Capítulo 44
Ela se enroscou toda e enterrou a cara nos joelhos, pensando em todas as maneiras possíveis de ter sua vida antiga de volta. Era demais, saca? Porque os pais dela não eram ricos? Porque ela era órfã? Ou porque ela era muito mole e nunca mostrava a raiva dela? Mas ela não tinha poder sobre nada nem ninguém. Ela era controlada. Tinha que esperar para receber ordens. Tinha que esperar até que mandassem ela fazer algo, tudo por causa de uma vida que ela não queria ter. Ela escolheria mil vezes ter sua vida antiga de volta. Onde ela vivia com os pais dela no mundinho deles, cheio de alegria e felicidade. Sem problemas, só paz.
"Dalia? O que você tá fazendo aqui? O que aconteceu?" Ela ouviu a voz dele vindo do nada. Ela sentou devagar e olhou pra ele com os olhos cheios de lágrimas. "Por favor, me leva pra casa. Tô te implorando." Os soluços dela aumentaram, deixando ele mais em pânico. Ele tinha acabado de chegar em casa do trabalho, mesmo sendo fim de semana, só pra encontrar ela no meio da sala, soluçando. "Levanta, vamo." Ela seguiu ele até o carro.
Ele parou no acostamento porque os soluços dela não paravam e ele continuava perguntando, mas ela não respondia. "Por favor, me leva pra qualquer estacionamento perto, quero voltar pra Kuje." Ele ficou perplexo por um minuto. Amira aprontou alguma, pensou. Mas o quê? O que a dalia faria pra ela? "O que a amira fez com você?" Ele perguntou, mas ela respondeu com outra pergunta. "Você pode, por favor, me levar pro estacionamento?"
"Não posso te levar, dalia. Por que eu deveria? O que eu digo pro papai quando ele descobrir que você não tá por perto ou que você voltou pra casa?" Ele jogou as perguntas pra ela. "Ele não precisa saber que foi você que me levou pra lá. Por favor, faz essa gentileza pra mim. Quero ver minha mãe."
Ele olhou ao redor da rua e suspirou. "Eu te levo lá, mas preciso ligar pro papai primeiro." Ele pegou o celular, mas ela balançou a cabeça. "Ele não precisa saber, não quero preocupá-lo." Ninguém precisava saber o que aconteceu. Nem mesmo o Muhsin. Tudo o que ela queria era estar com a mãe, por que ele não entendia? Ela tentou abrir a porta, mas, por sorte, ele tinha trancado. "Onde você vai?" Ele perguntou, segurando o pulso dela. Ela puxou a mão de volta. "Você pode me dizer o que tá rolando, por favor? O que a amira fez? Tenho certeza que ela tem algo a ver com seu ataque de pânico."
Como se estivesse esperando, as lágrimas começaram a rolar pelo rosto dela, que já estava rosado. Ele encarou o rosto dela e observou a marca de dedo nas duas bochechas e alguns hematomas no pescoço. Ele engoliu em seco, o coração batendo forte no peito. O que ele faria com a Amira agora? O que a garota inocente fez com ela agora. "Eu só quero ver minha mãe. Ela é a única que vai me acalmar e me dar os conselhos que eu preciso. Eu... eu só preciso ver minha mãe agora." Ele ouviu ela dizer entre lágrimas.
"Se eu te levar lá, você promete me contar o que aconteceu e vai parar de chorar?" Foi foda pra ela. Se ela dissesse não, ele talvez não a levasse pra ver a mãe dela. Se ela dissesse sim, significava problema pra amira e mais problema pra ela. "Eu prometo que ninguém vai te tocar de novo enquanto eu estiver por perto." Como se ele soubesse que era isso que ela queria ouvir. Ela balançou a cabeça devagar e ele sorriu. "Eu te levo lá e te busco antes do maghrib." Ele começou a dirigir e fez o retorno.
Como ele prometeu, ele deixou ela na casa delas em Kuje e foi embora. Ela entrou na casa e encontrou a mãe dela na esteira, junto com a Amrah. As duas se assustaram, alarmadas quando viram uma pessoa aparecer no quintal. Amina suspirou, com as mãos no peito. "Subahanallah, Dalia? O que aconteceu? Você não ligou pra avisar que tava vindo." Ela abraçou a mãe e colocou a cabeça no peito da Amina, o que ela precisava antes de contar tudo.
A Amrah saiu do lugar sabendo que elas precisavam de um tempinho. Amina sentou com ela e perguntou de novo. Dalia contou tudo o que tinha acontecido com ela, até o que rolou entre ela e a Amira. "Dalia, fico feliz que você me contou isso, mas tudo o que posso dizer é que você precisa ter mais paciência, porque não posso simplesmente dizer pra esse homem que quero minha filha de volta depois que ele gastou uma fortuna com sua escola e tudo mais. Isso seria muito injusto e, como você disse, ele não faz ideia do que a filha dele e a mãe dela estão fazendo com você, certo?" Dalia balançou a cabeça e fungou.
"Paciência é tudo que você precisa, com certeza isso vai passar. Ninguém disse que você sempre seria feliz, querida. Ninguém disse que sua estadia em Abuja seria boa. É claro que você tem que passar por alguns perrengues e tudo o que você precisa continuar fazendo é Du'a e ter paciência, essa é a única solução."
"Mas, mamãe, não quero voltar. Aquela mulher me odeia e não sei o que fiz pra ela. Ela vive dizendo que estou tentando roubar o marido dela." Amina não conseguiu evitar de rir. Ela continuou dizendo palavras calmantes pra Dalia até que ela parou de chorar e se acalmou. Ela pediu que ela rezasse Asr antes de almoçar e elas continuaram conversando depois que a Amrah se juntou a elas.