Um Acordo com o Diabo
O quarto tava sufocante, o ar carregado de tensão. As palavras do Damon ainda pairavam entre eles, uma rendição que tinha gosto de "cinza na boca".
Os lábios do Victor se curvaram num sorriso vitorioso. 'Boa escolha, Damon. Eu esperava que você não fosse tolo o suficiente para testar minha paciência.'
Damon não respondeu. Seu corpo ainda tava gritando de dor, suas costelas doendo a cada respiração superficial, mas nada disso importava. "Só a Alina importava."
Victor bateu os dedos na lateral do braço da cadeira, seus olhos calculistas nunca deixando o Damon. 'Agora que temos um acordo, vamos discutir como isso vai acontecer.' Ele se inclinou para frente. 'Você vai anunciar sua saída em quarenta e oito horas. Um comunicado à imprensa, uma declaração pública – como você escolher fazer. Mas tem que ser convincente. Sem planos secretos, sem voltas repentinas. Você some.'
A mandíbula do Damon se contraiu. 'E depois?'
O sorriso do Victor se alargou. 'E depois… você vai embora, e sua pequena obsessão vai embora também. Livre e ilesa.'
Damon não confiava nele. 'Nem por um segundo.'
Victor era uma cobra, e cobras não cumprem suas promessas.
Damon exalou, sua mente já "calculando, analisando, procurando uma saída". Ele tinha construído um império sendo cinco passos à frente de todo mundo – ele não ia deixar tudo desmoronar agora.
Victor se levantou da cadeira, se esticando como se toda essa conversa tivesse sido um acordo comercial casual. 'Você será escoltado de volta para sua cobertura em breve. Você terá seu acesso, seus recursos – por enquanto. Mas se você fizer algum movimento errado, se tentar entrar em contato com alguém fora da minha permissão… Alina vai pagar por isso.'
Os punhos do Damon se fecharam contra as algemas, sua raiva mal contida.
Victor se virou, indo em direção à porta, mas parou no limite. 'Ah, e mais uma coisa.' Ele se virou levemente, um brilho sombrio nos olhos. 'Seus homens – seu império – estarão observando. Se algum deles resistir, se algum deles sequer sussurrar sobre retaliar, eu vou fazer você assistir a Alina sofrer primeiro.'
Damon sentiu uma calma mortal tomar conta dele. Sua raiva era uma fogueira sob sua pele, mas na superfície, ele era "gelo".
Victor lhe deu um último sorriso antes de desaparecer pela porta, deixando Damon "sozinho no silêncio sufocante".
A viagem de volta para sua cobertura foi "estranhamente silenciosa". Os homens designados para escoltá-lo eram do Victor, não dele, garantindo que ele não tivesse oportunidade de se comunicar com ninguém que ainda pudesse ser leal a ele. O SUV preto se movia pelas ruas escuras de Manhattan, as luzes de neon refletindo em seus vidros escuros.
Damon sentou-se rigidamente, seu corpo ainda doía, mas sua mente estava "a mil".
A Alina ainda estava nas garras do Victor. E ele tinha acabado de prometer a única coisa que ele "jurou que nunca faria" – abandonar o império que construiu com seu próprio sangue e suor.
Mas rendição nunca fez parte do vocabulário do Damon Cross.
Ele iria "jogar o jogo", por enquanto.
O SUV parou em frente à sua cobertura, o prédio imponente em pé como uma fortaleza no coração da cidade. No momento em que as portas se abriram, Damon saiu, sua expressão ilegível. Dois dos homens do Victor o seguiram, observando cada movimento.
Dentro, a cobertura estava "exatamente como ele tinha deixado" – moderna, elegante e fria. Mas havia uma tensão no ar, uma mudança na energia.
E então ele os viu.
Jaxon. Ethan. Nikolai. Três de seus homens mais confiáveis estavam na sala de estar, seus olhares penetrantes imediatamente focando nele.
Alívio piscou nos olhos do Jaxon antes que a suspeita tomasse conta rapidamente. 'Que porra tá rolando, Damon?'
Damon não respondeu imediatamente. Ele se virou para os homens do Victor. 'Podem ir agora. Tenho certeza que o Victor estará de olho em mim por outros meios.'
Os homens trocaram olhares, mas assentiram, recuando sem outra palavra.
Assim que a porta se fechou atrás deles, Jaxon deu um passo à frente. 'Fala.'
Damon exalou. 'O Victor tem a Alina.'
A sala "se tensionou".
Ethan xingou baixinho. A expressão do Nikolai escureceu.
Jaxon passou a mão pelo cabelo. 'E você acabou de concordar em deixar ele assumir tudo?' Sua voz era dura, mas havia uma urgência subjacente.
O olhar do Damon se endureceu. 'Eu concordei em fazer parecer que estou saindo.'
Jaxon estreitou os olhos. 'Significando?'
Damon se inclinou para frente, sua voz baixa, "perigosa". 'O Victor acha que ganhou. Ele acha que eu vou apenas me entregar e dar tudo para ele.' Sua mandíbula se contraiu. 'Mas eu não vou entregar porra nenhuma.'
Os lábios do Nikolai se curvaram em um sorriso malicioso. 'Então estamos jogando junto até podermos derrubá-lo?'
Damon assentiu. 'Exatamente.'
Jaxon exalou. 'Porra, Damon. Você nos assustou pra caramba.'
Ethan cruzou os braços. 'E a Alina? Qual é o plano?'
Os punhos do Damon se fecharam. "Alina."
Ela ainda estava nas garras do Victor e, por mais que ele quisesse ir atrás dela imediatamente, ele sabia que era melhor. Ele precisava ser "estratégico".
Ele se virou para Jaxon. 'Precisamos de olhos nos movimentos do Victor. Cada conversa, cada transação. Ele está mantendo a Alina em algum lugar seguro, mas ele não vai segurá-la para sempre. No momento em que ele vacilar, nós vamos.'
Jaxon assentiu. 'Vou colocar nossa galera nisso.'
O peito do Damon queimava de frustração. Cada segundo que a Alina passava nas garras do Victor era um segundo a mais.
Mas ele não ia decepcioná-la.
"Ele ia atrás dela."
E o Victor não ia ver isso chegando.