18. Parece Tão Certo
Alfa Callum ainda tava acordadão, mesmo já passando da meia-noite. Clarice tava dormindo feito pedra do lado dele, roncando suave.
Apesar da felicidade que ele sentiu depois que Clarice deu um trato nele, ele não conseguia dormir. Era pra ele evitar se deixar levar pelo charme da Clarice. Mas, tipo, eles são almas gêmeas, então ele não conseguia ignorar a atração que sentiam um pelo outro.
É muita furada ficar no mesmo quarto que ela. O lance de almas gêmeas deles é forte demais, e consome os dois. E agora eles cometeram o maior erro da vida deles, se reconectando de novo. Vai ser muito difícil se evitar a partir de agora.
Ele ficou olhando pro teto, pensando em como resolver essa parada?
Se ele confessasse pra esposa que ele tinha se reaproximado da alma gêmea dele ultimamente, e que eles tinham um filho juntos, será que Viviana ia aceitar Clarice?
Ele não tinha certeza.
Pelo jeito esquentado da esposa dele, ele tava com medo da Viviana não ser tão compreensiva quanto Clarice.
Ele tava se sentindo culpado agora. Foi a primeira vez que ele traiu a esposa com a alma gêmea dele. Por mais que ele quisesse contar pra esposa sobre a Clarice e o filho dele, ainda não era a hora certa pra confessar.
Com um suspiro pesado, ele levantou da cama devagar. Ele apagou a luz, voltou pra cama e fechou os olhos, tentando dormir mesmo que fosse por umas horinhas.
Ele foi entrando no mundo dos sonhos aos poucos e acordou às 5:30 da manhã. Ele deu um beijo na cabeça da Clarice e saiu da cama. Ele ficou do lado da cama, olhando pra cara dela com carinho por uns minutinhos. Depois de olhar bastante pra ela, ele se teleportou de volta pra fazenda.
Ele apareceu na sala da fazenda e sentou no sofá, sem nem se preocupar em ir pro quarto deles lá em cima com a esposa. Ele ouviu um barulho vindo da cozinha. Ele foi ver quem tava acordado tão cedo. Ele encontrou o Vovô Eliezer na cozinha, fazendo café. Ele foi se juntar a ele na mesa.
Vovô Eliezer olhou pra ele com uma sobrancelha levantada. "Por que você acordou cedo?"
Alfa Callum sentou na cadeira numa boa, respirando fundo. "Eu e minha esposa brigamos ontem à noite. Eu dormi em outro lugar..." ele explicou, fugindo do olhar curioso.
Vovô Eliezer fez outra xícara de café e colocou na frente dele. "Toma, bebe um cafézinho", ele falou. "Então, onde você dormiu ontem à noite?"
Ele ficou de boca fechada. Ele não podia contar que tinha passado a noite com a Clarice na casa alugada. Eles tinham ficado íntimos e foi tão bom.
Vovô Eliezer afundou na cadeira e tomou um gole de café. "Tudo bem, não precisa me responder onde você dormiu ontem à noite. Por que você não sobe pro quarto com sua esposa e faz as pazes com ela?" ele sugeriu.
Ele balançou a cabeça. "Não. Tenho certeza que quando ela acordar hoje, vai continuar me enchendo o saco, então vou pra casa e cumprir meus deveres de Alfa. Eu volto à noite depois que ela se acalmar", ele falou. "Não consigo aturar ela me enchendo o saco tão cedo. Me dá dor de cabeça", ele acrescentou com uma careta.
Vovô Eliezer assentiu. "Ok. Eu vou dizer pra ela que você volta hoje à noite."
"Obrigado, Vovô Eliezer." Alfa Callum tomou um gole de café, com uma expressão sombria no rosto.
Vovô Eliezer ficou estudando a cara do Callum o tempo todo.
Depois que Alfa Callum terminou de tomar o café, ele se levantou. "Obrigado pelo café, Vovô Eliezer. Já vou indo. Até mais tarde."
Vovô Eliezer assentiu. "Ok. Até mais tarde, filho."
Alfa Callum voltou pra sala e, de lá, se teleportou de volta pra mansão dele.
Vovô Eliezer ficou sozinho na mesa, tomando café, pensando onde o Callum tinha dormido na noite passada. Ele desconfiava que ele tinha visitado a Clarice na casa alugada e passado a noite lá.
Ele balançou a cabeça.
Tempestades estão chegando, viu.
Depois que ele terminou de tomar o café, ele saiu da cozinha e foi pra fora regar a horta que ele e a Lorey começaram a cultivar umas semanas atrás.
Três horas depois.
Luna Viviana acordou sozinha na cama. A cara dela fechou, irritada porque o marido dela não tinha dormido com ela no quarto na noite passada. Mais um dia tinha começado, e o marido dela já tinha deixado ela furiosa.
Droga de cara!
Onde ele dormiu ontem à noite?
Com as narinas infladas, ela saiu da cama, entrou no banheiro e fez a rotina dela de manhã. Depois, ela saiu do quarto e desceu pra procurar o velho. Ela ia interrogar ele hoje. Talvez ele soubesse alguma coisa sobre o marido dela que ela não sabia.
Ela encontrou o velho regando as fileiras da horta que ficava a uns metros da casa. "Vovô, bom dia", ela o cumprimentou com um sorriso.
"Bom dia", Vovô Eliezer respondeu com um sorriso.
"Hmm, cadê o Alfa Callum? Ele voltou aqui hoje de manhã? A gente brigou ontem à noite, e ele me deixou sozinha", ela explicou, com uma cara triste.
"Sim. Ele veio aqui de manhã e tomou café comigo. Aí ele pediu pra eu te avisar que ele vai voltar pra mansão pra cuidar de uns assuntos importantes que precisam da atenção dele. Aí ele volta aqui à noite pra ficar com você", Vovô Eliezer respondeu.
"Ok." Luna Viviana mordeu o lábio com raiva. Ela precisava perguntar pra ele agora. "Hum, o meu marido trouxe alguma mulher aqui? Ele mencionou o nome de alguém ultimamente? Tipo, nome de mulher?" ela perguntou, tentando pescar alguma informação.
Vovô Eliezer balançou a cabeça. "Ele não mencionou o nome de nenhuma outra mulher toda vez que a gente conversou. Por quê? Você tá desconfiando que ele tá tendo um caso pelas suas costas?" ele perguntou, se sentindo culpado.
Luna Viviana deu de ombros. "Não sei. Ultimamente, ele parece preocupado com alguma coisa. Eu notei umas mudanças nele que eu não consigo explicar com palavras. Por isso que eu tô te perguntando se ele trouxe alguma mulher aqui? Ou se ele mencionou o nome de alguma mulher sem querer pra você? Tô com medo dele tá vendo outra mulher pelas minhas costas", ela declarou com um tom infeliz.
Vovô Eliezer rapidamente fugiu do olhar observador dela, se ajoelhando no chão, fingindo tirar mato das plantações. "Pergunta pro seu marido hoje à noite, depois que ele voltar. Eu não posso te dizer nada porque eu não sei de nada. Desculpa, querida."
"Não precisa pedir desculpa, Vovô", Luna Viviana falou, indo de volta pra casa.
"Eu já preparei seu café da manhã na cozinha", Vovô Eliezer falou alto.
"Valeu", Luna Viviana respondeu e foi pra cozinha comer o café da manhã.
Enquanto tomava o café e comia o pão com recheio de pasta de presunto, ela tava se perguntando o que fazer pra acalmar a raiva dela?
Ah, ela ia só nadar no lago pra esfriar a cabeça.
Meia hora depois, ela saiu da casa.
"Onde você vai, querida?" Vovô Eliezer perguntou.
"Vou nadar no lago", ela respondeu.
"Cuidado. Evita nadar na parte mais funda do lago, você pode sofrer um acidente", Vovô Eliezer lembrou ela.
"Se eu me afogar no lago, por favor, diga pro meu marido que a culpa é dele por ter me abandonado", ela respondeu com um tom infeliz. Ela se virou e andou depressa pelo caminho que leva ao lago.
Balançando a cabeça, Vovô Eliezer viu a mulher com cara de perturbada sumir da vista dele. "A vida é cheia de surpresas, mesmo", ele murmurou pra si mesmo enquanto continuava tirando mato das raízes das plantas.