96. O Segredo da Casa
Uma carranca profunda surgiu na cara da Clarice. "Hã? Do que você tá falando? Não tô te entendendo", ela disse, confusa.
A Demetria sorriu. "Depois de procurar alguém pra me substituir, finalmente achei alguém que era digna do meu poder. Agora, tô disposta a te dar, mas com várias condições..."
"Hã?" A confusão da Clarice ficou maior, mas ela também ficou intrigada com a oferta da Demetria. "Fala, quais são as condições, pra eu herdar seu poder?", ela perguntou.
"Você precisa matar três pessoas ruins, parte do seu ritual de iniciação. Você nunca pode abandonar este lugar. Vai protegê-lo com sua vida e o mais importante é, você nunca vai libertar aqueles vampiros presos nos quartos proibidos lá em cima. Quando eles acordarem, vão soltar o inferno na terra e a vida nunca mais vai ser a mesma pra todo mundo neste mundo", a Demetria finalizou sua longa resposta.
A Clarice engasgou, chocada.
""Querida", existem dois tipos de vampiros neste mundo, os bons e os ruins", a Demetria adicionou.
Os olhos da Clarice arregalaram de choque. "Me conta mais sobre aqueles vampiros hibernando lá em cima", ela disse curiosa, com o coração batendo forte no peito. Ela sentiu que ia descobrir algo assustador hoje.
"Eles são vampiros antigos e poderosos presos neste lugar sagrado longe da civilização porque representam um perigo pra humanidade. Eles querem metade da população do mundo pra virar vampiros e a outra metade como fonte de sangue. Eles querem dominar o mundo e transformar a maioria dos seres humanos em escravos. Os vampiros bons não querem que isso aconteça. Os anciãos vampiros se unem e trancam os vampiros deploráveis nos quartos proibidos no segundo andar", a Demetria explicou.
A Clarice digeriu lentamente a revelação da Demetria com absoluta fascinação. "Por favor, continua..."
"Por gerações, minha família herdou a responsabilidade de guardar esses vampiros. Como não sou casada e não tenho herdeiros pra passar meu legado. Eu escolhi você pra ser minha sucessora, pra ser a guardiã desta casa e guardar esses vampiros hibernando lá em cima. Você deve passar sua responsabilidade pra todos os seus filhos no futuro. Suas linhagens vão carregar e manter essa tarefa importante de geração em geração", a Demetria disse num tom sério.
"Cê tá de sacanagem? Que responsa gigante!" A Clarice disparou em choque e horror. Seu queixo foi pro chão.
"Responsabilidade gigante mesmo. Mas pensa bem, você vai ganhar um poder imenso se aceitar minha oferta", a Demetria sorriu. "Não nega. Sei que você quer muito poder pra punir seus inimigos. Ia ser incrível se você pudesse obter o poder de se proteger e matar todos os seus inimigos com um simples movimento da mão? Pensa nas possibilidades infinitas, "querida". Você não tem nada a perder, só a ganhar."
A Clarice respirou fundo. Seu coração e mente começaram um debate acalorado dentro dela.
Silêncio tenso envolveu a cozinha.
Depois de alguns minutos de silêncio, a Clarice finalmente falou. "Posso voltar pra minha vida antiga se eu aceitar sua oferta? Posso me reunir com minha família?"
"Sim, claro. Você pode visitá-los a qualquer hora, todo dia se quiser. Mas você também precisa lembrar que, uma vez que você se tornar a guardiã desta casa, pode sair todo dia, visitar sua família, mas precisa voltar aqui pra visitar este lugar todo dia, porque assim que a casa sentir que ninguém está guardando mais, a parede desta casa vai começar a rachar, enfraquecendo sua estrutura, e antes que você perceba, os vampiros hibernando vão escapar de seus caixões e soltar o inferno na terra. Você precisa voltar pra este lugar todo dia pra que a casa fique intacta por causa da sua presença", a Demetria disse.
A Clarice franziu a testa. "Você quer dizer que essa casa tá viva?", ela perguntou, espantada.
"É, tipo isso. Como a guardiã da casa, você vai alimentar o núcleo desta casa com seu sangue uma vez por semana. Se você falhar em alimentar o núcleo com seu sangue, essa casa vai começar a desmoronar, e você já sabe o que vai acontecer em seguida", a Demetria avisou.
"Meu Deus!" A Clarice disparou, chocada com a revelação. "Então você tá alimentando a casa com seu sangue o tempo todo?", ela perguntou num tom apavorado.
"Sim. Faz parte da minha responsabilidade. Se você aceitar minha oferta, vou realizar um ritual te ligando à casa, e ela vai te reconhecer como a próxima guardiã", a Demetria explicou.
A Clarice ficou de queixo caído com tudo que aprendeu hoje. Ela tava tendo dificuldade pra processar tudo. Ela achava que obter poder ia ser fácil. Nunca soube que tinha uma responsabilidade gigante envolvida. "Que tal você explodir essa casa em pedacinhos pra aqueles vampiros morrerem? Não precisa mais ser prisioneira nessa casa", ela sugeriu.
"Se eu explodir essa casa, eu também vou morrer, porque sou a guardiã. Faz parte da responsabilidade, não tem como evitar", a Demetria respondeu.
"Isso é aterrorizante!" A Clarice soltou num tom assustado.
"Aterrorizante mesmo, mas quando você se tornar a guardiã desta casa, vai se acostumar com a responsabilidade com o passar dos dias", a Demetria garantiu.
"Hum, ninguém nunca achou esse lugar? Ninguém sabe do segredo assustador que você esconde aqui?" A Clarice perguntou.
A Demetria balançou a cabeça. "Ninguém. Só eu e minha família. E agora você também sabe desse segredo. Isso te faz uma de nós."
Um arrepio percorreu a espinha da Clarice. "Ainda não sou da sua família."
A Demetria sorriu. "Você vai ser uma de nós... um dia", ela disse confiante.
A Clarice mordeu o lábio nervosamente. "Por que ninguém descobriu esse lugar ainda?", ela perguntou.
"Pra sua informação, "querida", se outras pessoas olharem pra essa montanha, não vão ver a casa. Só nós duas sabemos que existe uma casa no topo dessa montanha. Resumindo, essa casa é invisível, não pode ser vista por outros. Espero que entenda agora", a Demetria explicou.
"E se uns alpinistas escalarem essa montanha sem querer quando eu estiver fora de casa visitando minha família? O que vai acontecer?" A Clarice perguntou.
"Não precisa se preocupar com isso. Essa montanha tem um mecanismo de defesa que vai impedir qualquer um de chegar ao topo. Essa montanha vai liberar uma forte rajada de ventos, cobras venenosas, morcegos, formigas e abelhas que vão atacar os alpinistas. Além disso, a casa também vai te alertar se um intruso tentar escalar o topo da montanha. A própria casa vai te alertar por telepatia. É assim que funciona", a Demetria explicou.
Silêncio espesso envolveu a cozinha.
A Demetria quebrou o silêncio, "Tem mais alguma pergunta, "querida"?"
A Clarice limpou o nó na garganta. "Hum, sobre sangue. Posso comprar sangue no banco de sangue? Não quero morder pescoços e beber o sangue das pessoas", ela perguntou.
"Claro, depende tudo de você. Se você quiser satisfazer sua sede com sangue retirado do banco de sangue, sem problemas. Faça como quiser", a Demetria respondeu.
A Clarice estava balançando a cabeça, espantada. "Minha cabeça tá doendo. Posso voltar pro meu quarto agora? Acho que preciso descansar no meu quarto e processar tudo antes de tomar uma decisão", ela disse.
"Claro, você deveria ir pro seu quarto agora. A gente retoma nossa conversa amanhã", a Demetria disse, levantando e saindo da cozinha.
A Clarice se levantou e lavou a louça suja na pia. Depois de terminar suas tarefas na cozinha, ela foi pro quarto e deitou na cama, olhando pro teto enquanto a confusão continuava girando em sua mente, deixando-a ansiosa.
Tem um milhão de motivos pra ela aceitar a oferta da Demetria. Um é que ela vai poder voltar pra casa e também ganhar um poder imenso. No entanto, guardar os vampiros no segundo andar é assustador. E se eles acordarem um dia e se juntarem contra ela? Ela com certeza vai morrer nas mãos deles.
A verdade é que ela não tá tão confiante pra aceitar uma responsabilidade tão pesada. Ela aceitaria o poder de braços abertos, mas hesitou em aceitar a responsabilidade pesada associada ao poder.
As coisas sobre essa casa são fascinantes e, ao mesmo tempo, aterrorizantes, explodindo sua mente. A responsabilidade gigante associada à obtenção de um poder imenso a assustou.
Ela não acha que vai estar mentalmente e fisicamente pronta pra tudo.
Ugh, sua cabeça tá doendo de tanto pensar!
Ela massageou a têmpora e respirou fundo, tentando estabilizar sua mente caótica.
Amanhã, se a Demetria perguntar se ela tá pronta pra aceitar a responsabilidade gigante, ela vai dizer que ainda precisa de mais alguns dias pra decidir.
Sinceramente, é difícil decidir agora. Seu coração e mente são uma grande bagunça. O poder que ela vai herdar da Demetria tem um preço alto.
Se ela aceitar a responsabilidade gigante, sua vida nunca mais vai ser a mesma!
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