Capítulo 22
Amira seguiu ela pra dentro da casa, cheia de mulheres de várias tribos e tipos. Elas não pareciam nem um pouco mulheres de bem. Karima entrou toda majestosa no quarto da mulher e as outras lá dentro olharam feio pra elas. Amira ficou pensando o porquê. Deu de ombros e foi atrás da Karima.
"Hajja Meena, por que você não atende minhas ligações? E você sabe que eu ia te cobrar sobre o meu dinheiro." A mulher chamada Hajja Meena chiou, irritada, e sentou de novo no sofá. "Eu tava tomando banho quando você ligou, e agora mesmo eu tô saindo, e é por causa do seu dinheiro. Você não devia ter vindo, porque eu ia te dar o seu dinheiro amanhã de manhã", ela cuspiu, toda desleixada, e levantou de novo.
Ela começou a sair, mas Karima segurou o braço dela. "Que que você quer dizer?" Ela perguntou, furiosa, e empurrou ela pra trás. "Se você não me soltar, essa sua amiga inocente vai saber o que você tá escondendo", ela latiu, e Karima soltou o braço dela rapidinho. Amira tava tão perdida nos pensamentos dela, que nem tava ligando pro que elas tavam falando. Ela suspirou, torcendo pra que o Muhsin não tivesse voltado pra casa. Deu uma chiada baixinho, sabendo que ele nunca voltava cedo. Checou o relógio de pulso, já tava quase na hora da oração asr.
"Amira, bora", ela murmurou, e saiu da sala toda bagunçada. Amira fez o que mandaram, e elas saíram da casa. O coração dela deu um triplo mortal, parecia que ia sair pela boca. Ela sentiu o coração bater na garganta quando os olhos delas se encontraram. Karima deu uma parada quando os olhos dela pousaram no Anwar, o marido da Halima. Mas o que ela não sabia era que o outro homem era o marido da Amira, que por acaso é o chefe do Anwar. Ela só conseguia pensar no Anwar.
Amira empurrou a Karima pro carro rapidinho e pegou as chaves pra dirigir. Ele ficou olhando elas saírem em alta velocidade. Muhsin soltou um suspiro e voltou a prestar atenção no que o arquiteto tava dizendo.
"Que merda tá acontecendo com você, Amira? Que que foi isso?" Ela perguntou, furiosa. Ela nem tinha terminado de secar ele com os olhos quando a Amira empurrou ela pro carro. "Você não viu que meu marido tava lá? Ai, meu Deus, eu sei que tô encrencada", ela murmurou, horrorizada.
"Ah", ela murmurou. Ela podia jurar que conhecia o outro homem, mas nunca imaginou que ele fosse o marido da Amira. "Então seu marido é o chefe daquele outro homem?" Ela perguntou, no lugar. "Quê- que homem? Do que você tá falando, Karima? Eu já falei que tô encrencada, e você tá perguntando de outro homem?" Ela gemeu. "Eu não pedi pra você vir comigo, foi você que implorou, então não ouse gritar comigo."
Amira deu uma chiada e se concentrou em dirigir. Bateu com a mão no volante, pensando em mil desculpas pra dar pra ele. Deixou a Karima no apartamento dela antes de ir embora. Pensou em ir pra casa da mãe, mas isso só ia dar mais problema.
Chegou em casa e entrou na sala, e começou a andar de um lado pro outro. Tirou o véu, o lenço na cabeça e as joias. Tava quase tirando a pulseira quando lembrou do ouro dela com a Karima. Gemeu e chiou, pegando o celular na bolsa. Discando o número dela, mas ela não atendeu até que ela ligou de novo. "Que foi?" Ela cuspiu. "Karima, meu ouro. Preciso dele agora", respondeu, com o coração cheio de desgosto. Chiou, "Ah, e eu tô quase saindo agora. Não posso esperar por você. Você pode pegar amanhã de manhã, porque eu não vou voltar tão cedo, e eu sei que seu marido não vai deixar você sair tarde da noite." Desligou a ligação depois disso.
Amira ficou olhando pro celular, chocada, quando percebeu que a Karima tinha desligado a ligação. Deu uma chiada e jogou o celular no sofá. Esse não era o problema agora. Ela tinha um problema maior na frente dela.
De volta na obra, o Muhammad parou de falar quando percebeu que o Muhsin tava prestando atenção nas duas mulheres que acabaram de sair no carro. "Eu não aconselho você a chegar perto daquelas mulheres", ele aconselhou. Muhsin olhou pra ele, esperando mais explicações sobre o que ele queria dizer. "Você tá vendo aquela casa", ele murmurou, apontando pra casa da qual a Karima e a mulher dele tinham saído. "A dona da casa é uma prostituta. E ela tem outras prostitutas na casa dela." Ele ouviu o Muhammad, enquanto olhava pra mansão bem construída. Ele até pensou que ela fosse de um político, de um empresário ou só alguém rico.
Deu de ombros e focou no que realmente tinha trazido ele ali. Ia resolver isso quando chegasse em casa.
Mais tarde, à noite, no caminho pra casa da casa do Yusuf, ele ficou pensando no que exatamente tinha levado a mulher dele naquela casa. Não conseguia imaginar a Amira sendo uma delas. Ele dava tudo o que ela queria. Ela tinha os próprios carros. O que ela tava procurando lá?
Ele deu uma chiada leve quando lembrou com quem tinha visto ela. A mulher sobre quem ele tinha avisado ela várias vezes.
Saiu do carro assim que estacionou no estacionamento. Entrou na casa, indo pra sala. Não tinha ninguém lá, só a TV ligada. Olhou pro relógio de parede, já passava das 22h. Desligou a TV e apagou as luzes antes de ir pro quarto dele.
Tomou banho e descansou um pouco antes de sair do quarto e ir pro quarto dela. Abriu a porta devagar, pensando que ela podia ter trancado. Encontrou ela andando de um lado pro outro no quarto, em pânico. Parou quando os olhos deles se encontraram. Ele podia ver o medo nos olhos dela, mas ela pigarreou e franziu a testa, fingindo ser corajosa.