58. Nova Esperança
Eu tava anotando os pedidos que chegavam no meu celular. O negócio de catering dela tava recebendo cada vez mais pedidos. Ela posta promoções em várias mídias sociais. Depois que anoitece, a Zahra tá ocupada divulgando o catering dela, além dos bolos e doces.
Até agora, a Zahra tem conseguido tocar o negócio dela de boa.
A Zahra acha a uminya dela muito útil, principalmente quando tem pedidos de marmitas. A comida da Mursida tem um sabor diferente que faz os clientes pedirem de novo.
"Umi, tenho um pedido de trinta marmitas de frango grelhado pra amanhã, e trinta caixas de frango frito", a Zahra falou quando viu a umi dela relaxando na sala.
"Que horas?"
"Na hora do almoço, por volta das onze da manhã deve estar tudo pronto. Que tal? A Umi consegue fazer, porque amanhã a Zahra tem um pedido de um bolo de aniversário, mas o conceito é bem complicado."
"Se não conseguir fazer, não aceita."
"Coitada da umi, essa pessoa pediu faz tempo."
"Quando você pediu a marmita? Não deveria ser em dobro, a umi só tem duas mãos."
"Sim, desculpa, Umi. A Zahra esqueceu mesmo, mesmo tendo anotado no livro de pedidos também."
A Zahra fez uma cara tão culpada que a Mursida não aguentou brigar com ela. Mas, a Mursida tava orgulhosa da Zahra. Em só três meses, os pedidos estavam chegando todo dia. A Zahra até tinha dado um envelope grosso pra Mursida com os lucros dos três meses de catering.
"Se você tá ralando muito, devia pensar em arranjar alguém pra te ajudar a cozinhar, Zahra", o Abah Nurman, que tava polindo a caixa de arroz, se intrometeu.
"Sim, também. A Zahra não tava confiante antes, mas vendo os pedidos aumentando, acho que ela devia abrir uma vaga de emprego."
"Não coloca gente de fora primeiro, fala com os vizinhos que podem estar interessados. Além de ser perto, a gente também divide o sustento, pra que muitos dos seus esforços sejam rezados e cuidados", disse o Abah Nurman.
"Sim, é verdade. Abah é o melhor, as ideias dele não são aquelas batidas. Amanhã a Zahra vai tentar fazer um status no WA, pra muitos vizinhos verem."
"Ontem, o filho da Sra. Huda disse que saiu da padaria porque era muito longe, tenta ir na casa dela amanhã", a Mursida falou.
Na manhã seguinte, seguindo o conselho do pai e da mãe, a Zahra foi direto encontrar a filha da Sra. Huda, o nome dela era Adisty. Não só a Adisty, mas também tinha a irmã da Sra. Huda da vila que queria ajudar a mãe dela. Claro que a Zahra ficou feliz.
"Umi, essa é a tia da Adisty, o nome dela é Tante Rike, ela diz que quer vir ajudar a cozinhar como assistente dela."
A Mursida cumprimentou a Rike e a Adisty imediatamente. "Não assistente, só cozinhar juntas, Rike e Adisty. O negócio da Zahra tá começando a crescer, então precisamos de amigas. Espero que vocês se sintam em casa ajudando a gente."
"Sim, Umi, por acaso a Adisty também tá procurando trabalho, acontece que a Kak Zahra também tá procurando gente, então é bom vir aqui a pé, não precisa comprar gasolina."
"Eu sou da vila da Umi, só estou hospedada na casa da mãe da Adisty há uma semana. Eu já estava querendo procurar trabalho aqui, ah, como é que acontece que a Neng Zahra está procurando gente, Alhamdulillah, espero que dê certo."
Todas riram. A cozinha ficou mais cheia e animada com a presença da Rike e da Adisty. A Zahra começou a focar em divulgar seus produtos.
Três dias passaram rapidinho, e naquela manhã o Dayyan tava de volta na varanda da casa da Zahra. Vendo que o Dayyan tinha voltado a trabalhar, a Zahra o recebeu.
"Como tá a Athaya, Mas? Ela tá melhor? Ontem teve tanto pedido, eu ia visitar ela no hospital mas esqueci. Me desculpa, Mas."
"Sim, senhora, tudo bem. Graças a Deus a Athaya tá melhorando, o estado dela tá mais estável, logo o médico vai deixar ela ir pra casa, se não hoje, então amanhã."
"Ah, entendi, você precisa levar o carro quando for buscar a Athaya, deixa a Zahra pegar emprestado do Abah."
"Bem, não precisa, senhora. Hoje em dia tem muito táxi por aplicativo. A Farah é bem independente, agora ela não depende mais de mim. Ela é livre pra pedir o próprio táxi ou carro." Agora a Zahra sabia que o nome da esposa do Dayyan era Farah.
"Que bom. Tem bastante pedido hoje, então posso estar um pouco ocupada. Por favor, beba o chá primeiro."
A Zahra colocou o chá em um copo que tinha sido cheio com um pouco de açúcar. O Dayyan tava se acostumando a tomar o chá da Zahra. Enquanto isso, a própria Zahra começou a sentir que servir chá pro Dayyan era uma obrigação.
Dayyan ouviu risadas na cozinha. A Adisty tava alegre, conhecendo a Rike tagarela que deixava cozinhar e embalar os pedidos divertido.
"Temos uma funcionária nova, senhora?" Dayyan perguntou depois de tomar um gole do seu chá doce.
"Sim, Mas. Os pedidos estão aumentando, e a umi e eu estamos sobrecarregadas. Acabei de contratar uma vizinha daqui. Eu tô procurando alguém perto da minha casa pra ser mais fácil se eu precisar com urgência."
"Sim, senhora. Que tenha muitas pessoas pra cuidar também. Se cada vez mais vizinhos se beneficiarem do negócio da Sra. Zahra, Insha'Allah, eles também vão rezar por ela, então esse catering 'Zahra' vai ser uma bênção." A Zahra ficou quieta.
As palavras do Dayyan foram como as do Abah Nurman. Por um momento, a Zahra ficou chocada que tinha um homem que dividia a mesma opinião que o pai dela.
A Zahra amava muito o Abah Nurman, e até sonhava em ter um parceiro como o pai dela. Um homem que é paciente, amoroso e não restringe a esposa. Contanto que não houvesse nenhum dano ou violação da Sharia, o Abah permitia que a Mursida continuasse estudando, incluindo comparecer a recitações longe de casa.
"Isso aqui tá pronto, cuidado, Mas. Depois disso, tem mais três entregas."
"Sim, senhora, com licença."
O Dayyan ficou feliz que o catering da Zahra tava melhorando, porque isso significava que ele podia levar mais dinheiro pra dar pra Farah.
"Uau, Alhamdulillah, eu ganhei muito hoje, Pa." A Farah terminou de contar os ganhos do marido. Depois de colocar um comprovante de dinheiro vermelho, a Farah devolveu a carteira do marido.
"A empresa de catering onde você costuma fazer pedidos está ocupada. Então você fica por perto, e de vez em quando chega um pedido."
Dayyan explicou com lógica que sua esposa podia aceitar. Ele não podia dizer que sempre tomava chá na casa da Zahra porque isso podia criar outra percepção na mente de sua esposa.
"Athaya, que tal ir pra casa amanhã?" Dayyan acariciou a bochecha da Athaya.
"O médico disse que o estado dela ainda é o mesmo, acho que ela não pode ir pra casa ainda", Farah falou com tristeza.
Na verdade, ela tava cansada de estar no hospital. Seu corpo doente sempre dormia no chão com um tapete. Mas por causa da Athaya, Farah tinha que aguentar tudo isso.
"Ma, você come primeiro, deixa o papa cuidar da Athaya."
"Você já comeu?"
"Comi no lugar do catering mais cedo. As pessoas são simpáticas, todo o entregador que vai lá, geralmente recebe uma marmita, Ma. Água mineral também é fornecida. Então o papa e os amigos entregadores ficam felizes quando recebem um pedido lá."
"Uau, espero que o catering tenha mais clientes, Dad." Farah não sabia que o Dayyan era o único que recebia chá doce, almoço e jantar no restaurante da Zahra.