6. Casamento e Funeral
Alfa Callum tava de volta na mansão do Alfa Bruce, bem na hora, antes da cerimônia do casamento começar.
"Alfa, o casamento vai ser em vinte minutos," disse Beta Amir, preparando o terno preto formal que o Alfa ia usar nessa ocasião especial.
"Eu não tô mais afim de ir nesse casamento," respondeu Alfa Callum, com uma cara pensativa.
"É porque você já encontrou ela?" perguntou Beta Amir.
"Aham. Não esperava descobrir algo tão irado hoje," Alfa Callum sorriu. Pensar no filho dele encheu o coração de felicidade.
"Alfa, como ela tá?" indagou Beta Amir.
"A situação dela é séria, com a parada do veneno e tals, mas o antídoto do Vovô é bom. Ela vai se recuperar logo," ele adicionou, confiante.
"Tomara," disse Beta Amir, colocando o terno na cama.
"Durante a cerimônia, tenta se misturar na galera e descobrir se eles já sacaram que ela sumiu. Se já souberem, a gente vaza daqui na hora," disse Alfa Callum, com a voz em alerta.
"Copiado, Alfa," respondeu Beta Amir, vestindo o casaco preto dele.
"Se você já acabou, pode ir. A gente continua trocando ideia na nossa ligação mental. Se descobrir algo fora do normal hoje à noite, me avisa na hora," ordenou Alfa Callum.
"Copiado, Alfa." Beta Amir foi pra porta e saiu.
Alfa Callum tirou a roupa e vestiu um terno preto formal na frente do espelho de corpo inteiro. Ele não trouxe a esposa dele, Luna Viviana, pra essa parada hoje à noite, porque ela pegou uma gripe feia e tava se recuperando em casa.
Mesmo não querendo ir no casamento, ele precisava fazer umas amizades com os líderes das alcateias pra mostrar que ele tá levando a sério a parada de ser o líder supremo da alcateia rebelde. Antes de ele virar o líder da Alcateia Uivo Selvagem, o caos rolava solto por toda a terra.
No passado, os rebeldes atacavam as alcateias de boas, matavam geral sem dó e roubavam tudo das vítimas. Cansado dessa matança sem sentido, ele planejou tudo direitinho, entrando numa alcateia rebelde poderosa, subindo na hierarquia e virando o líder deles. Ele conseguiu unir todas as alcateias rebeldes sob o comando dele, criando a alcateia rebelde mais forte de todo o Distrito Leste.
A paz finalmente chegou e as alcateias rebeldes pararam de atacar e massacrar as outras alcateias.
Era uma parada que ele achava impossível de conseguir no começo. Mas quando ele deixou todos os medos e dúvidas de lado e encarou o perigo de frente, as coisas ficaram mais fáceis pra ele.
Motivado por acabar com a matança sem piedade dos inocentes, ele conseguiu acabar com as mortes brutais e ganhar o respeito e a admiração de todos os líderes das alcateias, que agora são gente boa com ele.
A reflexão dele foi interrompida por uma batidinha suave na porta.
"Alfa, a cerimônia já vai começar," disse um dos homens dele que tava de plantão do lado de fora da porta.
"Beleza," respondeu Alfa Callum.
Ele olhou pra própria imagem no espelho mais uma vez. Satisfeito com a aparência, ele foi até a porta e saiu do quarto.
Alfa Callum foi levado pra frente da mansão, onde os convidados já estavam sentados confortavelmente nos seus lugares pra assistir o casamento.
O padre que ia celebrar o casamento tava no centro, esperando o casal tomar o lugar deles. Alfa Bruce chegou e ficou do lado do padre.
O clima ficou silencioso e solene.
A marcha nupcial começou e a noiva, com o vestido branco deslumbrante dela, caminhou em direção ao altar. Todos os olhos nela. Alfa Bruce e o padre estavam esperando a noiva chegar no lugar dela, pra cerimônia do casamento começar.
Uns minutinhos depois.
Beta Amir estabeleceu uma ligação mental. "Alfa, comecei a investigar pela casa. Não notei nada fora do normal. Todo mundo tava ocupado com o casamento. Mas eu vi dois caras segurando pás nas mãos, indo na direção da floresta. Tô curioso com as paradas deles, então segui eles."
"E o que você descobriu?" perguntou Alfa Callum. As sobrancelhas dele se juntaram.
"Eles chegaram num cemitério pequeno e já tem uma cova sendo cavada lá, como se fosse um enterro. Tô curioso pra saber quem eles vão enterrar lá? Então eu me escondi atrás dos arbustos e continuei observando eles," explicou Beta Amir.
"Então os caras ainda estão cavando?" perguntou Alfa Callum.
"Sim. Mas acho que eles vão parar agora porque a cova já tá funda o suficiente pra enterrar," respondeu Beta Amir.
"Ok, continua espionando e me mantendo atualizado," disse Alfa Callum, focando a atenção dele na cerimônia do casamento rolando na frente dele.
Beta Amir estabeleceu a ligação mental de novo. "Alfa, um carro chegou agora e entregou um caixão preto."
"Você consegue ver quem tá dentro do caixão?" ele perguntou.
"Não. Tô longe. Não consigo ver quem tá dentro do caixão porque a tampa tá fechada e os caras estão abaixando o caixão na terra," disse Beta Amir.
"Interessante," refletiu Alfa Callum. Um casamento e um enterro rolando ao mesmo tempo. Que noite!
"Vou me aproximar da cova, pra poder ouvir a conversa deles," disse Beta Amir.
"Cuidado. A gente não pode estragar a noite. Viemos aqui por paz, não pra arrumar confusão." Alfa Callum avisou o beta dele.
"Copiado, Alfa," disse Beta Amir e desligou a ligação mental.
Alfa Callum mudou a atenção dele pra cerimônia do casamento que tava quase no fim.
Uns minutinhos depois, Beta Amir estabeleceu a ligação mental de novo. "Alfa, os caras tão falando sobre a Clarice. Ela que tava no caixão e foi enterrada hoje à noite," ele disse.
"Ah, eu já meio que esperava isso. Eles abriram o caixão?" perguntou Alfa Callum.
"Não. Porque eles tão com medo de se infectar com a doença contagiosa dela, então eles cobriram o caixão rapidinho com terra. Agora eles estão colocando flores em cima do túmulo e colocando a lápide dela também," explicou Beta Amir.
"Uau. Um casamento e um enterro acontecendo ao mesmo tempo. Mas nós dois sabemos que a morta ainda não morreu. Beleza, me mantenha atualizado," disse Alfa Callum e desligou a ligação mental, porque ele precisava cumprimentar os recém-casados. Ele se levantou e ficou na fila atrás de outros que estavam dando parabéns.
Depois de uma longa espera, chegou a vez dele. "Parabéns pelo casamento, Alfa Bruce e Luna Aurélia. Que a união de vocês seja cheia de amor e alegria," ele disse, com a voz sincera e os olhos brilhando.
"Obrigado por vir, Alfa Callum," Luna Aurélia sorriu radiante. Os olhos dela brilhavam de felicidade.
Os dois Alfas sorriram um pro outro e deram um aperto de mão amigável.
"Obrigado, Alfa Callum, por comparecer ao nosso casamento." Alfa Bruce sorriu. "Aproveite a comida e as bebidas."
"Vou sim. Obrigado," respondeu Alfa Callum, alegremente. Ele saiu rapidinho da fila pra dar chance pros outros cumprimentarem os recém-casados.
Alfa Callum foi pra mesa do buffet e pegou um pouco de comida no prato dele. Ele podia aproveitar a comida e a bebida deliciosa até não querer mais, antes de ir pra casa.
Hmmm, pra qual casa ele vai mais tarde, depois que o evento acabar? De volta pra mansão dele pra ficar com a esposa ou de volta pra fazenda pra cuidar da Clarice, a parceira dele por destino?
Enquanto mastigava um pedaço de bife suculento na boca, ele continua pensando pra qual casa ele deveria ir hoje à noite.