Sussurros de Nápoles
O vento de Nápoles tava quente e seco, trazendo o cheiro de sal, pedra velha e gasolina. A Alina tava na beira do píer, óculos escuros protegendo os olhos enquanto ela olhava a costa brilhante, o sol da manhã pegando nos cascos de vários iates ancorados. De longe, o porto italiano parecia pitoresco—colinas ensolaradas, ruínas antigas, o som lento da vida na água. Mas por baixo da superfície, essa cidade sempre sussurrou segredos nos becos e corredores escuros do poder.
Ela virou quando o Damon chegou, uma mala pequena no ombro, o Roman e a Lucia uns passos atrás. Todos pareciam a parte—turistas, amantes, talvez até contrabandistas dependendo de quem estivesse olhando. Mas por baixo do charme e dos sorrisos fáceis tinham armas carregadas, telefones criptografados e mentes programadas para a guerra.
A Lucia entregou um mapa dobrado, anotado com sua letra organizada e meticulosa. 'A casa segura fica a quinze minutos daqui. Uma vinícola abandonada. Era do dono local—o Adrian conseguiu por meio de uma empresa fantasma há três anos. Sumiu até a semana passada."
Damon abriu o mapa, traçando a estrada de terra que serpenteava pelas vinhas e colinas. 'Qual é a da nossa contato?'
'Ela tá atrasada,' o Roman murmurou, olhando para o relógio. 'Era para ela estar aqui há vinte minutos.'
'Ou ela já tá de olho na gente,' a Alina acrescentou, virando um pouco, seus olhos captando um movimento na beira da praia. Uma mulher de jaqueta de couro, cabelo escuro preso em um coque, óculos escuros cobrindo a maior parte do rosto, se aproximou lentamente—casual, mas com intenção.
'Bom dia, viajantes,' a mulher disse com um sotaque britânico cortado. 'Um dia adorável para vingança, não é?'
A Alina levantou a sobrancelha. 'Você é a Freya?'
'Em carne e osso,' ela respondeu, mostrando um distintivo de dentro da jaqueta antes de guardar. 'Ex-MI6, agora desempregada. Eu assumo que vocês são os americanos com raiva?'
'Mais do que raiva,' o Damon disse secamente. 'Estamos aqui pelo Adrian Knight.'
Os lábios da Freya se contraíram, como se estivesse divertida e um pouco preocupada. 'Bem, então. Espero que você tenha trazido algo mais forte que charme e boa aparência. Porque o Adrian não está mais se escondendo. Ele está expandindo.'
Eles a seguiram para as ruas estreitas de Nápoles, a cidade se fechando ao redor deles em um labirinto de fachadas desmoronando, varandas com roupas penduradas e buzinas de scooter. O mundo se estreitou para o ritmo dos passos, vozes que passavam, o gato vira-lata ocasional observando com desconfiança.
A Freya os levou para uma padaria velha—fechada para reforma, se a placa descascada era para acreditar. Mas, por dentro, o cheiro de óleo de arma e aço frio atingiu instantaneamente. Era um centro de operações improvisado: mapas de satélite presos na parede, caixas de armas sob sacos de farinha, um laptop solitário na bancada transmitindo feeds criptografados.
'Aqui está o esquema,' a Freya começou, apertando um botão no teclado. Um feed abriu—uma imagem térmica da propriedade na encosta. 'Os homens do Adrian chegaram há duas noites. Não mais que dez, talvez doze. Patrulhas leves, mas apertadas. Eles estão esperando alguma coisa.'
'Esperando a gente?' o Roman perguntou.
'Não necessariamente,' a Freya disse. 'Ele está traficando algo grande. Algo que ele não quer no papel. Armas, muito provavelmente. Ou informações. De qualquer forma, está se movendo rápido. Eu interceptei uma mensagem—algo sobre uma transferência à meia-noite.'
A mandíbula do Damon se fechou. 'Então atacamos hoje à noite.'
A Freya hesitou. 'Vocês poderiam esperar mais informações. Ou reforços.'
'Sem tempo,' a Alina disse. 'Se ele está movendo as coisas, significa que ele está se preparando para algo maior. E, uma vez em movimento, vai ser mais difícil de parar.'
Damon deu um leve aceno. 'Entramos no crepúsculo. Silenciosos. Rápidos. Sem erros.'
A Freya entregou os comunicadores, depois tirou um projeto da propriedade. 'Tem uma adega subterrânea. Passa por baixo das vinhas. É onde a carga provavelmente está guardada.'
A Lucia se inclinou. 'E o Adrian?'
O sorriso da Freya desapareceu. 'Sem confirmação. Mas eu apostaria minha última bala que ele está perto. Esse é o estilo dele—silencioso, brutal, perfeitamente cronometrado.'
Enquanto a equipe se movia para preparar seus equipamentos, a Alina ficou perto da janela, olhando para a cidade velha, o sol brilhando nos telhados de terracota. Ela podia sentir nos ossos—o Adrian não estava apenas reconstruindo.
Ele estava armando uma arapuca.
E ela estava pronta para morder.
Mais tarde naquela noite, eles subiriam aquela colina. Mais tarde, o céu ficaria laranja-sangue e as vinhas sussurrariam enquanto eles se moviam por baixo delas. Mais tarde, haveria tiros e, talvez, sangue.
Mas, por agora, no silêncio dourado e suave de Nápoles, a Alina se permitiu um último momento de paz.
Porque hoje à noite, a perseguição vai acabar.
Ou começar de novo.
O sol desceu sobre a Baía de Nápoles, lançando um tom derretido sobre os telhados de terracota e as ruínas antigas. Enquanto a equipe se movia pela cidade, a beleza do lugar colidia violentamente com a tempestade que crescia em cada um deles. Eles estavam andando pela história, mas era o futuro deles que estava em jogo.
A casa segura era uma propriedade em ruínas aninhada nas colinas além da cidade. Vinhas retorcidas pelas paredes de pedra antigas e colunas outrora elegantes estavam rachadas e esquecidas. Pássaros se espalharam quando o SUV passou pela estrada de cascalho. Por dentro, o lugar estava vazio—sem sinais de vida, apenas sombras e silêncio.
A Alina entrou no salão principal, poeira pegando a luz como cinzas caindo. Ela passou os dedos por um corrimão lascado, tentando afastar a sensação de que estavam entrando em uma história de fantasmas. Tudo sobre este lugar parecia assombrado.
A Lucia quebrou o silêncio. 'A adega fica embaixo da sala de jantar. Alçapão escondido. Vou definir os explosivos para arrombar se necessário, mas devemos tentar furtivamente primeiro.'
Damon acenou com a cabeça. 'Ninguém se move sozinho hoje à noite. Vamos em pares. Cuidem das costas um do outro.'
O Roman já estava desembalando seus equipamentos, com os dedos rápidos e precisos. Ele colocou as armas como ferramentas sagradas: pistolas, rifles, facas, tranquilizantes—tudo o que eles poderiam precisar. A Freya verificou o telefone, depois jogou-o na mesa empoeirada com uma careta.
'Eles sumiram,' ela murmurou. 'Comunicações do Adrian. O que quer que eles estejam planejando, está acontecendo agora.'
O estômago da Alina revirou. A contagem regressiva tinha começado.
O crepúsculo caiu com uma velocidade perturbadora. A vinha estava banhada em ouro queimado, as sombras se estendendo longas e misteriosas enquanto a equipe fazia seu movimento.
A Alina se agachou ao lado do Damon enquanto eles se esgueiravam pelas vinhas altas. A propriedade pairava à frente—silenciosa, silenciosa demais. Luzes piscavam atrás de janelas antigas, mas sem movimento.
'Dois guardas no lado leste,' o Damon sussurrou, levantando seus binóculos. 'Outro patrulhando perto da área de carga.'
A voz da Lucia estalou suavemente em seus fones de ouvido. 'Eu vejo os caminhões. Três deles. Sem identificação. Cobertos. Nenhuma carga visível ainda.'
O Roman interveio. 'Portão oeste está equipado. Não adianta tentar essa rota.'
Eles pararam atrás de um muro de pedra, a tensão pulsando entre eles. Então, com um sinal do Damon, eles se separaram—Lucia e Roman flanqueando à esquerda, Freya cobrindo o perímetro, e Damon e Alina se movendo em direção à entrada da adega.
Cada passo foi calculado. Cada respiração medida.
Na beira do pátio, o Damon levantou a mo. 'Alçapão logo à frente. Você tá bem?'
A Alina acenou com a cabeça, agarrando sua arma com mais força. 'Vamos nessa.'
Eles correram para a frente, se abaixando sob as cercas cobertas. O Damon alcançou a trava—e congelou.
A Alina viu também. Um fio fino esticado pela madeira.
Armadilha.
Ele xingou baixinho e desarmou lentamente, suor brilhando em sua testa. O alçapão rangeu quando ele o abriu, revelando uma escada de pedra íngreme que desaparecia na escuridão.
Eles desceram lentamente, lanternas varrendo paredes gravadas com marcas de vinho antigas e mofo. A adega cheirava a terra úmida e metal de arma.
Então—vozes.
Damon colocou um dedo nos lábios, guiando-a para a frente até que eles alcançassem uma grade de metal. Através dela, eles os viram.
Três homens. Armados. Em pé ao lado de vários caixotes grandes estampados com marcas cirílicas.
Armas.
Mas não foram os caixotes que fizeram o coração da Alina parar.
Foi o homem em pé ao lado deles.
Adrian Knight.
Alto. Composto. Vestido de preto, um cigarro fumegando entre os dedos. Sua expressão calma, como se o mundo não estivesse queimando ao seu redor.
Damon se contraiu ao lado dela.
'Ele está mesmo aqui,' a Alina sussurrou.
A voz do Damon estava fria. 'Não por muito tempo.'
Ele sinalizou para a equipe. A Lucia respondeu imediatamente. 'Entendido. Envolvendo agora.'
De repente, o caos explodiu.
Uma explosão abalou o lado distante da propriedade, enviando fogo e gritos para o ar. Os guardas se viraram—confusos, em pânico.
Essa foi a janela deles.
Damon chutou a grade, arma levantada. A Alina seguiu, adrenalina correndo em suas veias.
'Larguem as armas!' Damon gritou.
Dois dos homens obedeceram imediatamente. O terceiro pegou sua arma—mas um único tiro da Alina o derrubou antes que ele pudesse mirar.
O Adrian ficou parado, mãos lentamente subindo, lábios curvados em algo que não era bem um sorriso.
'Bem,' ele disse, voz calma. 'Demoraram bastante.'
'Cala a boca,' o Damon rosnou, se aproximando.
A Alina mirou diretamente em seu peito. 'Acabou.'
O Adrian riu. 'Vocês continuam dizendo isso, mas nunca entendem de verdade. Isso não termina comigo. Vocês acham que eu sou o único? Eu sou só o começo.'
Damon agarrou seu braço e o empurrou contra a parede, algemando-o com força praticada. 'Vamos arriscar.'
Naquele momento, a voz da Freya veio pelos comunicadores. 'Temos mais chegando—dois SUVs pretos na estrada sul. Pesado.'
Damon amaldiçoou. 'Roman, você está com ele?'
'Vai!' o Roman chamou. 'Eu vou extrair com a Lucia. Vocês dois pegam a trilha norte. Agora!'
A Alina não hesitou. Ela e o Damon correram para fora da adega, correndo pela noite cheia de fumaça enquanto tiros ecoavam atrás deles. Eles correram pela vinha, passando pelas chamas lambendo as bordas da propriedade, até que o mundo se estreitou para respiração e sobrevivência.
A essa altura, eles chegaram na cordilheira, a propriedade era uma silhueta contra o céu em chamas.
O Damon a puxou para trás de uma árvore, ambos ofegantes.
A Alina olhou para ele, cabelo selvagem, coração disparado. 'Nós pegamos ele.'
Damon acenou com a cabeça, puxando-a para seus braços. 'Nós pegamos ele.'
Mas mesmo quando ela se agarrou a ele, ela sabia a verdade.
Pegar o Adrian foi só o começo.
Porque o império que ele construiu ainda estava de pé.
E havia mais sombras esperando.