92. Emoção Avassaladora
No dia seguinte, Clarice acordou pra um dia novo, mó bom. Ela saiu da cama, se olhou no espelho e viu os olhos inchados depois de tanto chorar na noite passada.
Entrou no banheiro e jogou água na cara. Ela lembrou do que rolou na noite passada. Pegou no sono pensando se ia aceitar a oferta da Demetria de matar a Viviana.
É certo matar a Viviana? Ela se sentia culpada só de pensar nisso. Tipo, ela "roubou" o marido da Viviana. Agora que ela se foi, que tá morta pra todo mundo, ela ia continuar com o marido, sabendo que nunca mais ia voltar pra vida antiga porque a Demetria não ia deixar?
Talvez fosse hora de deixar os "Ex-casal" se acertarem. De qualquer jeito, ela não pode voltar pra casa.
No momento que ela aceitou o destino dela, um monte de lágrimas saíram dos olhos dela.
Depois de chorar uns trinta minutos, Clarice finalmente saiu do quarto, foi direto pra cozinha e fez um café quentinho pra ela. Pegou uns biscoitos, pão fatiado do armário e comeu o café da manhã em silêncio. Depois que ela terminou de comer, botou a louça suja na pia e foi pra fora da casa respirar ar puro.
Ela ficou olhando pro céu azul por uns minutos e depois focou no oceanozão lá embaixo.
Suspirou fundo, sabendo que nunca ia sair viva desse lugar. Esse lugar ia ser o cemitério dela.
Mordeu o lábio inferior. O coração dela tava doendo pra caramba.
Ouviu passos vindo na direção dela. Se virou e viu a Demetria vindo na direção dela e parando do lado dela.
"Manhã linda, né?" Demetria comentou de boa.
"Pra você, é linda, mas pra mim, não é", Clarice respondeu, toda sarcástica.
Demetria olhou pra ela com a sobrancelha levantada. "Ah, acordou de mau humor hoje, é?"
"O que você esperava?" Clarice explodiu, irritada.
Demetria deu de ombros. "Beleza, já que você não quer aceitar minha oferta, vou pra outro lugar me divertir. Tem alguma coisa que você quer que eu compre pra você hoje?" ela perguntou.
Clarice negou com a cabeça. "Nada", respondeu, toda pra baixo.
Demetria viu a tristeza nos olhos da Clarice. "Tá, vou indo", ela falou, indo embora, voltando pra casa.
Clarice respirou fundo. A Demetria sugeria umas coisas absurdas pra ela, mas ignorava o pedido dela pra sair do cativeiro.
Depois de uns minutos olhando pro horizonte, afogada na solidão e na tristeza, Clarice finalmente voltou pra casa pra lavar a louça suja na pia da cozinha e fazer uns afazeres domésticos pela casa. É uma parada simples que ela gosta de fazer todo dia pra esquecer a situação dela e não pirar por causa da solidão.
As horas foram passando.
Deu a hora do almoço. Clarice fez a comida dela e almoçou depois.
A tarde passou voando, e a noite finalmente chegou.
Clarice sentou na mesa e comeu o jantar sozinha. Depois que ela terminou de jantar, foi pra sala pra passar o tempo livre, olhando a escuridão da noite lá fora, perdida nos próprios pensamentos.
Enquanto isso, milhas e milhas de distância...
Às 9:00 da noite, uma entidade poderosa chegou na mansão do Alfa Callum; ninguém podia ver ela porque ela era invisível.
A Demetria, poderosa e forte, chegou na mansão do Alfa Callum pra fazer um sequestro, um presente pro companheiro teimoso dela lá em casa.
Sentou no sofá, vendo os moradores da casa passarem por ela, sem perceber a presença dela.
Uns minutos depois, a hora de dormir finalmente chegou. As "Empregadas" trancaram todas as portas da mansão, se preparando pra descansar.
Quando uma das "Empregadas" finalmente desligou as luzes da sala e foi pros quartos na casa, Demetria se levantou e flutuou no ar e sumiu.
Ela apareceu no quarto do Caden um instante depois e congelou a "Nanny Lorey" e o menino. Botou a mão no braço direito do Caden. "Vem comigo, garotinho. Você vai ver sua "Mãe" em um minuto."
A Demetria e o Caden sumiram do quarto.
Quando Demetria chegou na casa dela, viu a Clarice já dormindo no quarto dela. Colocou o Caden dormindo na cama, do lado dela, e cutucou o braço da Clarice, acordando ela. "Acorda, "Querida". Tenho uma surpresa pra você."
Clarice esfregou os olhos e olhou pra Demetria. "O que você quer? Quer sugar meu sangue?" ela perguntou, com sono.
Demetria negou com a cabeça. "Não. Não é hora de se alimentar ainda. Não tá vendo quem tá do seu lado agora?" ela perguntou, abrindo um sorrisão.
Clarice olhou pro espaço vazio do lado dela. "Do que você tá falando?" ela perguntou, confusa.
Demetria fez um gesto com a mão e o Caden dormindo ficou visível.
Os olhos da Clarice arregalaram de surpresa. "Meu "Filho"!" ela soltou, toda feliz. A felicidade tomou conta dela na hora. Abraçou o Caden dormindo e encheu a cabeça e o rosto dele de beijos. O coração dela tava transbordando de alegria.
"Aproveita seu "Filho" por duas horas. Vou levar ele de volta pra casa do pai dele depois que você terminar com ele. Mas se você quiser, pode sempre ter ele como seu companheiro aqui. Você decide", disse a Demetria. "Também posso fazer ele acordar pra você conversar com ele à vontade", ela sugeriu.
Clarice olhou pro rosto gordinho do "Filho" dela. Ia ser suficiente só beijar o "Filho"? Ela queria ouvir a voz dele e ter uma conversa de verdade com ele. "Se ele acordar depois, vai lembrar do que conversamos?" ela perguntou.
Demetria concordou com a cabeça. "Sim, mas também posso fazer parecer que ele tava sonhando com você e nada é real. Você decide o que quer", ela disse.
"Tá, quero ele acordado agora, e faz parecer que nosso reencontro foi só um sonho na cabeça dele depois", Clarice falou, animada.
"Beleza, seu desejo é uma ordem", disse Demetria. Sumiu do quarto e o Caden abriu os olhos.
Clarice sorriu feliz. "Oi, "Filho"!" ela disse, com os olhos cheios de lágrimas, enquanto fazia carinho nas bochechas gordinhas dele.
O Caden olhou pra "Mãe" dele, surpreso demais. ""Mãe"? "Mãe", você tá viva!" ele disse, chocado.
"Sim, tô viva, "Filho". Senti tanta saudade de você", Clarice respondeu, abraçando o "Filho" com carinho.
"Pai" e os outros achavam que você já tinha morrido, "Mãe"", Caden chorou. "Mas eu falei pra eles que você ainda tava viva porque você ficava aparecendo nos meus sonhos, falando que tava viva", ele disse.
"É. Eu tô viva, mas não posso ir pra casa ainda. Minha situação agora é complicada. Não posso ir pra casa ainda", Clarice disse, engolindo o nó na garganta, querendo chorar mas não conseguindo na frente do "Filho" dela.
O Caden viu a dor nos olhos da "Mãe" dele. "Por que você não pode ir pra casa? O que foi, "Mãe"?" ele perguntou, confuso.
"Porque minha situação é difícil e complicada. Desculpa, "Filho", não posso te contar sobre isso. Só tô feliz que você tá crescendo e ficando mais saudável todo dia, mesmo eu não estando mais do seu lado pra cuidar de você. Eu queria muito ir pra casa, mas não posso", Clarice disse, toda infeliz, com a voz tremendo de angústia.
O Caden ficou confuso porque a "Mãe" dele não podia ir pra casa. Rodou os olhos pelo quarto que ele não conhecia. ""Mãe", onde é esse lugar? De quem é esse quarto?" ele perguntou, curioso, depois de perceber que não tava no quarto dele.
"Hum, não posso te contar, "Filho". Vamos falar do seu pai. Como ele tá? Sentiu minha falta?" ela perguntou, mudando de assunto rápido pra desviar a atenção do "Filho" dela.
""Papai" tá bem, mas tá muito triste porque sentiu muita saudade de você", respondeu o Caden.
Clarice sorriu. "Cuida do seu pai, por mim. Cuidem um do outro, tá bom?"
O Caden sorriu. "Sim, "Mãe". Vou cuidar do "Papai"".
""Filho", o que tá rolando ultimamente em casa enquanto eu tô fora?" Clarice perguntou.
"A "Tia Viviana" tá morando com a gente em casa porque a casa dela pegou fogo, e eu também conheci minha irmã. Ela é tão pequenininha, mas fofa e sorri muito. Eu amo minha irmã!" Caden respondeu, todo alegre.
Os olhos da Clarice encheram de água na hora. "A "Tia Viviana" te trata bem? Ela não te machucou?"
O Caden negou com a cabeça. "Não. A "Tia Viviana" é legal comigo."
A dor da inveja rasgou o coração da Clarice. 'Você gosta da Viviana pra ser sua "Mãe"?" ela perguntou.
O Caden negou com a cabeça. "Não. Você é minha única "Mãe". Ninguém pode te substituir no meu coração. A "Tia Viviana" é a "Mãe da Mia"".
Lágrimas de felicidade saíram dos olhos da Clarice. Ela ficou satisfeita com a resposta dele. Feliz que a memória dela sempre ia estar viva na mente e no coração do "Filho" dela. A resposta dele encheu o coração dela de orgulho.
O Caden olhou nos olhos da "Mãe" dele. ""Mãe", isso é um sonho? Tô vendo e conversando com você no meu sonho agora?" ele perguntou.
Os olhos da Clarice rolaram. "Sim, "Filho", isso é um sonho. A gente tá num sonho agora." Ela mentiu. O coração dela tava quebrando por dentro. Deu um beijo na bochecha dele, cheia de carinho. "Eu te amo muito, "Filho". Por favor, lembre sempre disso." Abraçou o "Filho" com força, guardando o momento lindo deles juntos na mente dela. Uma memória maravilhosa que ia durar a vida toda.
O tempo passa voando...
Antes da Clarice perceber, duas horas tinham passado num piscar de olhos.
De repente, o Caden congelou nos braços dela e ela percebeu, triste, que o tempo com o "Filho" dela tinha acabado.
A Demetria apareceu no quarto. ""Querida", espero que você tenha gostado de ficar com seu "Filho". Vou levar o Caden pra casa do pai dele agora, antes que todo mundo entre em pânico achando que ele sumiu."
"Tá", Clarice concordou com a cabeça e abraçou o "Filho" com força. Deu beijos nas bochechas dele e as lágrimas começaram a sair dos olhos dela. "Tchau, "Filho". Te amo muito", ela sussurrou no ouvido dele, ainda não pronta pra soltar o corpo congelado do "Filho" dela.
"Solta ele agora, "Querida"", a Demetria mandou, suavemente.
\>No momento que a Clarice soltou o Caden do abraço dela, ele sumiu do quarto junto com a Demetria.
Lágrimas de tristeza e angústia inundaram os olhos da Clarice. Ela desabou e começou a soluçar forte. O choro dela, que dava dó, encheu o quarto.
Será que ela ia ver o "Filho" dela de novo?