62. Mais Perto
Galen estacionou o carro dele na frente de um prédio alto. De manhã ele abriu o WAG pra vagas de emprego na área onde ele morava, e leu que tinha uma vaga que combinava com as qualificações dele.
"Com licença, senhor, eu queria entregar um pedido de vaga." Dayyan encontrou o segurança na porta de vidro da sala de administração da fábrica.
"Coloca ali, Mas. Bota ali, já tem uma caixa pra cada vaga que você quer." O segurança apontou pra uma mesa onde tinha um monte de caixas que pareciam urnas de votação.
Dayyan leu o que tava escrito nas caixas, uma por uma, e quando achou uma caixa com o nome 'Controle de Qualidade', ele colocou um envelope marrom com o orgulho dele.
Sim, o orgulho dele na frente de Septin só ia ser visível se Dayyan tivesse um emprego fixo com um salário mensal bom, como ele tinha antes.
'Bismillahirrahmanirrahim.' Antes de colocar o envelope, Dayyan fez uma oração.
"Ó Deus, isso faz parte do meu esforço, Tu sabes o que é melhor pra mim, enquanto eu não sei de nada, nem mesmo o meu futuro. Se isso for o melhor, por favor, facilita."
Depois de colocar o envelope, Dayyan se despediu do segurança. "Até mais, senhor, boa sorte."
As palavras do segurança pareciam uma provocação, porque Dayyan viu um monte de jovens com camisas compridas, sapatos e uma aparência arrumada indo pra caixa também.
Eles eram muito novos, alguns até pareciam que tinham acabado de se formar no ensino médio, ou na faculdade. Ele provavelmente era o único cara de uniforme de mototáxi online que tinha mandado um pedido de emprego.
Qualquer fábrica ou empresa ia querer ter funcionários produtivos. Ele tem 34 anos agora, com vagas abertas pra pessoas de 22 a 35 anos pra certas posições. A competição não é fácil, Dayyan sabe bem disso. Ele sabe que a época dele de trabalhar em uma fábrica ou empresa já passou. Ele já devia ter o próprio negócio.
"Infelizmente, meus sogros nunca acharam que ser motorista de ojek online é tipo, ser funcionário e ter o próprio negócio ao mesmo tempo, combinado. Não sob ordens de ninguém, livre pra decidir seus próprios horários de trabalho. Os resultados também podem ser aproveitados na hora." Dayyan murmurou pra si mesmo.
Quase todo dia, Dayyan envia um pedido que ele pega da mídia social, e também dos Grupos de WA especializados em vagas de emprego na área dele. Dayyan acelerou a moto dele pra casa da Zahra.
De manhã ele recebeu uma mensagem que tinha um monte de marmitas pra entregar pros clientes. O sorriso brilhante da Zahra o cumprimentou. Às vezes Dayyan sentia que aquele sorriso era dedicado pra ele. Ele logo ignorou esse sentimento, porque sabia que Zahra era simpática com todo mundo. Todo mundo, menos o Ehsan.
A garota ficou logo apaixonada quando viu o Ehsan sentado no banco em frente da casa dela de manhã.
"Neng Zahra, linda hoje de manhã," Ehsan a cumprimentou quase todo dia quando ela começava a abaixar a porta da garagem dele.
"Vem, Bang Ehsan, vou indo primeiro, ainda tenho um monte de trabalho pra fazer." Zahra normalmente limpa e depois organiza a vitrine. Colocando bandejas de comida de aço inoxidável que ela ia embalar nas marmitas.
Dayyan chegou bem na hora que Zahra terminou de preparar dez marmitas e botou numa sacola grande de plástico. Dayyan cumprimentou Zahra de um jeito amigável. Ehsan logo ficou esperto quando viu a moto do Dayyan entrando no quintal da Zahra.
"Hum, aquele mala tá vindo de novo. Na maioria das manhãs antes de outros ojek chegarem. Ele sempre recebe pedidos aqui, ou a Neng Zahra pediu pra ele vir?"
Ehsan começou a se sentir incomodado que Dayyan sempre recebia um tratamento especial.
"Toma um chá, Mas." A voz da Zahra soou muito melodiosa, ela que tinha oferecido o chá. Ehsan começou a se perguntar.
"Hoje parece desanimado, a Athaya ainda tá doente?" Zahra começou a conversa. As mãos dela moldaram o arroz com jeito, e depois botaram numa mica de plástico. Legumes, acompanhamentos também foram organizados de acordo com seus lugares.
"É normal, mãe. Alhamdulillah, desde que voltou do hospital ontem, a condição dela tem melhorado aos poucos. Ela tá começando a ficar animada de novo." Zahra escutou de trás da vitrine, mas ela sentiu a tristeza na voz do Dayyan. Ele parecia estar carregando um peso pesado que ele não queria compartilhar com ninguém.
"Às vezes a gente não sabe quando a provação vai acabar, mas eu sempre acredito que vai ter um final bom."
Zahra parecia estar falando pra si mesma. Ela tava mesmo expressando o que sentia.
Com três anos, ser solteira podia ser um fardo pra outras mulheres, mas não pra ela. Zahra só sente que ainda não encontrou o homem certo.
"Às vezes a gente se cansa na estrada e quer descansar um pouco. Porque só a gente sabe os nossos limites." Dayyan falou. Ele pegou a marmita cheia de arroz e colocou dois elásticos, antes de botar numa sacola de plástico.
"Escutar o que os outros dizem com muita frequência e depois levar a sério, só vai aumentar a ansiedade." Zahra disse de novo. Dayyan lembrou da conversa dele com Septin ontem à noite.
De manhã, quando ele entregou o pedido dele, ele percebeu que tudo que ele fez foi pra provar pros sogros que ele não tava parado, mas também tomando atitudes e se esforçando. As palavras da Zahra agora foram muito verdadeiras.
"Às vezes a gente quer ignorar, mas não dá pra negar que os sentimentos não podem ser ignorados tão facilmente, principalmente se vierem de alguém próximo."
Dessa vez Dayyan começou a expressar o que ele sentia. A decepção dele com Septin, e também aceitar que o que os sogros dele falaram era verdade.
A parte mais dolorosa das palavras da Septin foi quando ela indiretamente disse pra ele sair da vida da Farah.
"Sempre vai ter gente que não concorda com a gente, e só vê pelas próprias lentes. A decisão é nossa, se a gente quer continuar usando nossos próprios óculos, ou trocar pros óculos daquela pessoa, que com certeza não vão servir."
"Então é por isso que a Ms. Zahra parece tão despreocupada, hein? Porque ela sempre usa os próprios óculos, e nunca pega emprestado os de ninguém?"
Zahra riu da piada do Dayyan. Ela também ainda ficava triste com as palavras exigentes da Mursida. A Umi amava ela, tanto que não queria que a Zahra ficasse sozinha por muito tempo. O problema clássico dos pais com padrões de felicidade quando os filhos se casam é o fim de toda a ansiedade.
"Então a Athaya voltou pra casa, ela tá saudável de novo, então o que tá na sua cabeça que você tá tão desarrumado de manhã?" Zahra perguntou com delicadeza.
Por um momento, o coração do Dayyan bateu mais rápido quando os olhos dele encontraram aqueles olhos redondos e claros.
"Nada, eu só não tô pensando em mais nada, moça." Dayyan colocou a marmita que ele tinha colocado no elástico e contou dez marmitas na sacola de plástico de novo.
"Ah, isso é mentira, o Mas Dayyan normalmente é alegre, hoje o rosto dele tá nublado."
"Isso era quando a gente não tava conversando. Agora eu tô bem, até melhor que ontem e nos dias anteriores. Todos aqueles fardos parecem ser aliviados quando eu te vejo," Dayyan pensou enquanto encarava o rosto bonito atrás da vitrine.