59. Um Ciúme
Darius andava pra lá e pra cá na frente da casa da Zahra. Ele tinha visto o Dayyan entrando e saindo da casa da Zahra nos últimos dias pra pegar os pedidos. Em poucas horas, o cara tava lá de novo, e depois de ouvir a conversa deles por um tempo, o Dayyan saiu de novo.
Ehsan sempre grudava a orelha na parede perto da garagem pra poder ouvir a Zahra e o Dayyan conversando. Mas às vezes ele só conseguia ouvir as risadas deles.
"Qual foi, mano? Tá indo e vindo que nem ferro?" disse a Zahra, que tava jogando lixo na lixeira perto de onde o Ehsan tava.
"Ah, aqui o lixo, deixa eu jogar fora", respondeu o Ehsan enquanto puxava o saco plástico que a Zahra tava segurando.
A Zahra não conseguiu resistir porque os movimentos do Ehsan eram muito rápidos. Era só lixo, afinal. A Zahra observou o comportamento do Ehsan com a testa franzida.
"Amanhã, é só ligar pro Abang pra pegar o lixo, não suje as mãos da Neng Zahra."
"É normal, mano. Todo dia minhas mãos já ficam sujas segurando pratos e utensílios de cozinha usados. O Ehsan não trabalha?" perguntou a Zahra.
A mãe dela tinha dito que o Ehsan era o encarregado da construção. Mas a Zahra via o Ehsan sentado na frente da casa dele quase todo dia. Na verdade, a Zahra tava um pouco incomodada com a presença do Ehsan, como se ele fosse o guardião do lugar onde ela fazia a comida. Mas de novo, a mãe dela disse que era só temporário. Quando o projeto do Ehsan começasse, ele ia embora.
"Ainda não, Neng. Também tô esperando notícias do meu chefe, quando o projeto de construção do hotel começar, a Neng Zahra vai sentir minha falta." O Ehsan deu uma risadinha. A Zahra entrou, franzindo a testa com a confiança do Ehsan, que já tava num nível alarmante.
"Astaghfirullah", ela sussurrou, percebendo o que tinha acabado de pensar.
"Eu não deveria menosprezar as criaturas de Allah", ela murmurou baixinho.
"A Zahra expulsou o gato lá na frente? É muito chato que o gato já foi expulso tantas vezes e ainda volta. Ele gosta de roubar comida, mesmo que a mamãe já tenha dado comida", disse a Adisty quando ouviu o murmúrio da Zahra.
"Não, gatos são criaturas de Deus que ainda têm sua fofura, isso é diferente, Adisty", disse a Zahra simplesmente.
"Eu tava sentindo a umi quando vi o Ehsan lá fora. Ele não consegue se livrar dos gatos de rua?" Mursida se meteu.
"Medo de ser arranhado, Umi. O gato de rua com a pelagem laranja é tão teimoso. A mãe da Adisty fica brava com eles porque eles não parecem ter medo dos humanos. Quando ela dá comida, eles voltam de novo. Se eles vêm, vão direto pra mesa de jantar, hein... que falta de educação!"
A Zahra riu da conversa que já tava rolando. Com o passar do dia, o pedido de dez caixas de nasi uduk tava pronto.
"Finalmente acabou." Adhisty segurou a cintura e rodou os ombros pra direita e pra esquerda pra alongar os músculos da cintura e do pescoço.
"Aqui a crocância, deixa a Zahra colocar. Você descansa primeiro, Dis." A Adisty estendeu uma sacola grande pra Zahra.
Um momento depois, o Dayyan chegou depois de entregar o primeiro pedido.
"Umi, ainda tem o nasi uduk?" perguntou a Zahra.
"Ainda tá na mesa de jantar. Também ainda tenho os acompanhamentos pro almoço da Adisty e da Rike."
"Ainda tem bastante." A Zahra respondeu à Mursida, que tava dando uma olhada pra ela. A Zahra pegou um prato e pegou um prato de nasi uduk. A Mursida achou que o arroz era pra Zahra comer, então ignorou. A Zahra imediatamente levou o arroz pra frente.
"Uau, parece que foi bem longe perto do GOR, mas o Mas Dayyan voltou muito rápido."
"Sim, senhora. Tem uma estrada de rato, então não tem trânsito."
"Hmm, entendi. Se você souber todas as estradas de rato, acho que todos os pedidos vão chegar antes de esfriar", disse a Zahra enquanto entregava um prato de nasi uduk.
"Vou tentar, senhora. Pelo menos as estradas de rato também podem economizar gasolina, então os clientes ficam felizes que seus pedidos chegam rápido, e eu também fico feliz porque não desperdiço gasolina." A Zahra sorriu.
Ela não esperava que o Dayyan levasse tudo em consideração, mesmo quando se tratava de gasolina. Isso deve ser porque o Dayyan tá trabalhando duro pra juntar rúpias aos poucos pras despesas médicas da filha dele. A Zahra ficou feliz que o homem na frente dela fosse um homem responsável pela família.
Não só responsável pela família, mas também pelo trabalho. O Dayyan sempre chegava meia hora antes do que ela pedia. Toda vez que ele era questionado, a resposta do Dayyan a deixava boquiaberta.
"A gente nunca sabe quais obstáculos vão estar no caminho. Se eu sair de casa cedo e chegar aqui cedo, vai aliviar um pouco as preocupações da Srta. Zahra." A Zahra sorriu de novo.
A resposta do Dayyan é muito comum. O que o Dayyan quis dizer é que ele tava preocupado em como levar a comida pros clientes o mais rápido possível. Se o Dayyan chegasse atrasado, a Zahra ia achar que o Dayyan tinha outra coisa pra fazer ou algo assim.
Mas pra Zahra, a preocupação era real. Se o Dayyan demorasse um pouco pra voltar pra casa depois de entregar a comida, por alguma razão ela ficava secretamente ansiosa, e com medo de que algo ruim pudesse acontecer com o Ehsan.
Não, não era sobre se preocupar com a comida sendo entregue tarde, mas se preocupar se o homem fosse de repente atingido por um obstáculo inevitável. A Zahra não queria que o Dayyan se machucasse.
A Zahra e o Ehsan não perceberam que tinha uma orelha encostada na parede. O Ehsan fechou as mãos em punhos enquanto ouvia o que ele achava que era uma conversa incomum.
"Aquele motoboy tá mesmo procurando encrenca comigo. Ele não sabe que a Zahra é minha futura esposa. Como ousa falar tão perto da futura esposa do Chefe Ehsan."
O Ehsan tava furioso porque a Zahra nunca tinha demonstrado nenhum interesse nele. Ele sempre quis conhecer melhor a Zahra. Agora a Zahra tava até sendo combinada com ele. Isso significava que ele tinha mais direitos sobre a Zahra.
À noite, o Ehsan encontrou a Mursida na sala. "Umi, tem algum motoboy fixo indicado pela Neng Zahra agora?"
"Um motoboy fixo? Umi não presta atenção, Ehsan. Todo dia tem dúzias de motoboys vindo, como Umi pode memorizá-los?"
"Então você realmente não conhece o motoboy que conversa com a Neng Zahra todo dia?" Ehsan insistiu.
"Umi trabalha na cozinha, não na frente. Então eu não sei. Além disso, é normal a Zahra conversar com um motoboy fixo. Deve ter algo especial, por exemplo, sobre uma anotação, ou pagar em dinheiro. Isso é normal", disse Mursida.
"Umi, de verdade, saia um pouco. Veja a Calista conversando com o motoboy com a moto alta, Umi." Mursida pensou por um momento.
"A sensação é que todos os motoboys que vêm usam motos altas. Não tem motos baixas, isso são bentor - mototáxis. Mursida coçou o lenço na cabeça.
"Umi vai ver com os próprios olhos amanhã se não acreditar em mim, Neng Zahra, especialmente se o motoboy for imediatamente amigável." O Ehsan tava um pouco irritado. "Quer dizer que todo esse tempo a Zahra não foi amigável?" A voz de Mursida subiu um pouco.
"Não é isso, Umi. É precisamente porque a Neng Zahra é muito amigável, tenho medo que esse homem ache que a Neng Zahra é..." O Ehsan cancelou sua frase quando viu a Mursida olhando fixamente pra ele.