108. Nojento!
Depois de uns minutinhos subindo as escadas, as mulheres chegaram no segundo andar.
"A gente vai abrir os dez quartos um por um? Você nem tem as chaves com você?" Clarice perguntou, olhando pras mãos da sua amiga.
Demetria sorriu. "Bobinha, não precisa usar a chave. Como se você não me conhecesse."
"Ah, tá. Entendi." Clarice riu.
Demetria fez um movimento com a mão e uma porta tipo névoa apareceu na parede. "É assim que uma guardiã entra no quarto. Não precisa usar a porta. Além disso, as portas aqui são bem trancadas, então não abrem com uma chave só. Nem dá pra abrir com coisas pesadas ou objetos contundentes. A única maneira de entrar na porta fechada é fazer uma porta invisível na parede e só pessoas com poderes sobrenaturais como eu podem fazer isso."
Clarice murmurou. "Ah, tá, entendi."
"Vamos entrar no quarto." Demetria entrou na porta que tinha acabado de abrir.
Clarice seguiu Demetria pra dentro. O que ela viu dentro do quarto vazio chocou ela. Ela tava esperando um caixão velho no meio do quarto, onde o vampiro estaria, mas ela viu um caixão de vidro transparente. "Uau! Que lindo! Quem é ela?" ela perguntou, olhando pra mulher bonita deitada dentro do caixão, com os olhos fechados, em repouso eterno.
"Essa é a fera vampira Número 10", respondeu Demetria.
"Eles não têm nomes?" Clarice perguntou depois de notar o sinal de número 10 na lateral do caixão.
Demetria respondeu, "Os nomes deles não importam. Os números estão presos ao caixão por uma razão. Não vamos ficar pensando nas razões."
"Qual é o caso dela? Por que ela foi presa aqui e virou uma das feras vampiras abandonadas?" Clarice perguntou.
"A Número 10 entrou em fúria e massacrou a vila inteira, matando todo mundo, incluindo crianças, mulheres, idosos e homens. Não satisfeita, ela foi pra outra vila e aniquilou todas as pessoas lá, então um dos anciãos colocou ela num sono profundo e prendeu ela nessa casa sagrada", explicou Demetria.
Os olhos de Clarice arregalaram de horror. "Oh, por que diabos ela fez isso? Tão chocante. Essa mulher é assustadora e totalmente má!" Ela comentou num tom aterrorizado.
"É, ela é", concordou Demetria.
Clarice balançou a cabeça de espanto por uns minutos.
"Agora vamos pro próximo quarto." Demetria foi pra parede.
Clarice seguiu Demetria. Ela deu uma última olhada no caixão de vidro antes de entrar no próximo quarto.
Quando elas chegaram no próximo quarto, Clarice encarou o cara deitado pacificamente dentro do caixão de vidro. Ele era bonito e jovem, parecendo com a mulher do primeiro quarto. Eles têm semelhanças faciais, aliás, que é uma coisa que ela notou.
"Esse é o Número 9. Ele é muito cruel. Ele tem uma sede insaciável por sangue e podia beber o sangue de 100 pessoas numa noite. Aí ele mata todas as vítimas dele. Ninguém é poupado; homens, mulheres, crianças e até velhos. Ele é famoso como a fera vampira viciada em sangue. Vampiros comuns podem ficar uns dias sem beber sangue e só se alimentam quando precisam, mas esse aqui se alimenta de sangue toda noite sem falhar", explicou Demetria.
"Assustador!" Um arrepio de medo percorreu a espinha de Clarice. "Tão bonito e tão cruel", ela comentou com a voz tremendo.
"É, as aparências enganam às vezes", concordou Demetria. Aí ela adicionou, "O Número 9 e a Número 10 são irmãos."
"O quê?" Clarice exclamou, chocada.
"Sim. Na verdade, todos os prisioneiros aqui são parentes de sangue, eles estão ligados uns aos outros, tanto irmãos quanto primos." Demetria parou por uns segundos, aí continuou com a narração dela. "Eles vêm da mesma linhagem. Eles são uma família de vampiros poderosos que querem dominar o mundo e colocar o mundo de joelhos. Eles não respeitam ordem nem paz. Eles querem governar o mundo e fazer da Terra o playground deles pra satisfazer a ganância e a luxúria por sangue e poder. Um dos guardiões poderosos interveio e decidiu prendê-los todos nessa montanha sagrada antes que eles pudessem causar grandes danos à humanidade", elaborou Demetria.
"Eu fico feliz em saber dessa história nunca antes ouvida", murmurou Clarice, agradecida. Ela quer agradecer aos Guardiões pessoalmente por salvarem o mundo desse bando de monstros ferozes.
"E tem uma coisa importante que você precisa saber..." Demetria adicionou.
"O quê?" Clarice perguntou.
Demetria olhou pro caixão de vidro. "Quer saber quem projetou esse lugar? Quem criou essa obra-prima e lançou o feitiço que fez essa casa e montanha sagradas funcionarem do jeito que funcionam?"
"Quem?" Clarice perguntou, ansiosa pra saber o criador genial dessa montanha misteriosa.
Demetria respondeu, "É ninguém menos que o avô deles, Mortaz, o maior mago vampiro da história dos vampiros. Ele é um dos nossos anciãos e guardiões. Ao contrário desses monstros, o Ancião Mortaz é um vampiro que ama a paz. Ele respeita todos os seres na Terra. Contanto que você seja bom, ele não vai te machucar. Quando os outros reclamaram que os netos dele estavam causando caos e confusão no mundo humano, ele ouviu os apelos deles." Ela fez uma pausa por uns segundos pra recuperar o fôlego.
"O que ele fez?" Clarice perguntou, curiosa.
"Ele lançou uma investigação e ficou chocado com o que descobriu. Ele fez a coisa certa e repreendeu os jovens e avisou eles pra pararem com as atitudes cruéis. Infelizmente, esses monstros não ouviram..." Demetria suspirou profundamente.
"Por favor, continua", Clarice disse, ansiosa pra saber o que ia acontecer depois.
Demetria suspirou. "Ele reuniu a família e os parentes pra festa de aniversário dele, deu pra esses monstros uma poção de vinho misturada com uma substância pra dormir profundamente e aí colocou todos eles em caixões de vidro pra selá-los pra sempre. Ele não conseguiu se forçar a matá-los com as próprias mãos, então prendê-los aqui foi a melhor opção dele. Depois de selá-los nessa montanha, o Vovô Mortaz entrou em reclusão, se sentindo triste e com o coração partido pelo que tinha feito com os netos amados dele."
Clarice sentiu pena da situação do pobre homem. Deve ser difícil pra ele punir a própria linhagem. "Eu sinto muito pelo Vovô Mortaz. Ele fez a coisa certa. Eu admiro ele pelo sacrifício e pela decisão heroica", ela comentou sombriamente.
"A história triste e trágica do Vovô Mortaz e desses monstros maus ainda me assombra até hoje. Triste, não é?" Demetria comentou abatida.
"É, triste mesmo", murmurou Clarice, sentindo pena do Vovô Mortaz, se perguntando onde ele tá agora.
Demetria olhou nos olhos de Clarice. "E você, querida? Você consegue fazer o mesmo? Você consegue sacrificar a sua vida e a de todo mundo pra salvar o mundo desses monstros?" ela perguntou.
Clarice ponderou a pergunta por uns minutos. "Claro, eu vou seguir os passos do Vovô Mortaz", ela respondeu num tom sério.
"Ótimo!" Demetria sorriu, satisfeita com a resposta dela. "Quer saber pra onde vai um pouco do seu sangue além de alimentar o núcleo?"
"Pra onde?" Clarice perguntou curiosa.
"Uma parte do seu sangue foi dada pra esses monstros. O núcleo usa um pouco do seu sangue pra mantê-los vivos, mas não tanto a ponto de acordá-los, impedindo que eles escapem da câmara de hibernação", explicou Demetria.
Clarice engasgou de choque. "Ah... Eu achei que só o núcleo se beneficiava do meu sangue. Eu não esperava que esses monstros também tivessem uma parte do meu sangue", ela disse com receio, chocada demais pra falar.
Demetria deu um tapinha no ombro da sua estagiária gentilmente. "Sim, querida. Isso faz parte do nosso dever como guardiãs. Nosso sangue mantém essa montanha sagrada viva, incluindo os habitantes adormecidos desse lugar."
"Por que a gente não explode essa montanha e manda esses monstros pros infernos?" Clarice sugeriu friamente. "Eu não consigo entender a lógica de preservar a vida deles, já que eles são monstros. Eles merecem morrer!" Ela soltou, ameaçadoramente.
Demetria balançou a cabeça. "Se você explodir essa montanha, você também vai morrer. Nossas vidas como guardiãs estão ligadas a essa montanha. Se esse lugar for destruído, a gente também morre. Lembre-se disso sempre", ela avisou.
"Mas isso é injusto!" Clarice protestou.
Demetria suspirou. "Não tem nada que você possa fazer, querida. O Vovô Mortaz projetou esse lugar do jeito que é. Você não tem escolha a não ser aceitar a responsabilidade e continuar com as suas vidas o mais normalmente possível quando eu for embora."
Clarice fez beicinho e jogou as mãos pro alto em frustração. "Eu realmente não consigo ver a lógica em tudo isso!" ela continuou o discurso dela.
Demetria ficou irritada com o surto da sua estagiária. Ela olhou pra ela com raiva. "Querida, você é geralmente fraca. Considere-se sortuda por ter sido escolhida como uma das guardiãs. É uma grande melhora em relação ao seu eu mais fraco. Pare de reclamar e de mimimizar! Você não pode mais desistir. Tudo já está em andamento. Agora vamos pro próximo quarto."
Clarice fechou a boca e respirou fundo, controlando a raiva dela. Ela seguiu sua mentora pro próximo quarto.
"Esse é o Número 8. Ele é famoso como o empalador de vampiros. Depois de beber o sangue das vítimas dele, ele as empalava com um pau e deixava os corpos apodrecerem ao ar livre pra os corvos comerem. É assim que esse vampiro é selvagem", afirmou Demetria, com a boca se torcendo em desgosto.
"Bastardo cruel!" Clarice soltou ressentida enquanto encarava o cara bonito dentro da proteção de vidro. Ela de repente imaginou ela sendo empalada por essa fera. Parecia dolorosamente doloroso no momento em que o pau penetrava na pele e nos ossos dela. Ela estremeceu depois de imaginar a cena horrível na mente dela.
"Agora vamos pro próximo quarto." Demetria foi pra porta que parecia névoa.
O próximo quarto em que elas entraram tinha dois caixões de vidro dentro.
"Por que tem dois caixões aqui?" Clarice perguntou, confusa.
Demetria se aproximou dos caixões. "Os Números 6 e 7 são gêmeos. Eles sequestravam humanos, drenando o sangue deles e vendendo sangue como suco em latas e garrafas pra vampiros. Aí eles vendiam os corpos pra donos de padarias e restaurantes pra fazerem doces e comidas e vendê-los pra humanos desavisados", ela explicou casualmente, sem pestanejar.
"Eca! Isso é horrível e nojento!" Clarice engasgou. Ela quase vomitou depois de ouvir a narração nauseante de Demetria. "Por favor, pare! Eu não aguento mais. Eu quero ir no banheiro e vomitar. Eu tô tonta. Por favor, me tira daqui!" ela implorou.
"Nossa. Você tem um estômago tão fraco." Demetria sorriu divertida. "Tudo bem, vamos parar por agora. Você pode descansar no seu quarto." Ela fez um movimento com a mão, teleportando elas de volta pro primeiro andar.
No momento em que elas estavam de volta no primeiro andar, Clarice correu pro quarto dela. Ela abriu a porta correndo, correu direto pro banheiro e vomitou na privada.