Quebrando a Máquina
A missão era clara, mas nada daquilo parecia certo. **Alina** andava de um lado para o outro no quarto escuro do bunker, com as mãos no cabelo, os olhos fixos e atentos. O plano estava montado, e cada peça estava a encaixar-se no sítio certo. Mas o peso da situação pressionava contra o seu peito. Aquilo não era só derrotar o **Langston**; era expor um sistema que manipulava o mundo há anos.
E depois de tudo vir à tona, não haveria volta a dar.
**Damon** estava perto da parede, a falar em voz baixa com a **Vale** e o **Tobias**. Estavam a tratar da parte deles, certificando-se de que cada detalhe estava coberto. A função da **Alina**? Simples. Chegar à instalação móvel onde o **Langston** guardava o seu servidor e plantar os dados de contra-ataque antes do vazamento ser lançado.
Mas havia sempre a hipótese de ela não voltar. O risco era alto demais. Se não tivessem sucesso, tudo por que tinham lutado – a verdade, os arquivos, o testemunho da **Maren** – seria enterrado sob as mentiras que o **Langston** já tinha posto em marcha. Seria como se eles nunca tivessem existido.
Ela afastou esses pensamentos da cabeça. Não havia lugar para hesitação.
"No que estás a pensar?" A voz do **Damon** quebrou os seus pensamentos, baixa e firme. Ele estava ao lado dela agora, a presença familiar dele dando-lhe estabilidade.
"Só a perguntar-me se vamos mesmo conseguir fazer isto", disse a **Alina**, com os olhos nos dele. "Ou se estamos prestes a cometer um erro gigante."
A expressão do **Damon** suavizou por um momento, o seu olhar indecifrável. "Erros acontecem. Mas vamos lidar com eles à medida que surgem. Juntos."
A **Alina** assentiu, sentindo uma estranha sensação de segurança nas suas palavras. Tinham passado por tanta coisa, e de alguma forma, ainda estavam de pé. Mas aquilo era diferente. Não era só sobreviver – era mudar o mundo. E isso estava longe de ser simples.
"Já está tudo pronto", a voz da **Vale** interrompeu, chamando a atenção da **Alina**. Ela estava na porta, com as mãos cruzadas sobre o peito. "Contornei as primeiras camadas de segurança na rede da instalação móvel. Mas no momento em que entrares, as coisas ficam complicadas. Não é só chegar ao servidor. É manter o **Langston** no escuro tempo suficiente para carregar os dados de contra-ataque."
"Não precisas de me lembrar", disse a **Alina**, dando-lhe um sorriso forçado. "Eu lembro-me."
"Bom", disse a **Vale** com um aceno. "Eu e o **Tobias** tratamos do exterior. Temos a tua saída coberta. Só certifica-te de que entras e sais depressa. No momento em que o **Langston** perceber que invadiste o sistema dele, a confusão vai ser total."
"Entendido." A **Alina** respirou fundo, tentando acalmar os nervos.
**Damon** aproximou-se, os olhos a percorrerem o rosto dela como se estivesse a tentar ler cada pensamento. "Não precisas de fazer isto sozinha. Sabes disso, certo?"
A **Alina** engoliu em seco, com a garganta a apertar. "Não vais a lado nenhum."
Ele sorriu de lado, embora houvesse um lado sombrio nisso. "Vamos ver."
A tensão na sala pareceu aumentar à medida que o plano começava a desenrolar-se. O coração da **Alina** disparou ao vestir o equipamento que os ajudaria a infiltrar-se na instalação móvel do **Langston** sem serem detectados. O relógio estava a contar. Cada segundo que passava era mais um perto do vazamento global do **Langston** entrar em funcionamento.
"Vamos lá", chamou o **Tobias** da porta. Ele já estava equipado, com os olhos frios e determinados.
A **Alina** trocou um último olhar com o **Damon**. Já não precisavam de palavras. A ligação entre eles era algo que transcendia a linguagem falada. Num mundo cheio de traição, mentiras e sombras, eles tinham-se encontrado. E isso era suficiente.
A paisagem urbana ficou borrada enquanto eles aceleravam pela autoestrada, o zumbido do motor do carro era o único som na SUV silenciosa. Os pensamentos da **Alina** aceleraram, imagens a piscar na sua mente – os arquivos, o servidor, os homens do **Langston**. Ela fechou as mãos, a tentar bloquear a energia nervosa que ameaçava dominá-la.
Eles estavam a ficar mais perto.
"A instalação está fora da rede", disse o **Damon** em voz baixa, quebrando o silêncio. "Mas a **Vale** já invadiu o sistema de rastreamento. Conseguiremos contornar as defesas deles se nos mantivermos fora do radar."
A **Alina** não disse nada. Apenas concentrou-se na estrada à frente, o peso do que estavam prestes a fazer pairando sobre ela.
Finalmente, a SUV abrandou, parando mesmo fora de uma zona industrial isolada. A instalação estava escondida entre filas de edifícios de metal, uma fortaleza de aço e betão que parecia impenetrável. Mas era nisso que eles tinham contado. Se os homens do **Langston** não os esperassem, teriam o elemento surpresa a seu favor.
"Vamos fazer a nossa jogada a partir daqui", disse o **Tobias**, a olhar pela janela. "Estamos quase na instalação."
A equipa saiu da SUV e rapidamente se posicionou. O coração da **Alina** batia forte quando se aproximaram da entrada. Cada passo parecia que podia ser o último.
Quando chegaram ao exterior da instalação, a voz da **Vale** estalou no auricular da **Alina**. "A segurança é apertada, mas já activei a primeira anulação. Vão ter uma janela de 10 minutos para entrar. Depois disso, eles vão saber que estão aqui."
"Entendido", respondeu a **Alina**, sentindo a pulsação acelerar. "Vamos fazer isto."
O **Tobias** dirigiu-se rapidamente para a entrada lateral, desativando as câmaras de segurança à medida que avançava. O **Damon** estava logo atrás dele, a vigiar qualquer movimento. A **Alina** seguiu-o, com a respiração a estabilizar-se enquanto se concentrava na tarefa à sua frente. Ela estava tão perto agora. Demasiado perto para falhar.
A porta abriu-se silenciosamente, e o grupo entrou na instalação.
Tudo estava quieto. Demasiado quieto.
Os olhos da **Alina** percorreram os corredores escuros, cada passo ecoando nos frios pisos de betão. Eles moveram-se com precisão, sem ousar fazer barulho. Cada curva aproximava-os do coração da instalação, onde estava localizado o servidor do **Langston**.
E então, encontraram-no.
A sala do servidor.
Era enorme, com paredes alinhadas com luzes e cabos a piscar, servidores empilhados em filas que pareciam estender-se infinitamente. No centro da sala, estava a mainframe, trancada atrás de um vidro espesso. O estômago da **Alina** contraiu-se quando se aproximou, os dedos a roçar a superfície fria do vidro.
"É isto", ela sussurrou. "Vamos ao trabalho."
Mas antes que pudessem agir, um som ecoou pelo corredor.
Uma voz.
"Parem."
A **Alina** congelou. Os seus olhos arregalaram-se quando uma figura entrou na porta da sala do servidor.
O **Langston**.