90. Surpresa Para Você!
Um mês depois.
Clarice tava tomando café da manhã na sala de jantar, com lágrimas escorrendo pelas bochechas quando Demetria chegou. Ela tava triste e completamente sem esperança na situação dela. O coração dela tava quebrando por dentro. Ela tava lutando com a saúde mental dela. Achava que ia morrer de desgosto e solidão a qualquer momento. Ela nem se preocupou em esconder as lágrimas nos olhos. Queria que o mundo visse como a vida dela tinha ficado solitária e horrível depois que virou prisioneira da Demetria, sem querer.
"Por que você tá chorando, querida?" Demetria perguntou numa boa, pegando um biscoito e começando a comer. Ela já sentia o drama rolando nos olhos da Clarice. Pra ela, a Clarice era só uma sugadora de sangue, mas às vezes não conseguia evitar. Ela queria ajudar a Clarice, do jeitinho dela.
Clarice olhou pra ela e respondeu tristemente: "Sinto tanta falta do meu marido e do meu filho!" Ela soltou em desespero, uma cachoeira de lágrimas saiu dos olhos dela. Não conseguiu esconder o sofrimento que sentia por dentro. Queria poder tocar o coração frio da Demetria com as lágrimas dela.
Demetria parou de comer o biscoito e colocou no prato. "Ah, querida, por que ainda tá triste? Esse lugar é perfeito. Já te dei tudo o que você precisa, começando pela comida que você quer comer e todas as coisas materiais que você precisa pra você. O que mais você quer?" ela perguntou.
"Tudo que você me dá não me traz felicidade. Quero ir pra casa, pra minha família! Quero me reunir com eles!" Clarice gritou com raiva, numa frustração total, desesperada pra fazer a vampira ouvir o pedido dela.
Demetria suspirou de saco cheio. "Quer se reunir com sua família? Tudo bem, vou trazer eles pra cá pra você ficar feliz," ela disse, se levantando.
Clarice olhou pra ela incrédula. "Não! Não é isso que eu quero! Não traga eles pra cá! Me liberte pra eu poder voltar pra minha família em segurança!" ela gritou furiosa. A voz alta e frustrada dela vibrou dentro da sala de jantar.
Demetria olhou pra prisioneira com desprezo e cortou ela. "Controle sua voz! Não te dou o direito de levantar a voz pra mim. Você esqueceu que eu salvei sua vida! Sem mim, você já estaria morta! Então aprenda a respeitar quem salvou sua vida!" ela repreendeu.
Clarice soluçou histericamente. A vontade de comer já tinha ido embora faz tempo. "Me sinto tão triste e miserável aqui. Podia muito bem me matar!" Ela chorou em desespero.
Demetria suspirou. "O que você realmente quer? Quer sua família? Posso te dar eles a qualquer hora. É só dizer sim e eu faço. Não insista no seu jeito, porque eu sempre faço as coisas do meu jeito e ninguém pode mudar isso. Seja grata por eu estar sendo boazinha com você e tolerando suas birras. Se eu fosse como outras vampiras, você já teria morrido faz tempo. Então nunca ultrapasse meus limites. Não posso ser legal com você o tempo todo," ela avisou.
Clarice mordeu o lábio, se forçando a não chorar mais. Demetria tem lados bons e ruins. A explosão dela podia desencadear o lado ruim, e ela podia morrer antes de sair desse lugar. Ela ainda tem aquela vontade de se reunir com a família um dia. A pergunta continua: como ela pode escapar da sua captora super possessiva?
Demetria ficou satisfeita quando Clarice finalmente parou de chorar. "Gosto mais quando você não tem ataques de fúria. Esse lugar é quieto e tranquilo se você não levanta a voz. Podemos ficar assim pra sempre," ela filosofou.
Clarice olhou pra ela com raiva. "Essa é a vida que você quer pra você, mas e eu?"
"Essa também é a vida que você quer, né? Vida tranquila, segura de gente ruim e sem problemas com nada. Por que você não consegue ficar satisfeita?" Demetria perguntou irritada.
Clarice balança a cabeça, angustiada. Não importa o que ela diga ou faça, a captora dela nunca vai entender os sentimentos dela. Nos olhos da Demetria, ela é só uma ninguém e as palavras dela não têm valor.
Demetria sempre foi a chefe entre as duas, e Clarice tem que obedecer as regras dela porque foi salva por ela.
Ela nunca vai ganhar nas discussões delas.
"Por que você não responde minha pergunta, Clarice?" Demetria cortou, irritada que ela tinha feito uma pergunta e a Clarice fingiu que não tinha ouvido. É tipo um ato de desafio, irritando ela ainda mais.
Clarice foi forçada a responder. "É, sua vida aqui é tranquila e segura, mas eu prefiro a vida que tenho com minha família em casa."
Demetria deu de ombros. "Seja como for, você não pode sair desse lugar de qualquer jeito. Quanto à minha oferta de sua família se mudar pra cá, ainda tá valendo pra você não me rotular como uma mestra cruel."
Clarice olhou pra ela com firmeza. "Queria saber o que tá acontecendo com minha família agora," ela disse com fervor. "Queria poder falar com meu marido e meu filho e dizer pra eles que ainda tô viva, e que vou voltar pra casa em breve," ela disse e voltou a comer a comida no prato, ignorando a mestra cruel dela.
Demetria revirou os olhos. "Essa é uma coisa que eu não entendo em você, querida. Te dei a chance de se reunir com sua família, mas você recusou a oferta com unhas e dentes. Você é impossível! Tá me deixando louca!"
Clarice suspirou, irritada que Demetria ainda se recusava a entender o motivo dela até agora. "Não quero que você traga minha família pra cá, porque eles também vão virar seus prisioneiros. Não quero que eles sofram e fiquem inquietos, e um dia eles pulem pra morte por desespero. Não quero que nada disso aconteça e essa é uma coisa que você não entende porque você nunca esteve no meu lugar!" ela disse bruscamente.
Demetria estava balançando a cabeça em exasperação. "Não consigo te entender! Você é difícil de entender!"
"Você também! Você é difícil de entender!" Clarice retrucou.
Elas tiveram um confronto de olhares que durou uns minutos.
Demetria se levantou de repente. "Já que você é enrolada, vou trazer seu marido e seu filho pra cá pra você entender de verdade o que você realmente quer!"
Demetria saiu da sala de jantar num piscar de olhos.
"WTF?" Clarice ficou chocada, abalada até o âmago. Que porra é essa? A Demetria tá falando sério? Sequestrar o marido e o filho dela e trazer pra cá sem o consentimento dela?
Atordoada, ela fechou os olhos. O coração dela bateu mais rápido na caixa torácica.
Aquela vampira impulsiva tá jogando um jogo mental com ela de novo!
Demetria tá em vantagem. Ela é uma vampira poderosa, e Clarice era só uma loba comum. Por que diabos os caminhos delas se cruzaram? Clarice tava tendo dificuldade em lidar com a natureza irritante e impulsiva da Demetria. Por que ela tá tornando a vida dela tão complicada?
Por quê?
Bem quando ela achou que tinha terminado de chorar, lágrimas encheram os olhos dela e ela começou a soluçar forte de novo. Sentimentos de tormento e angústia extrema encheram o coração dela, sufocando-a.
Ela sofreu demais emocional e mentalmente no lugar da Demetria. Queria voltar pra vida antiga e retomar de onde parou. Ela queria que as férias no cruzeiro nunca tivessem acontecido. Se pudesse voltar no tempo, ela nunca embarcaria nas férias naquele cruzeiro que causou um pesadelo sem fim.
A viagem no cruzeiro é uma coisa que ela quer apagar da vida dela.
Mas é tarde demais pra isso. Agora ela tá numa situação difícil da qual não consegue sair. A má sorte dela não tem fim.
Ela se levantou e pegou a louça suja e levou pra pia na cozinha. As lágrimas ainda estavam rolando pelo rosto dela enquanto ela lavava a louça suja.
Ela mordeu o lábio inferior em total desespero.
A vida tem que continuar, não importa o que aconteça!
Depois de terminar as tarefas na cozinha, ela foi pra fora da casa e ficou olhando o horizonte, vendo as gaivotas voarem sobre a superfície da água pra pegar uns peixes. A atmosfera tranquila ao redor dela era como uma coberta quente, enchendo o coração e a mente dela com calma.
Esse lugar é perfeito pra relaxar e meditar. Pena que ela não tá aqui pra curtir essas coisas e apreciar a essência delas. Ela tá aqui porque foi presa contra a vontade dela!
A ironia da situação dela é demais pra suportar pra sua mente cansada. Ela tá ficando louca toda vez que pensa na situação dela.
Ela sentou na cadeira e deixou a paz e a solidão tomarem conta dela, cobrindo sua alma com uma falsa sensação de segurança. Ela fechou os olhos, acalmando suas emoções turbulentas.
Ela tava desesperadamente esperando que a Demetria estivesse só brincando de raiva. Sabia, no fundo, que a Demetria não ia trazer a família dela pra cá sem o consentimento dela!
Mas e se a Demetria fizer isso?
O que ela vai fazer quando vir o marido e o filho na frente dela? Ela aceitaria o presente? Ou vai implorar pra Demetria devolver sua família pra casa, onde eles realmente pertencem?
Qual é qual?
Horas agonizantes se passaram.
Chegou a hora do almoço e a Demetria ainda não tinha voltado. Ela começou a se preocupar.
A tarde toda passou como uma névoa, ainda sem sinal da Demetria. Ela ficou cada vez mais tensa e agitada. Conhecia a Demetria muito bem. Ela adora brincar com as emoções dela. Desta vez, ela torturou Clarice com uma intensa antecipação.
A noite chegou e a espera sem fim da Clarice finalmente terminou. Demetria entrou na casa, parecendo a rainha das trevas, com uma capa escura esvoaçando nas costas.
Clarice se levantou em antecipação, sentindo alívio e ao mesmo tempo decepcionada por Demetria não ter trazido o marido e o filho com ela ao voltar.
"Tenho boas notícias pra você, querida!" Demetria soltou animada, batendo palmas de alegria. "As boas notícias estão esperando por você lá fora! Vá ver!"
Ah, não! Os olhos da Clarice arregalaram de choque e surpresa. O coração dela estava transbordando de felicidade.
Ela correu pra fora pra ver as boas notícias.