28. O Ex que Voltou
O cheiro da comida saudou o nariz da Arleena quando ela saiu do quarto.
O relógio na parede da sala de estar marcava seis da manhã. Mas a Arleena já tinha visto o Hugo na cozinha, aparentemente cozinhando algo que não dava pra ver direito. A Arleena não tinha certeza se os olhos dela estavam vendo mesmo o Hugo cozinhando.
Enquanto ela chegava mais perto do Hugo, a Arleena percebeu que era mesmo o Hugo na cozinha. A Arleena ficou chocada de surpresa e descrença, seus passos pararam a alguns metros da mini-bar da cozinha, e notou como as mãos do Hugo eram ágeis picando os ingredientes da comida.
"Aí, tá cozinhando alguma coisa?" perguntou a Arleena finalmente. Ela não tava aguentando a novidade que ela tava vendo no Hugo naquele segundo.
Na frente da Arleena, o Hugo só virou a cabeça rapidinho antes de olhar de volta para os ingredientes. O som da faca picando acelerou por uns segundos, depois o Hugo levou os pedaços de vegetais para o prato.
"Ah, acordada. Não se assusta de me ver cozinhando," o Hugo falou enquanto colocava os pedaços de salada como decoração na beirada do prato.
Quando a Arleena chegou mais perto da mini-bar, descobriu que o Hugo tinha preparado dois pratos com as bordas decoradas com pedaços de vegetais da salada. Já tinha um molho de bife que a Arleena costumava ver como prato de restaurante. Depois de arrumar os pedaços de vegetais, as mãos do Hugo se mexeram com jeito em dois bifes cozidos.
"Tô chocada desde que te vi na cozinha," respondeu a Arleena, que ficou de boca aberta com as duas carnes em cada prato.
O Hugo sorriu aliviado na hora que a comida ficou pronta. Ele largou os utensílios de cozinha nas mãos e passou um prato para a Arleena.
"Três anos que você não me vê. Agora tá surpresa de ver como eu mudei, né?" o Hugo perguntou com um sorriso de orgulho.
Na frente do Hugo, a Arleena franziu a testa de espanto. A Arleena ainda não conseguia acreditar que o Hugo na frente dela podia fazer essa comida. Porque pelo que ela se lembrava, o Hugo nunca tinha cozinhado.
Esse cara era tipo um cara mimado que só queria tudo instantâneo.
A Arleena pegou o prato que o Hugo deu pra ela hesitante. Na hora a curiosidade dela aumentou depois de ver a aparência de um bife de carne que foi preparado diferente de um bife de restaurante.
Enquanto o Hugo olhava para a Arleena curiosamente como se quisesse saber a reação dela, a Arleena começou a provar os pratos do prato. Uma pausa rolou entre os dois enquanto a Arleena mastigava a carne no prato devagar.
Inesperadamente, a Arleena descobriu que o sabor da carne nesse prato realmente fez a língua dela se sentir bem. A Arleena não conseguiu esconder a expressão de delícia do Hugo. Na verdade, a Arleena não queria mostrar a reação dela abertamente.
"Delicioso, né?" o Hugo tinha adivinhado pela expressão da Arleena naquele momento.
Depois de perceber a reação dela, a Arleena suspirou na hora. Foi como se ela tivesse voltado para a realidade e lembrado do plano dela de antes.
"Não tá tão bom assim," a Arleena respondeu. Na hora cobrindo a expressão de prazer dela. Mas ela continuou cortando a carne e colocando na boca sem parar. "Na verdade, já provei bifes de restaurante que eram muito melhores-"
"Nossa, você ainda não quer expressar seus sentimentos para os outros," o Hugo falou, cortando a Arleena, enquanto um suspiro grosso podia ser ouvido.
A Arleena parou de falar. A boca dela continuou mastigando com uma cara confusa pro Hugo.
"Eu sei que você acha meu bife de carne muito delicioso. Mas você não quer dizer isso," o Hugo falou mais uma vez.
A Arleena franziu a testa com uma leve irritação. Ela fingiu de propósito não mostrar a satisfação com a comida do Hugo.
"Ainda é uma refeição fácil de fazer," a Arleena disse enquanto engolia um pedaço de carne. "Você viveu sozinho por tantos anos em um país diferente. Você devia ser capaz de fazer uma comida simples como essa."
Enquanto mastigava o pedaço de carne, o Hugo assistia a Arleena com um sorriso torto. O Hugo encarou de propósito para conseguir ler os gestos nervosos da Arleena.
"Sabe, você fica tão fofa quando tá nervosa?"
A pergunta do Hugo fez os movimentos de mastigação da Arleena diminuírem. A Arleena na hora não conseguiu dizer nada e não mexeu um músculo. Assistir o Hugo que parecia estar de propósito provocando ela fez a raiva no coração da Arleena aumentar na hora.
"HUGO! Não consegue parar com suas palavras ridículas?!"
***
A Arleena jogou a bunda na cadeira atrás da mesa. A respiração dela saiu. Ela finalmente tinha terminado de enviar o relatório e ainda conseguiu aproveitar a pausa dela no horário certo. A Arleena olhou correndo para o conteúdo da pasta dela, só pra perceber que ela não tinha trazido comida nenhuma.
Depois que ela terminou de checar o conteúdo da bolsa de trabalho dela, a Arleena soltou outra respiração forte. Era porque ela tava muito focada em provar a comida do Hugo que ela esqueceu de preparar comida?
A Arleena se lembrou do sabor delicioso do bife de carne do Hugo. Por alguma razão, quando se lembrou disso, a Arleena teve vontade de levar o bife de carne do Hugo pro escritório. No entanto, como ela já tinha falado uma frase provocadora pro Hugo, pareceu que seria difícil fazer isso.
"Ah, droga," a Arleena resmungou enquanto apoiava a testa usando as duas palmas das mãos. Um sentimento repentino de arrependimento surgiu. "Se não fosse o Hugo que cozinhou aquele bife, eu ia elogiar sem parar. Já que foi do Hugo, é difícil pra mim expressar meus sentimentos."
Sem que a Arleena soubesse, a colega de trabalho dela à direita - que tinha acabado de chegar na estação de trabalho - estava assistindo com espanto. Ela tava confusa porque a Arleena parecia uma pessoa frustrada.
"Se não fosse o Hugo... aish, não tem mais ninguém que possa fazer bifes de carne como ele?" reclamou a Arleena, que escondeu o rosto atrás das palmas das mãos.
"Arleena, tá tudo bem?"
O corpo da Arleena se assustou depois de ouvir a repreensão da colega de trabalho ao lado dela. A Arleena ficou ao mesmo tempo envergonhada e confusa.
"Aí, ah... eu... tô bem," respondeu a Arleena, dando um sorriso sem jeito. A Arleena endireitou devagar a posição dela sentada enquanto ria. "Desde quando você tá do meu lado, Merliana?"
"Desde que você tava reclamando do bife," respondeu a Merliana. Ainda tinha um traço de confusão no rosto dela.
"Ah, bifes de carne," murmurou a Arleena. De repente ela foi atingida pela vergonha. "É verdade. É que... eu quero muito um bife de carne feito especialmente por alguém."
"Alguém? Você acabou de experimentar o bife de carne que foi feito especialmente pra você?" a Merliana então arregalou o sorriso ignorante dela e se aproximou da Arleena. "Quem? Me conta, quem fez pra você-"
"Qualquer um!" disse a Arleena, cortando a Merliana. O sorriso sem jeito dela continuou largo. "Quer dizer, podia ser um chef famoso. Eu tava assistindo um programa de culinária ontem."
A Merliana então estalou um dedo. "Ah, eu sei! Você não deve conhecer o restaurante que acabou de abrir faz três dias, né? É do outro lado da rua desse prédio. É só ir lá."
A Arleena na verdade só tava falando como álibi. Mas a Arleena percebeu que ela tinha que pegar rapidinho a volta da conversa da Merliana.
"Sério? Esse restaurante serve bifes de carne?" perguntou a Arleena, forçada a entrar na onda pra apoiar o álibi dela.
A Merliana balançou a cabeça. "Claro. É uma casa de bife. Você devia experimentar."
A Arleena balançou a cabeça. Antes dela poder responder, alguém chamou o nome dela.
"Arleena! Você não almoçou ainda?!"
Quando a Arleena virou a cabeça, ela viu o Gabriel vindo correndo na direção dela. O Gabriel parecia muito preocupado ao ver que a Arleena não tinha saído da cadeira de trabalho dela.
"Vamo almoçar agora. A Sessy tá esperando no saguão do escritório," disse o Gabriel, que na hora pegou uma das mãos da Arleena.
O Gabriel balançou a cabeça pra Merliana como um gesto de cumprimento. Enquanto isso, a Arleena foi forçada a se levantar e seguir o Gabriel. Antes de sair, a Arleena também se despediu por meio de um aceno de cabeça de código pra Marliana.
O Gabriel e a Arleena saíram do escritório da divisão da Arleena. Andando pelo corredor com movimentos ágeis e rápidos, o Gabriel teve tempo de olhar primeiro ao redor.
Então o Gabriel parou a Arleena pra contar algo pra ela. O olhar dele pra Arleena tava muito sério.
"Arleena..." o Gabriel pareceu hesitante pra falar algo pra Arleena. "O Justin tá aqui, ele quer te encontrar no saguão desse prédio do escritório."