Um Jogo Perigoso
A tensão no ar tava tão forte que dava pra sufocar. A briga nas ruas tinha acabado, mas o Vincent escapuliu pelos dedos deles igual um fantasma. O coração da Alina não parava de bater forte enquanto ela tava sentada no esconderijo meio escuro, com os dedos cerrados em punhos. O quarto tava bizarro de quieto, só com os rangidos ocasionais do chão de madeira velha.
Damon tava andando pra lá e pra cá perto da janela, com a mandíbula travada, os olhos escuros de raiva. Rafe e Marco tavam por perto, com as caras fechadas enquanto processavam a emboscada que deu errado.
'Ele tava ali, pertinho,' Damon murmurou, com a voz perigosamente baixa. 'Eu tinha uma chance clara.'
'Mas você não atirou,' Rafe avisou. 'Você hesitou.'
A encarada do Damon era mortal. 'Eu não hesito.'
O Marco soltou o ar. 'Então, o que aconteceu lá fora?'
A Alina sabia a resposta antes mesmo do Damon falar. Ele não tinha hesitado porque tava com medo – ele tinha hesitado porque o Vincent tinha usado ela como distração. Por uma fração de segundo, o foco do Damon tinha mudado pra garantir que ela tava segura, em vez de puxar o gatilho.
'Ele planejou isso,' ela sussurrou.
Todos os olhos foram pra cima dela.
'O Vincent sabia que a gente tava armando uma armadilha,' ela continuou. 'Por isso ele apareceu. Não pra me matar – mas pra mostrar pra gente que ele tá no controle.'
Damon cerrou os punhos. 'Aquele filho da puta acha que isso é um jogo.'
Rafe cruzou os braços. 'E ele tá ganhando.'
Um silêncio pesado caiu sobre eles.
Damon virou de costas, agarrando a parte de trás de uma cadeira com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. 'Não por muito tempo.'
A Ameaça Que Muda Tudo
Já era quase meia-noite quando a ligação chegou.
O celular do Damon vibrou, com um número desconhecido piscando na tela igual um aviso. Ele atendeu sem hesitar.
Ninguém falou.
Aí – a voz do Vincent. Suave, casual, cheia de diversão.
'Como tá sua princesinha?'
A Alina se enrijeceu com o som da voz dele, sentindo o sangue gelar.
A pegada do Damon no celular apertou. 'Você tá ficando sem lugares pra se esconder, Vincent.'
Uma risada sombria. 'Você acha que eu tô me escondendo?'
A mandíbula do Damon se contraiu. 'Você é um homem morto andando.'
O Vincent cantarolou pensativo. 'Viu, eu ia com calma com isso. Mas você deixou as coisas… difíceis. Então agora, eu tenho que acelerar meus planos.'
Os músculos do Damon se contraíram. 'Que porra você tá falando?'
Vincent suspirou. 'Você sempre acha que tá dez passos na frente, Cross. Mas deixa eu te perguntar uma coisa… Você tem certeza absoluta que a Alina tá segura?'
O quarto parou.
Os olhos do Damon foram pra Alina, que sentiu um pavor gelado se instalar nos ossos.
Vincent riu de novo, como se estivesse curtindo o momento. 'Xeque-mate.'
A ligação caiu.
Damon virou imediatamente pro Marco. 'Descobre de onde veio essa ligação.'
O Marco já tava se mexendo, pegando o laptop e digitando furiosamente.
A pulsação da Alina martelava nos ouvidos. 'O que ele quer dizer? Damon, o que tá acontecendo?'
A expressão do Damon não dava pra ler, mas ela viu o fogo queimando atrás dos olhos dele. 'Ele tá partindo pra cima.'
O Ataque
A primeira explosão estilhaçou a noite.
Um estrondo ensurdecedor sacudiu o prédio, mandando ondas de choque pelas paredes. As luzes piscaram, e depois apagaram completamente.
A Alina mal teve tempo de reagir antes do Damon puxá-la pra baixo, protegendo-a com o corpo dele enquanto escombros choviam do teto.
'Se mexam!' Marco gritou.
Outra explosão. As janelas explodiram, com vidro voando no ar como cacos mortais. Fumaça encheu o quarto, espessa e sufocante.
Damon puxou a Alina pra cima. 'A gente precisa sair daqui – agora!'
Eles tropeçaram pelo esconderijo, com o ar vibrando com os tremores. Rafe tava na frente, abrindo caminho enquanto o Marco cobria as costas deles.
Tiroteio começou lá fora.
O coração da Alina bateu forte contra as costelas. Eles tavam sob ataque.
Damon pegou uma arma da cintura, com movimentos rápidos e calculados. 'Fica atrás de mim.'
A Alina não discutiu.
Eles chegaram na escada bem na hora em que as portas da frente se abriram com força. Homens com equipamentos táticos pretos invadiram, com as armas levantadas.
Damon atirou primeiro.
O corredor explodiu em caos – balas voando, corpos caindo. O cheiro acre de pólvora encheu o ar.
O Marco derrubou um dos atacantes, mas mais continuaram vindo. Eles não eram bandidos comuns – eram profissionais.
Os homens do Vincent.
Damon agarrou o pulso da Alina, puxando-a por uma saída lateral enquanto Rafe e Marco davam cobertura. O beco tava escuro, o ar espesso com fumaça e sirenes tocando ao longe.
Um SUV preto derrapou e parou na frente deles. A porta do motorista se abriu.
Leo.
'Entrem!'
Damon empurrou a Alina pra dentro antes de entrar depois dela. Marco e Rafe pularam segundos depois.
O SUV saiu cantando os pneus, balas quicando no metal.
Os suspiros da Alina eram curtos e rápidos, as mãos tremendo.
O Vincent sabia exatamente onde eles estavam.
E ele tava esperando.
Sem Lugar Pra se Esconder
Eles dirigiram em silêncio, ziguezagueando pelas ruas escuras de Nova York.
A mente da Alina tava a mil. Se o Vincent tinha encontrado eles ali, ele podia encontrá-los em qualquer lugar.
'A gente precisa de um novo plano,' Rafe murmurou.
A pegada do Damon no volante era de aço. 'A gente acaba com isso.'
Marco esfregou a têmpora. 'Isso não é um plano, Damon. Isso é uma missão suicida.'
O olhar do Damon era mortal. 'O Vincent não vai parar. E agora que ele partiu pra cima, ele tá vulnerável. Ele acha que ganhou – então ele não vai esperar o que vem a seguir.'
A Alina engoliu seco. 'E o que vem a seguir?'
Damon virou pra ela, com a expressão indecifrável.