66. A Carta que Ele Não Enviou
A Farah tá na cozinha desde as quatro da manhã. Lavando louça, cozinhando, água, arroz e preparando os ingredientes pro café da manhã. Ela também lavou roupa, limpou a casa e passou pano. A Farah tem que ser ligeira porque, quando dá meio-dia, a Athaya vive reclamando que não quer ficar pra trás e ela tem que focar em cuidar da filha dela.
Só depois do chamado pra oração do nascer do sol que a Farah acordou o marido.
"Pa, Papa! Acorda, reza o Fajr primeiro." Estranhamente, o Dayyan, que acorda fácil, parecia estar dormindo.
"Hmmm", o Dayyan só fez um barulho sem abrir os olhos.
A Farah olhou pro marido. Os roxos pareciam ter piorado. A Farah abraçou o corpo do marido. Depois tocou na testa dele, tava quente. Na noite passada, ela tinha ouvido o marido delirando, mas não deu bola porque a Athaya sempre queria ficar no colo dela, sem querer desgrudar por um segundo.
"O Papa deve estar doente. É claramente resultado da briga de ontem. É, já. Só descansa em casa hoje, Pa. Não pega mototáxi por enquanto."
A Farah voltou pra cozinha. Quando a Farah terminou de secar a roupa, viu o Dayyan acordando e acalmando a Athaya que tinha acordado e tava choramingando.
"Ué, a Athaya acordou, Pai? Não tá com febre? Vem cá, vou levar a Athaya comigo." A Farah pegou a Athaya e segurou ela. Depois de ser acalmada pela Farah, a Athaya dormiu de novo.
"Pa, a Mama fez leite morno e mingau, não bebe café ainda. O Papa devia ir no médico hoje, se precisar, fazer um exame pra ver se tem alguma lesão interna."
"Valeu, Mãe, pelo leite e mingau. Devo estar cansado de cuidar da Athaya. O Papa tá bem, Mãe. Só tá meio dolorido."
"Mas os roxos? Ou a gente liga pra um massagista?" A Farah sentou pra relaxar enquanto acompanhava o marido no café da manhã.
"Amo o dinheiro, Mãe. Não tem torções também. O Papa só precisa descansar por hoje. Vou fazer compressa com água morna e arroz com kencur e vai ficar tudo bem."
"Tanto faz. Se ficar doente, não culpa a Mãe. Te dei conselho, mas você continua recusando", a Farah foi cuidar da Athaya que tava chorando de novo. Ela não tinha comido nada no café da manhã, e só bebeu um copo de água morna quando acordou.
"Por que a Athaya tá tão irritadiça, coitada da Mama? Tá doente?" perguntou a Farah, examinando o corpo da Athaya. Desde que a filha foi diagnosticada com Leucemia, a Farah sempre checa o corpo da filha rotineiramente. Especialmente quando ela tá irritada e doente.
"Alhamdulillah, não tem roxos." A Farah ficou aliviada, traumatizada toda vez que a filha caía quando tava doente, fazendo com que ela sempre ficasse alerta cuidando da Athaya. Isso, claro, drena muita energia dela. No entanto, como mãe, a Farah sempre quer cuidar da filha, pelo menos enquanto puder.
A Athaya tem 6 anos, mas o corpo dela é bem menor que o dos amigos. O peso dela continua caindo e o rosto dela parece magro. Ela era suscetível a doenças porque os anticorpos dela estavam enfraquecidos.
\ Pra ser sincera, a Farah tava muito cansada de cuidar da Athaya e de todos os problemas financeiros que a afligiam. No entanto, até agora ela sempre tentou se manter forte e alegre, pelo menos na frente do bebê dela. Ela não quer passar o espírito que muitas vezes cai pra filha dela. A Athaya precisa ter o espírito pra viver e lutar pela recuperação. A Farah tem certeza que a filha dela vai conseguir viver uma vida saudável e normal como as outras crianças, apesar do tratamento contínuo.
Dayyan, enquanto isso, sentou lá fora, abrindo o celular e olhando as conversas e ligações de clientes várias vezes. Teve onze notificações de ligação da Zahra e uma conversa longa. Ele respondeu uma por uma de outras pessoas primeiro. A última foi a Zahra.
[Mas Dayyan, sem mototáxi hoje?]
A Zahra tava em casa esperando a resposta inativa do Dayyan porque tava acostumada a assinar e se sentia confortável, ela sempre esperava o Dayyan responder a conversa dela primeiro e depois pedia um pedido pra que outros mototaxistas online não pegassem. No entanto, desde o amanhecer o Dayyan não parecia estar ativo e responder a conversa dela. Enquanto ele tava trabalhando no pedido, uma notificação de conversa apareceu no celular dele.
"Mas Dayyan?" ela murmurou e a Zahra imediatamente largou o utensílio de cozinha pra abrir a resposta da conversa que ela tava esperando.
[Me desculpa, Sra. Zahra. Tô descansando em casa por hoje, se Deus quiser, amanhã consigo fazer mototáxi de novo.]
[Ah, o que aconteceu com o Mas Dayyan? Ele tá doente?]
[Não, senhora, só dolorido.]
A Zahra percebeu que a briga com certeza deixou um impacto no corpo e não é tão fácil ficar bom de novo.
[Deve ser por causa de ontem, né? Sinto muito que o Mas Dayyan se machucou e ficou doente.] A Zahra adicionou um emoticon triste, ela se sentiu culpada no coração dela.
[É normal, Mãe. Se você raramente se exercita, é assim que é. É normal pra homens apanharem, os pais dizem pra ser saudável e forte. Hehe]
[Vá se tratar, vá no médico, tenho medo do que pode acontecer, vou transferir o custo.]
[Não, não precisa, Mãe. Se Deus quiser, vai ficar tudo bem até amanhã.] O Dayyan recusou. Ele tinha certeza que ia ficar bem no dia seguinte. Só os roxos normais, ele pensou.
A Zahra respondeu com um emoticon mole. O Dayyan respondeu com um emoticon sorrindo.
"A filha do Mas Dayyan tá doente e precisa de muito dinheiro, a vida deles deve ser muito difícil. Agora o Mas Dayyan tá doente porque me ajudou, o que vai acontecer com a esposa e os filhos dele se eles não fizerem mototáxi. Pra eles, não ganhar um dia é o mesmo que perder o dinheiro da comida diária. Ah, como, né. Que pena se os filhos dele não comerem."
A Zahra inconscientemente pensou no destino do Dayyan e da família dele enquanto cozinhava.
"Com licença, Neng Zahra, você ouviu que a Neng foi atacada pelos bandidos do Safri? Você tá bem, né?" De repente, o Ehsan entrou e fez perguntas. Ele também deu uma olhada preocupada pra Zahra.
A Zahra, que tava pensando no destino do Dayyan, só deu uma olhada pra ele e voltou pra cozinha.
"Eh, Neng Zahra, por que você tá quieta? O irmão tá muito preocupado. Mas parece que a Neng Zahra tá saudável e segura. Graças a Deus então, você tá à vontade."
O Ehsan tinha, na verdade, procurado informações dos amigos dele que costumavam sair sobre os bandidos. Ele já sabia que eles foram derrotados pelo Dayyan e pensou que eles não ousariam voltar por um tempo. Então, com confiança, o Ehsan voltou imediatamente.
A Mursida, que tava entrando na cozinha e pretendendo ir no banheiro da cozinha, parou quando viu o Ehsan.
"Eh, Ehsan, onde você tava?"
"Ah, Umi-sogra. O Ehsan acabou de voltar da casa da Vovó Mi. Ouvi ontem que alguns bandidos atacaram a Zahra, que falta de educação deles! Se o Ehsan tivesse lá, o Ehsan teria matado eles!" O Ehsan sacudiu o punho no ar.
"Halah, só fala, ontem quando tinha, você não fugiu? Agora tá tentando bater neles?"
"Ah, isso, não fugindo, Mi. O Ehsan recebeu uma ligação repentina da vovó dizendo que um vizinho tava muito doente e não tinha ninguém pra ajudar. Então ele correu pra lá pra levar ela pro hospital. Ele não sabia que os bandidos tinham más intenções com a Neng Zahra!"
O Ehsan tentou dar desculpas. No entanto, a Mursida já tava chateada e sentiu que as desculpas do Ehsan eram inventadas.
"Você só tá arrumando desculpas, não é como se você fosse um covarde pra enfrentá-los!"
"Não, Umi. Juro, Mi. Da próxima vez o Ehsan vai enfrentá-los, prometo. Sério, juro!"
"Halaah. Umi não precisa de promessas, Umi precisa de provas."
A Mursida se sentiu irritada e deixou o Ehsan sozinho. A Zahra, enquanto isso, permaneceu em silêncio e não respondeu. A mente dela tava cheia do Dayyan e ela já tava sentindo aversão pelo Ehsan.
O Ehsan, que sentiu que a Zahra e a Mursida não acreditaram nele, continuou a fornecer álibis. Além disso, ele também tentou bisbilhotar o incidente com a Rike e a Adisty pra ter certeza que a situação era realmente segura pra ele e o Safri e seus homens nunca mais voltariam.