63. Nem todo mundo é como você
~Mansão do Alfa Bruce~
Uns dias depois...
Aurélia tava relaxando perto da piscina quando o Kaspar chegou e se jogou na espreguiçadeira vaga do lado dela.
"O meu marido foi?" A Aurélia perguntou, tomando um gole do seu vinho Chardonnay favorito.
"Foi," o Kaspar respondeu, sorrindo, pegando a garrafa de vinho e botando o líquido no copo vazio.
"Você tava com uma cara de preocupada quando chegou. No que você tá pensando?" O Kaspar perguntou, tomando um gole do vinho. "Você ainda não conseguiu esquecer a sua suspeita de que a noiva misteriosa que não quis tirar o véu pra você no dia do casamento era a sua ex-melhor amiga Clarice?"
"Sim," a Aurélia respondeu, balançando a cabeça. "Eu senti a vibe da Clarice nela. Eu simplesmente não consigo tirar essa sensação da cabeça. Fica martelando, me consumindo por dentro. Eu preciso ver ela de novo pra provar pra mim mesma que eu tô errada. Essa é a única forma de ter paz de espírito."
O Kaspar sacode a cabeça. "Não viaja. Se ela for mesmo a Clarice, ela já começou uma guerra contra o Bando Bloodhound, já que o marido dela é o líder famoso do bando de renegados. Você acha que ela vai ficar quieta depois do que a gente fez com ela?"
A Aurélia respirou fundo, uma sensação estranha pegou o coração dela. Ela tava inquieta por dentro. "E se eu estiver certa? E se ela for mesmo a Clarice, e só tava esperando a hora certa pra se vingar da gente?" ela soltou, ansiosa. "A gente tinha que tomar a iniciativa antes que ela faça mal pra gente."
O Kaspar suspirou. "Você se preocupa demais. Pelo que eu sei, apesar do Alfa Callum do bando Savage Howl ter uma reputação de selvagem, na real ele é um líder que gosta de paz e não quer começar uma guerra com ninguém. Por isso, a gente tá seguro. Então para de se preocupar com isso. Você tá se matando de estresse. A Clarice nunca mais vai se levantar depois do estrago que a gente fez. A gente quebrou o espírito dela. Ela não vai conseguir sobreviver ao veneno que eu botei no corpo dela," ele garantiu mil vezes.
A Aurélia olhou pra ele com firmeza. "Você tem certeza que ela não vai sobreviver ao veneno que você deu pra ela?"
"Eu dou pra ela uns meses pra viver na dor e na miséria, e depois ela vai morrer numa morte dolorosa," ele disse confiante.
"Mas como ninguém achou o corpo dela? A gente não ouviu nenhuma notícia sobre o desaparecimento dela. Isso me incomoda todo dia," a Aurélia falou nervosa. "O que eu mais tenho medo é... e se ela foi salva por um curandeiro poderoso e tá se recuperando em alguma caverna na selva, e vai voltar aqui pra fazer a gente pagar pelo crime que a gente cometeu contra ela? Eu tenho pesadelos recorrentes por causa dela," ela falou com uma voz cheia de ansiedade.
O Kaspar revirou os olhos, tomando um gole do vinho. "Você se preocupa demais. É só a sua imaginação fértil te dando pesadelos. Para de pensar na Clarice e aproveita a vida sem preocupações," ele falou calmo.
"Eu não consigo. Eu só quero ver a Clarice morta com meus próprios olhos!" A Aurélia falou aflita. "Até agora, a gente não resolveu o mistério de como a Clarice e a Lorey sumiram sem deixar rastros? Ninguém viu elas irem embora. Quem ajudou elas a fugir daqui? Você já pensou na possibilidade da gente ter um inimigo escondido além da Clarice?"
Depois de ouvir o medo da Aurélia, o Kaspar entrou em pensamentos profundos, analisando todos os acontecimentos do passado na cabeça dele.
A Aurélia ficou irritada porque o Kaspar tava ignorando ela. "Você tá me ouvindo? Quem você acha que é a pessoa que ajudou a Clarice e a Lorey a fugir dessa mansão?"
O Kaspar direcionou a atenção dele pra Aurélia. "Eu não sei. Só sei que a Clarice tava muito fraca na época do seu casamento, e o veneno que eu dei pra ela era tóxico. Ela não ia durar um dia, não importa o quão forte fosse o corpo dela. Por isso, eu posso concluir que alguém levou ela embora enquanto todo mundo tava ocupado com os preparativos do casamento. E a pergunta é, quem tem a coragem de salvar uma mulher morrendo? Foi um trabalho interno ou a ajuda veio de fora?" ele perguntou.
"Ninguém ia ajudar ela porque a gente falou pra todo mundo que ela era portadora de uma doença infecciosa, e eles iam ter medo de chegar perto dela e se infectar. Então deve ser de fora, um parente distante, um amigo ou alguém que a gente ainda não conheceu. O salvador dela podia ser qualquer um. A gente não sabe com certeza quem é essa pessoa," a Aurélia falou confusa, com uma expressão preocupada no rosto.
"Beleza, já que a gente não sabe quem tá ajudando a Clarice, a gente vai dobrar o número de guarda-costas quando sair. Pra ficar seguro, a gente vai limitar o tempo que a gente passa fora pra evitar que a Clarice se vingue da gente," o Kaspar sugeriu.
"Covarde!" A Aurélia sibilou com raiva na cara dele.
O Kaspar ficou chocado com a explosão dela. "O que eu fiz? Por que você tá brava comigo de repente?" ele perguntou intrigado.
"Se você só ficar aqui e não fizer nada, beleza! Eu vou lá fora e descobrir a verdade! Eu não posso só ficar parada e esperar a minha morte. Se a Clarice sobreviver por um milagre, a gente tem que achar ela e matar ela antes que ela mate a gente!" A Aurélia falou, com os olhos brilhando de maldade.
"Lá vamos nós de novo," o Kaspar suspirou, revirando os olhos.
A Aurélia olhou pra ele com raiva. "Do que você tá reclamando?"
O Kaspar deu de ombros. "Nada. Você é uma preocupada. É disso que eu tô reclamando."
"Você não pode me culpar, o caixão que a gente enterrou no cemitério tá vazio. Meu instinto diz que a Clarice ainda tá por aí, viva e saudável. Eu sinto! E a noiva misteriosa do Alfa Callum me deu uma vibe Clarice, principalmente a voz dela. Quando ela se recusou a tirar o véu, minhas suspeitas aumentaram. A gente precisa ver a cara dela!" ela insistiu, com uma expressão determinada no rosto.
O Kaspar soltou um suspiro. "Você já mandou o convite pra ela. Tenho certeza que ela vai responder logo. Depois de encontrar a noiva, e se a sua suspeita estiver errada, você finalmente pode parar de se preocupar com essa besteira toda," ele falou cansado.
A Aurélia direcionou a atenção dela pras árvores que cercam a piscina. Ela não conseguia acalmar a sensação estranha no estômago depois de conhecer aquela noiva misteriosa cuja voz fazia ela lembrar tanto da Clarice.
A mente do Kaspar e da Aurélia estavam ocupadas, pensando no que tinha acontecido com a Clarice durante todo esse tempo.
O silêncio pesava no ar.
Uma empregada chegou na área da piscina e entregou pra Aurélia um envelope branco. "Lua, chegou uma carta pra você."
"Pode ir," a Aurélia dispensou a empregada com um gesto da mão depois de aceitar o envelope branco com o selo do Bando Savage Howl. Ela abriu na hora, curiosa pra saber o que tinha na mensagem.
"É isso!" A Aurélia falou, balançando a carta na cara do Kaspar.
Ele respondeu rápido, "Lê em voz alta."
No momento em que a Aurélia leu a mensagem, a cara dela fechou.
"O que aconteceu?" ele perguntou.
Os olhos da Aurélia brilharam de fúria. Ela se sentiu insultada. "Droga! Que absurdo! Ela se recusou a ir na reunião da Associação Luna. Ela explicou na carta que não queria ser membro da associação e não tava interessada no meu convite. Que mulher burra! Como ela pode perder uma coisa tão importante? Todas as Lunas estão desesperadas pra serem convidadas e querem competir pela posição de Lua Suprema!" ela exclamou, com as narinas se abrindo.
"Calma, nem todo mundo é como você," o Kaspar falou, irritando ainda mais a Aurélia.
Ela olhou pra ele com raiva. "Essa carta significa que a mulher tem medo de me ver porque tem medo de que o segredo dela seja revelado pra todo mundo, que ela é a Clarice. Tenho certeza disso agora. Eu quero ver a cara dela com meus próprios olhos!" ela insistiu com veemência.
"Você não vê? Essa mulher não gosta de você e não quer ser associada a você e a toda a Associação Luna. Então deixa ela pra lá, para de importunar ela," o Kaspar interrompeu. "Para de procurar encrenca!"
A Aurélia ignorou a bronca do Kaspar, fervendo de raiva.
Uns minutos depois...
A Aurélia começou a sorrir maldosamente depois que uma ideia brilhante surgiu na cabeça dela. "Eu já sei como encontrar essa mulher cara a cara. Já tenho um plano."
"Como você vai fazer isso? Você vai invadir a mansão do Alfa Callum e criar o caos lá? Você não tem medo que eles te matem por invadir?" O Kaspar avisou ela contra agir com ideias estúpidas que ela tinha inventado na cabeça dela.
"Eu tenho uns truques na manga." A Aurélia riu, divertida. "Pra sua informação, tem várias formas de matar uma galinha,