125. Complicado
Enquanto todo mundo tava de queixo caído com os poderes dela, o Alfa Callum percebeu que o "Marido" tava cabisbaixo. Ele não falou nada com ela depois da demonstração de poder. "Que foi, "Marido"?" ela perguntou, preocupada.
"Vovô Eliezer" sacou rapidinho que a parada tava mudando. Ele falou, "Galera, vamos dar um tempo pro casal conversar no privado," disse ele, pegando na mão do Caden e puxando ele pra longe dos dois.
Marina e Carlos foram embora com a "Bebê menina".
Quando o casal finalmente ficou sozinho, a hora da treta chegou.
"Quem é o cara que te jogou na água durante as nossas férias no cruzeiro? Me diz o nome dele pra eu matar ele com as minhas mãos," o Alfa Callum perguntou, querendo vingar a "esposa".
"Não precisa. Eu quero punir essa pessoa com as minhas próprias mãos. Ele e eu temos um monte de contas pra acertar. Eu não ia gostar se ele morresse nas mãos de ninguém. Ele tem que sofrer muito nas minhas mãos. Dessa vez eu não vou ter piedade. A vingança é mais gostosa se eu fizer do meu jeito. Eu tô poderosa agora. Não precisa me proteger. Ninguém pode me machucar de novo!" a Clarice falou, toda confiante.
O Alfa Callum finalmente sacou as paradas que tão separando essa mulher independente da "esposa" fraquinha dele. A Clarice nova não tem medo de nada, é ousada e atrevida. Ela não precisa mais dele pra se proteger. Ela fica independente e intimidadora aos olhos dele. Isso é bom ou ruim?
"Você tá forte e poderosa agora. Tá na cara que seus poderes te cegaram. Você não precisa mais de mim, é? É isso que você quer dizer?" o Alfa Callum perguntou, dando a entender que tinha algo a mais por trás.
As sobrancelhas da Clarice se juntaram. Ela não curtiu o tom de voz dele. Essa não é a recepção que ela esperava dele. "Hã? Não é isso que eu quis dizer. Por que você tá agindo assim? Eu voltei agora. Nós nunca mais vamos nos separar. Que que tá pegando com você?" ela perguntou, levantando a voz.
O Alfa Callum balançou a cabeça, irritado. "Você mudou e virou outra pessoa, e você sabe disso! Admite!"
A testa da Clarice franziu. "Hã? Quê? Isso não é verdade! Eu ainda sou a mesma. Só ganhei poderes sobrenaturais. Isso não quer dizer que eu sou outra pessoa agora, e eu fiz tudo isso pra sobreviver. Do jeito que você fala, parece que a culpa é minha por ter virado assim. Eu nunca quis ser assim. É que o destino tem um jeito de mudar a perspectiva da pessoa. Você não faz ideia das coisas terríveis que eu passei só pra voltar pra casa viva. E mesmo assim você me acusa de algo que eu não fiz. É injusto!"
O Alfa Callum ainda tava emburrado e cabisbaixo, não curtiu a resposta da "esposa".
A Clarice ficou olhando pra ele, com os olhos cheios de lágrimas.
Depois de uns segundos de silêncio, o Alfa Callum finalmente falou. "Me traz de volta a Clarice antiga," ele disse, frio. Ele falou essas palavras como se já tivesse perdido a "esposa" há muito tempo.
Os olhos da Clarice se arregalaram de confusão e irritação. A raiva cresceu dentro dela. "A Clarice antiga, fraca e sem poder, já foi. O que você tá vendo agora na sua frente é a melhor versão de mim. Eu gosto mais do meu eu atual. O eu antigo que podia ser facilmente morto pelos inimigos foi substituído por uma pessoa que não hesita em matar quem machuca ela e a família dela. Sinto muito, não posso desfazer as coisas. Só posso seguir em frente. Aceita ou surta. Você tem que me aceitar como eu sou agora, senão..." Ela cortou as palavras rapidinho antes de falar algo que só ia se arrepender depois.
"Senão o quê? Você tá me ameaçando?" o Alfa Callum perguntou, chocado e desacreditado.
"Não! Eu não tô te ameaçando. Ninguém tá te ameaçando. Só tô explicando as coisas. Por favor, não pira," ela implorou pra ele ser mente aberta e aceitar as coisas como são. "Você tá complicando as coisas quando não precisa ser tão difícil entre a gente," ela resmungou, magoada com a frieza dele.
A cara do Alfa Callum mostrou irritação.
"Eu não consigo entender por que você tá agindo assim," ela acrescentou, olhando bem nos olhos dele, tentando descobrir o que tá fazendo ele atacar ela verbalmente. "Eu não fiz nada de errado!" ela insiste.
"Me diz, quantas pessoas você já matou até agora?" o Alfa Callum começou a cavar mais fundo.
"Três até agora. Eu cortei a garganta delas sem piedade. São pessoas cruéis, membros de uma quadrilha ilegal de tráfico humano que sequestram mulheres e crianças. Elas merecem morrer nas minhas mãos!" ela explicou.
"É disso que eu tô falando. Sua mentora tá tentando te transformar numa máquina de matar, Clarice! Ela tá te transformando numa mercenária sem escrúpulos, fingindo que você tá fazendo boas ações pra outras pessoas. Consegue ver a diferença agora? Quantas pessoas você vai matar no futuro?" ele rosnou.
A Clarice ficou olhando pra ele, chocada e desacreditada. "Por que você tá fazendo isso? Por que você tá complicando as coisas entre a gente? Por quê?" ela perguntou. A dor e a tristeza apertaram o coração dela com força. Ela podia ver o casamento dela desmoronando em pedaços agora.
"Porque eu já vi o cenário na minha cabeça. Você vai passar mais tempo na montanha sagrada, vigiando aqueles monstros, indo em missões com frequência, matando os caras maus. Você vai virar uma heroína famosa e não vai mais ter tempo pra gente, pra sua família. Seu "Filho" e eu vamos virar a última prioridade na sua lista. Aí seus inimigos vão saber da sua identidade e esses caras maus vão começar a mandar assassinos pra nossa casa, matando todo mundo. Começa o caos e não vai ter paz, Clarice. Esses cenários que eu tô falando são todos possíveis no futuro. Pensa nisso," ele disse, frio.
A Clarice gemeu de desgosto. "Por favor, não pense tão negativo. Não preveja coisas que ainda não aconteceram. Eu vou ser bem discreta. Ninguém vai descobrir minha identidade, só minha família. E, pra corrigir, eu não vou sair em missão matando os caras maus todo dia. Eu ainda vou ter tempo pra nossa família. Por favor, acredita em mim, as coisas vão dar certo. Não precisa se preocupar. Eu prometo, não vai mudar muita coisa."
O Alfa Callum ficou de boca fechada, com a cara dura como pedra, inflexível.
"Por favor, me dá uma chance de provar pra você que não vai mudar muita coisa na nossa família. A gente ainda pode ser feliz junto. Por favor?" ela implorou, desesperada pra ele entender.
O Alfa Callum balançou a cabeça. "Você sabe o que fazer, "Querida" "esposa". Volta pra gente por inteiro. Eu não gosto de te ver correndo por aí pelo país fazendo missões, matando os caras maus e vigiando aqueles monstros numa montanha remota longe da civilização. Eu não quero acordar um dia recebendo a notícia de que você já foi morta por aqueles monstros que você tá vigiando com sua vida. Você não consegue ver o perigo te cercando?"
Lágrimas inundaram o rosto da Clarice. Ela se sentiu frustrada por não conseguir convencer o "Marido" dela a aceitar as coisas como são, pra que eles finalmente pudessem seguir em frente. "Por que você não pode me dar uma chance? Uma chance de provar pra você que não vai mudar muita coisa quando se trata do nosso casamento. A gente ainda vai ser o mesmo, uma família feliz," ela disse entre lágrimas.
"Eu não gosto de acordar no meio da noite e a minha "esposa" não estar mais do meu lado porque ela tá por aí procurando vítimas inocentes pra enfiar as presas de vampiro no pescoço delas pra satisfazer a vontade dela por sangue. Me diz que eu tô errado?" ele disse, acusando.
"Você tá errado. Nos meus primeiros dias como vampira, eu bebia o sangue da minha mentora. Mas hoje em dia eu treinei pra beber sangue de galinha só. Eu tô de boa com isso. Eu não saio à noite procurando vítimas pra enfiar minhas presas, porque eu nem tenho presas pra começar. Eu fui transformada em vampira com sucesso, sem presas," ela explicou melhor.
Um silêncio pesado caiu sobre eles.
Quando a Clarice achou que finalmente tinha conseguido convencer o "Marido" dela a dar uma chance, ele olhou pra ela e disse, "Me leva pra aquela montanha sagrada e eu vou matar todos aqueles monstros, assim você não precisa mais vigiá-los. Você vai ficar na nossa casa 24 horas por dia, 7 dias por semana. Essa é a única forma de eu ter certeza de que você não vai virar uma máquina de matar, matando os caras maus pra todo lado e morrendo no final."
A Clarice ficou chocada com as exigências dele. Triste dizer que as coisas estão ficando muito difíceis entre eles.
O Alfa Callum limpou o nó que se formou na garganta dele. O que ele tava prestes a dizer pra "esposa" dele ia mudar a vida dela. "Eu tenho que ser honesto com você, "esposa". Eu tô tendo dificuldade pra aceitar sua nova personalidade. Você tá carregando muita bagagem desnecessária nos seus ombros. Eu só tô protegendo nosso "Filho" de problemas futuros causados pela sua nova personalidade."
A Clarice zombou. "Não use nosso "Filho" como desculpa pra não me aceitar. Você não me ama mais?" ela perguntou, com a voz cheia de dor.
O Alfa Callum gemeu de irritação. "Não use amor agora. Meus sentimentos por você ainda são os mesmos e nunca vão mudar. Eu aceito seus poderes e quem você é agora. É só que eu não gosto de todas as coisas associadas a eles. Espero que você entenda o meu lado," ele disse, abatido.
Ela jogou as mãos pro alto, de frustração. Eles estavam só dando voltas. A cabeça dela tava doendo de tanta negatividade. Ela precisava ir embora ou o cérebro dela ia explodir. Ela suspirou pesado. "Tá bom, acho que eu volto em outra hora quando você estiver mais calmo."
O Alfa Callum se sentiu irritado e decepcionado porque a "esposa" dele se recusou a obedecer e ouvir ele. Ela ficou teimosa e cabeça dura. Ela virou dona de si. Ela não precisava mais dele.
Ele sentiu um soco na barriga.