Capítulo 43
"Tu acabou de deixar essa mina entrar na tua casa sem te cumprimentar ou a mim?" Karima olhou para as escadas que Dalia seguiu antes de fixar o olhar em Amira novamente. "Tá vendo essa garota? Hm! Ela é mais importante pro meu marido do que eu sou pra ele. Tô até começando a achar que meu próprio pai ama ela mais do que me ama." Amira falou com tanta amargura no tom de voz.
Karima zombou antes de rir em descrença. "Karima, não tô zoando. Semana passada ele me deu um tapa por causa dela."
"E você tá aqui, burra, sentada sem tomar nenhuma atitude contra a garota?" Karima perguntou em voz alta. "Tô até com medo de encarar essa garota porque ele me avisou tantas vezes sobre ela e tenho certeza que ele faria qualquer coisa que dissesse que faria."
"Ele não tá por perto agora, tá?" Amira hesitou antes de concordar com a cabeça. Ela sabia que as próximas palavras de Karima não seriam boas. "Pega essa garota agora e bate nela até não poder mais. Avisa ela sobre o teu marido e te garanto que ela não vai fazer nenhuma besteira pra ficar entre você e ele."
Amira ponderou calmamente as palavras da amiga. Talvez fosse porque ela não tinha avisado da primeira vez, por isso ela sempre agia toda inocente e melancólica quando ele estava por perto, pra botar Amira em maus lençóis. "Você tá certa, Karima, mas tô com medo. E se ele voltar ou descobrir o que eu fiz? Mesmo que ele não faça nada comigo e conte pro meu pai, é o dobro da dor de cabeça pra mim. Papai não vai levar na boa comigo."
"Amira, por que você tá agindo como burra? Tá vendo, é assim que as pessoas vão continuar se aproveitando de você, porque você sempre age fraca, como se não soubesse dos teus direitos." Amira concordou com a cabeça, burramente, enquanto sorria brilhantemente. Ela se levantou do sofá, mas antes que pudesse se mexer de novo, Karima segurou rapidamente o pulso dela, "Pra onde você vai? Só espera ela terminar e descer as escadas, aí a gente cai matando nela."
Amira concordou com a cabeça antes de se sentar novamente. "Papai botou essa garota numa das universidades mais caras aqui em Abuja. Tá vendo o tipo de roupa que ela usa agora? O tipo que eu uso. E não só isso, meu marido foi quem fez a matrícula dela. Ele sempre leva ela pra casa depois que ela termina de limpar minha casa..."
"E você tá aqui, sentada? Duvido que a mãe dela não use magia. Haa! Não tô acusando o teu marido, mas você sabe o que acontece quando ele tá levando ela pra casa? Ele sequer deixa ela em casa direto daqui?" O corpo inteiro de Amira tremeu enquanto ela tentava se controlar. Ela nunca tinha nem pensado nisso. Talvez fosse isso que a mãe dela estava tentando dizer. Mas não, ela sabia quem era Muhsin e ele nunca ia seguir aquela velha. "O homem que te deu um tapa por causa dela." Karima adicionou quando Amira começou a balançar a cabeça em discordância. "Olha, Karima. Eu confio no meu marido, sei que ele nunca tentaria ter um caso, só não com aquela garota lixo." Ela sabia que estava mentindo, Dalia era linda por dentro e por fora e ela não podia evitar.
"Você precisa impedir a garota de vir na tua casa. Olha como ela tava vestida. Quem usa aquele Abaya sedutor pra vir limpar? Com certeza, ela tá aprontando alguma coisa, sem dúvida, ela tá atrás dele."
"Se eu impedir ela de vir, quem vai limpar e cozinhar pra mim? Não posso impedir ela de vir, senão vai ser outro problema pra mim."
Dalia desceu as escadas, não que ela tivesse terminado. Ela só saiu pra jogar o monte de lixo que Amira tinha espalhado pelo quarto dela. Ela subiu correndo e foi até Dalia. Agarrou-a pelo pescoço e puxou-a para a sala de estar. "Você vai me dizer pra quem você fez essa maquiagem. Tá tentando seduzir meu marido, né? Ladra de maridos." Dalia não sabia quando ela se ajoelhou e começou a implorar pra ela. "Tia, que maquiagem? Seduzir? Roubar quem? Por favor, tia Amira, sinto muito se fiz alguma coisa, mas só tô aqui pra limpar pra você, como minha mãe pediu, e nada mais. Por favor, poupe minha vida."
"Nem deixe essa cara de inocente idiota te enganar, Amira, quando ela roubar seu marido, não vai ser tão inocente quanto parece agora." Amira desviou o olhar de Karima para a garota ajoelhada abaixo dela. Deu-lhe vários tapas na cara antes de agarrá-la pelo pescoço. "Se eu te pegar perto do meu marido, você vê essa cara que você diz que é bonita. Vou queimar com ácido e não tô brincando. Meu marido é rico, meu pai é rico, ninguém vai ousar me prender pelo que eu fiz, porque você não tem diferença com o lixo. É melhor você ficar esperta." Ela empurrou-a para os azulejos de mármore duros. "Agora você tá fazendo a coisa certa", Karima murmurou feliz.
As duas a deixaram na sala de estar, silenciosamente derramando lágrimas enquanto ela fazia uma careta de dor. Sua mente gritava enquanto a dor atravessava sua cabeça. Amira realmente bateu nela várias vezes na cabeça e no rosto. Ela ficou lá por alguns minutos desejando nunca ter deixado sua mãe em primeiro lugar. Ela teria continuado sendo teimosa até que todas desistissem e a deixassem com sua mãe. Ela era apenas uma órfã, não uma mendiga, mas veja como alguém estava tratando-a como se sua vida não importasse.