isso é por causa da minha negligência. Como alguém que aprendeu Pelintau silat, eu não deveria ter sido pego de surpresa e não ter apanhado. Isso significa que eu ainda não sou ágil, né?"
As piadas do Dayyan tentaram aliviar a culpa da Zahra, mas a resposta do Dayyan pegou a Zahra de surpresa, pois ela se acalmou e pensou no incidente anterior, onde o Dayyan claramente poderia ter desviado dos socos. No entanto, ele apenas se esquivou, aparentemente, pra proteger ela, que estava parada bem atrás dele.
Foi como se o Dayyan tivesse se deixado virar saco de pancadas de propósito, pra que ela não se machucasse. De fato, o homem na frente dela era um homem nobre por ousar proteger uma mulher.
O Dayyan, que tinha se sentido estranho por alguns dias devido ao silêncio da Zahra, ficou feliz com o retorno da atitude amigável e preocupada. Ele começou a se sentir tocado por eles estarem tão preocupados com ele e quererem tratá-lo. Ela também, de alguma forma, se sentiu grata em seu coração por poder ajudar a Zahra.
"Felizmente, a Sra. Zahra está segura e sua família está bem", disse o Dayyan. A princípio, ele pensou que eles estariam em choque após o incidente. Mas aparentemente, eles estavam mais calmos.
"Sim, Mas Dayyan. Tudo graças a você por me proteger, caso contrário, eu poderia ter sido a atingida pelo bandido. O Mas Dayyan é incrível, eu gostaria de agradecer muito por nos ajudar."
"De nada, moça. Isso só aconteceu de vir, se não, com certeza os outros também te ajudariam. E, claro, este é o meu dever como ser humano", respondeu o Dayyan, humildemente.
"O Mas Dayyan é muito legal, viu, acontece que o Mas Dayyan é um campeão de artes marciais." A Adisty, que ainda estava lá, elogiou o Dayyan como um novo herói aos seus olhos e o Dayyan corou de constrangimento.
"Bem, acabou, Mas. Você apanhou de novo?" perguntou a Zahra. O Dayyan achou que tinha levado um chute no peito antes e ainda doía. No entanto, não havia como ele admitir isso. A Zahra poderia forçá-lo a tratar isso. Isso não significaria que ele teria que tirar a camisa? O rosto do Dayyan imediatamente ficou vermelho.
"Não! Nada, moça." O Dayyan balançou a cabeça apressadamente. Em seu coração, ele realmente se sentiu envergonhado.
"Obrigado por me tratar."
"Sim, de nada, Mas. Eu também agradeço por você ter me salvado."
"Quando você aprendeu artes marciais?"
"Ah, isso. Já faz um tempão, lá no internato da minha cidade natal de Aceh, moça."
"Incrível, sim." O Dayyan apenas sorriu, envergonhado. Ele veio mesmo da Terra de Rencong. No entanto, quando um desastre atingiu sua vila e toda a sua família morreu, o Dayyan escolheu ir pra Sebrang e migrar pra Cidade Grande até agora. Ao se lembrar do passado, o rosto do Dayyan ficou sombrio.
"O que foi, Mas?" perguntou a Zahra, que estava começando a perceber que estava ficando muito preocupada com os efeitos colaterais da briga. "Vamos ao médico. Checar primeiro, estou com medo de haver ferimentos internos."
"Não, de verdade. Desculpa, só tô com saudade da minha cidade natal." O Dayyan balançou a cabeça. Contusões e lábios rachados não eram nada pra um lutador. Eles cicatrizariam com o tempo por conta própria.
A Zahra, que estava observando o Dayyan, sorriu secretamente e reconheceu a observação anterior da Adisty de que o Dayyan era seu herói. Seu coração de repente sentiu como se houvesse flores desabrochando.