Sem Escapar da Escuridão
O corpo da Alina tremia nos braços do Damon. O cheiro do perfume dele—escuro, familiar—envolveu ela, mas nem isso conseguiu espantar o terror que grudava na pele dela. O cheiro forte de sangue enchia o ar. O corpo do Adrian estava jogado no chão, a respiração dele era fraca, superficial.
O Damon tinha ganhado. **Mas a que custo?**
A tempestade lá fora rugia, o vento uivando contra as paredes do armazém. Cada nervo no corpo da Alina gritava pra ir embora, pra correr bem longe da violência, do caos que parecia seguir o Damon como uma sombra. Mas os braços dele se apertaram em volta dela, o aperto dele era firme, e lá no fundo, ela sabia—**não tinha como fugir dele. Não mais.**
Um gemido do chão a trouxe de volta pra realidade. O Adrian ainda estava vivo. Quase. O peito dele subia e descia com cada respiração dolorosa, o sangue vazando do ferimento de bala que o Damon tinha dado nele.
O Damon puxou ela um pouco pra trás só pra pegar o rosto da Alina. Os olhos azuis-gelo dele suavizaram, mas só pra ela.
"Você tá machucada?" A voz dele era baixa, controlada, mas ela conseguia ouvir a fúria fervendo por baixo.
Ela balançou a cabeça, mesmo com os pulsos doendo por causa das amarras, e o medo ainda batia forte na pele dela. "Eu tô bem."
A mandíbula dele travou. Ele não acreditou nela. Mas agora não era hora de tranquilizá-la.
O Victor e o resto dos homens do Damon entraram no armazém, com as armas na mão, a presença deles era uma força de domínio.
"Chefe," o Victor falou, com o olhar indo pro corpo caído do Adrian. "O que você quer fazer com ele?"
O aperto do Damon na Alina se intensificou por uma fração de segundo antes dele virar lentamente. A mudança nele foi instantânea—**amante pra executor.**
Ele caminhou na direção do Adrian com passos lentos e decididos. Sangue escorria dos lábios do Adrian quando ele levantou a cabeça, um sorriso fraco e zombeteiro aparecendo no rosto dele.
"Vai em frente," o Adrian falou rouco. "Termina isso."
O Damon se abaixou perto dele, a expressão dele era indecifrável. "Você tirou algo de mim hoje à noite."
O Adrian riu, fazendo uma careta. "E você tirou algo de mim anos atrás. Acho que estamos quites."
O Damon não se abalou. "Não. Não estamos."
Por um longo tempo, o silêncio se estendeu entre eles. O ar estava denso com o peso de guerras inacabadas, de dívidas de sangue que nunca poderiam ser pagas.
Então, o Damon se levantou. "Deixa ele."
As sobrancelhas do Victor franziram. "Tem certeza?"
A voz do Damon era de aço. "Ele não vai passar da noite."
O Adrian soltou uma risada rouca. "Sempre tão confiante, Cross."
O Damon não respondeu. Ele se virou pra Alina, com a mão estendida. "Vamos."
Ela hesitou. Deixar o Adrian assim parecia... errado. Mas ela também sabia que não devia questionar as decisões do Damon na frente dos homens dele.
Então, ela colocou a mão dela na dele, e juntos, eles saíram do armazém, deixando o Adrian Knight sangrando no escuro.
O Depois
A viagem de volta pra cobertura do Damon foi silenciosa. O carro preto se movia suavemente pelas ruas vazias de Nova York, mas por dentro, a tensão era sufocante.
A Alina estava encolhida contra o banco de couro, com os braços em volta dela mesma. A adrenalina tinha passado, deixando exaustão e confusão no rastro.
O Damon sentou ao lado dela, o corpo dele rígido. Os dedos dele batiam contra o joelho—um ritmo silencioso e inquieto. A cabeça dele estava em outro lugar, calculando, planejando.
Ela se virou pra ele. "Por que você não matou ele?"
O olhar dele foi pra ela. "Eu matei."
O estômago dela revirou. "Não, você não matou. Você deixou ele vivo."
O Damon se inclinou pra trás, expirando. "Ele já tá quase morto. Mas eu não desperdiço balas em homens que já estão acabados."
Ela estudou ele, tentando entender o homem ao lado dela. **O homem que tinha matado pra proteger ela. O homem que tinha ido embora do maior inimigo dele sem puxar o gatilho.**
"Você ainda se importa com ele," ela percebeu.
A mandíbula do Damon se apertou. "Eu me importo com você."
O coração dela tropeçou.
Antes que ela pudesse responder, o carro diminuiu a velocidade até parar. Eles tinham chegado.
### **Uma Casa Que Não Era Dela**
A viagem de elevador pra cobertura do Damon foi silenciosa. No momento em que as portas abriram, a Alina hesitou.
Tudo sobre esse lugar era uma lembrança de quem ele era. O luxo frio. As janelas altas com vista pra cidade. As sombras que espreitavam nos cantos.
O Damon entrou primeiro, olhando por cima do ombro quando percebeu que ela não estava seguindo. "Alina."
Ela engoliu. "Eu não posso ficar aqui."
Algo piscou nos olhos dele. "Você não tem escolha."
A pulsação dela aumentou. "Eu posso ir pra casa—"
"Não." A voz dele era definitiva. "Os homens do Adrian ainda podem estar por aí. Você não está segura em nenhum outro lugar."
A frustração borbulhou no peito dela. "Eu não posso ficar trancada no seu mundo, Damon."
Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo escuro. "Isso não é sobre controle. É sobre manter você viva."
"Me mantendo presa?"
A expressão dele escureceu. "Mantendo você respirando."
Ela queria discutir. Lutar. Mas lá no fundo, ela sabia que ele estava certo.
Então, ela entrou.
### **A Linha Entre Nós**
As luzes da cidade piscavam do lado de fora da janela enquanto a Alina estava no quarto do Damon. Ela tinha tomado banho, esfregando a sujeira da noite, mas o desconforto persistia.
O Damon tinha dado uma das camisas dele pra ela dormir. O tecido era macio, carregando o cheiro dele, mas até isso parecia uma exigência que ela não tinha certeza se conseguiria lidar.
Ela se virou pra encontrá-lo encostado na moldura da porta, observando ela. A gravata dele tinha sumido, os botões de cima da camisa dele desabotoados, revelando vislumbres das linhas duras do peito dele.
"Você devia descansar," ele murmurou.
Ela balançou a cabeça. "Eu não vou conseguir dormir."
O Damon deu um passo pra frente, parando a poucos centímetros de distância. "Eu posso ficar."
A respiração dela falhou. "Essa não é uma boa ideia."
Os dedos dele tocaram a mandíbula dela, inclinando o rosto dela pra encontrar o dele. O toque dele era gentil, mas os olhos dele... **os olhos dele eram uma tempestade.**
"Eu acho que a gente não teve uma ideia boa desde o momento em que a gente se conheceu," ele falou.
Os lábios dela se separaram, mas nenhuma palavra saiu. Porque ele estava certo.
Cada escolha, cada passo, tinha levado eles ali—a esse momento, parados na beira de algo do qual eles nunca poderiam se afastar.
O polegar do Damon traçou o lábio inferior dela, a voz dele baixa, rouca. "Você devia ter medo de mim."
Ela não tinha.
Ela devia ter.
Mas, em vez disso, ela sussurrou, "Eu tenho medo do que acontece se eu ficar."
O olhar dele escureceu. "Então você já sabe a resposta."
E assim, o espaço entre eles desapareceu.
Os lábios dele tomaram os dela, lentos e inflexíveis, roubando o fôlego dos pulmões dela. Ela derreteu nele, os dedos se enrolando na camisa dele, enquanto a última peça de resistência dentro dela desmoronava.
Não tinha como fugir do Damon Cross.
E talvez—só talvez—ela não quisesse.
O quarto estava mal iluminado, lançando sombras compridas contra as paredes de concreto. O Adrian estava encostado casualmente numa mesa de madeira, girando um copo de uísque na mão dele. A Alina estava sentada no chão atrás dele, amarrada, com os olhos fixos no Damon no momento em que ele entrou.
Um brilho de alívio passou pela expressão dela antes que o medo tomasse conta.
O olhar do Damon escureceu quando ele viu os hematomas que marcavam os pulsos dela. **Imperdoável.**
O Adrian expirou, colocando o copo dele na mesa. "Damon. Sempre tão pontual."
A voz do Damon era de gelo. "Solta. Ela."
O Adrian riu. "Ah, qual é, nós dois sabemos que não é tão simples assim."
A mandíbula do Damon travou. "Então vamos cortar a encenação. O que você quer?"
O Adrian chegou mais perto, o sorriso dele se alargando. "Tudo. Seu império, seu poder, seu nome. Você construiu seu reino me traindo. Agora, eu pego ele de volta."
A expressão do Damon não mudou. "Você sempre foi um babaca delirante."
O sorriso do Adrian desapareceu. "Talvez. Mas eu tenho todas as cartas agora. Você tem algo a perder. E se você não se render, eu vou acabar com ela aos pedaços até não sobrar nada pra você salvar."
A respiração da Alina falhou na garganta.
Os punhos do Damon se fecharam ao lado do corpo. A raiva dele era uma coisa viva, pressionando contra as costelas dele, exigindo libertação. Mas a raiva não ia salvá-la.
Ele precisava ser mais esperto.
"Tudo bem," o Damon disse, a voz dele assustadoramente calma. "Você quer meu império? Leve."
O Adrian piscou, momentaneamente pego de surpresa. "Assim mesmo?"
O Damon deu um passo pra frente. "Assim mesmo."
A cabeça da Alina se virou. **Não.**
Ele não podia fazer isso.
O Adrian o estudou, e então zombou. "Você espera que eu acredite que você vai se afastar de tudo que você construiu?"
O sorriso do Damon era letal. "Acredite no que você quiser. Solte ela, e é seu."
O Adrian cantarolou, considerando. Então, sem aviso—
**BANG.**
Um tiro estilhaçou o silêncio.
A Alina gritou.
O Damon se moveu antes mesmo do som registrar. Ele se atirou, o corpo dele colidindo com o do Adrian enquanto eles se chocavam contra a mesa, jogando uísque e vidro estilhaçado pra todo lado.
A arma atingiu o chão.
O Damon enfiou um soco na mandíbula do Adrian, o barulho do osso quebrando enchendo o ar. O Adrian cambaleou pra trás, cuspindo sangue.
"Seu filho da—"
O Damon não deixou ele terminar. Ele deu outro golpe, dessa vez nas costelas do Adrian.
A Alina se afastou, enquanto a briga ficou brutal. Sangue respingou no chão. O Adrian revidou, os nós dos dedos dele rachando o lábio do Damon, mas o Damon mal se mexeu.
Isso não era sobre sobrevivência. Era sobre **acabar com isso.**
O Adrian alcançou a arma.
O Damon foi mais rápido.
Um único tiro soou.
O Adrian cambaleou, um olhar de choque passando pelo rosto dele quando o sangue floresceu no peito dele. Ele desabou no chão, ofegando.
O Damon expirou, limpando o sangue da boca enquanto se virava pra Alina.
Ela estava tremendo, com os olhos arregalados fixos nos dele.
Então, sem hesitar, ela correu pra ele.
Os braços dele se enrolaram em volta dela, esmagando ela contra ele. Ele enterrou o rosto no cabelo dela, inspirando o cheiro dela, se firmando.
"Você está segura," ele murmurou. "Acabou."
Mas enquanto a Alina se agarrava a ele, ela sabia a verdade.
**Nada nunca terminava de verdade no mundo do Damon Cross.**