Capítulo 62
Papai saiu do carro e foi pra dentro de casa. Ele subiu as escadas chamando pelo nome da mamãe. Ela saiu correndo do quarto, achando que era uma emergência. "Alhaji? O que foi? O que aconteceu que você está me ligando sem parar?" Ela perguntou, em pânico, mas a expressão dele dizia o contrário. Ela o seguiu pro quarto dele, esperando ansiosamente pra saber porque ele estava ligando pro carro.
Ele tirou a Babban Riga primeiro e colocou de lado. Ela ofereceu água da geladeira dele, e ele agradeceu antes de engolir tudo. Ela sentou do lado dele na cama. "Alhaji, você não disse porque estava me chamando," ela falou quando ele colocou o copo no criado-mudo. "É algo pra ficar feliz, então se acalma, hajiya. Sua filha finalmente encontrou um marido, é hora de comemorar." Ele falou feliz, olhando pra ela. "Minha filha? Qual das minhas filhas, alhaji?" Ela olhou pra ele confusa. "Dalia, é claro. Que filha você tem agora que não está casada, se não ela?"
Mamãe sorriu pra ele, "sério? Essa é uma ótima notícia. Yusuf finalmente te procurou sobre ela." Ela sorriu de orelha a orelha. Ele riu um pouco. "Não ele, hajiya. Muhsin, o marido da Amira, veio no meu escritório hoje de manhã e pediu a mão dela em casamento e eu concordei..."
Ela se levantou da cama, com o coração batendo forte. "Alhaji? É como se eu não tivesse ouvido direito, você disse Muhsin? Muhsin? Marido da minha filha? e você concordou? Não, isso não pode ser. Nunca! Eu sou a única esposa na casa do meu marido e minha filha também tem que ser a única na casa do marido dela!" Ela saiu correndo do quarto e foi pro quarto da Dalia.
Dalia leu a mensagem de novo. 'Seja lá o que você for ouvir do papai, espero que entenda.' Ela olhou pra tela, pensando no que ele quis dizer. Primeiro Yusuf com suas acusações e perguntas estranhas, agora Muhsin com uma mensagem confusa.
Ela ouviu a porta bater, o que a fez derrubar o celular nas pedras de mármore. Ela rapidamente se levantou quando seus olhos viram a mamãe. Ela estava em maus lençóis, a mamãe tinha visto o celular.
Mamãe olhou pra ela, pro celular no chão, de boca aberta. Ela se moveu mais pra dentro do quarto e pegou o celular antes de ler as mensagens que ele mandou. "Dalia?" Ela falou com um tom de traição. Dalia gaguejou, culpada. Ela não tinha desculpas pra esconder o celular dela. "Então é verdade. Então você tem me traído, Dalia? Depois de tudo que eu fiz por você, te tratei como minha própria filha, sua idiota, inútil."
A mão da mamãe atingiu e ela caiu com a força. O segundo tapa tinha sido muito pior que o primeiro. Ela não esperava que a surra da mamãe fosse tão dolorosa, com tanta força. Ela gritou o mais alto que pôde, pedindo ajuda. Ela sentiu a dor em cada parte do corpo.
Papai finalmente veio em seu socorro e a puxou pra longe da mamãe. "É melhor você ficar fora disso, deixa eu lidar com essa garota estúpida aqui. Então ele te comprou um celular? E é por isso que você costuma chegar em casa tarde, enquanto está por aí até conseguir roubar o marido da minha filha? Eu vou te bater a ponto de você não conseguir mover um membro." Ela tentou atacá-la de novo, mas a voz alta do papai a impediu. "Dalia, desce e me espera, tudo vai ficar bem, só vai, agora." Ela saiu correndo sem pensar mais.
Mamãe também saiu correndo do quarto no momento em que Dalia saiu. "Aonde você acha que vai? Volte aqui, Hajiya. Você quer matar a filha de alguém por causa dos seus interesses egoístas?"
Mamãe entrou no quarto dela e fechou a porta antes de trancá-la. Ela pegou o celular no espelho e procurou o número da Amira. Poucos toques, ela atendeu. "Onde você estava quando seu marido foi ao seu pai e pediu a mão daquela garota estúpida em casamento? Onde você estava?" Mamãe gritou. Ela estava além da raiva. Ela a tinha avisado sobre isso antes, mas a Amira fez ouvidos moucos, agora o que sua mãe temia estava acontecendo.
"Eu não entendi, mamãe, ele fez o quê? De qual garota você está falando?" Amira perguntou à mãe, perplexa. "Seu marido, Muhsin, foi ao escritório do seu pai hoje de manhã e pediu a mão da Dalia em casamento e seu pai concordou. Você entende agora, cabeça oca? Você não sabe de nada, só fica perambulando pela cidade com suas amigas estúpidas." A mãe dela trovejou. O celular quase escapou da mão da Amira quando ela se levantou da cama. "Mamãe, me diz que você está brincando, por favor. Casamento? Com a Dalia? Não, por favor..." Todo o corpo dela tremeu quando ela começou a chorar. Ela colocou a mão na cabeça enquanto segurava o celular na orelha com a outra.
"É melhor você vir pra essa casa agora pra lutar pelos seus direitos antes que seja tarde demais." Mamãe encerrou a ligação e foi pra porta, quando Alhaji não parava de bater.
Amira jogou o celular na cama antes de correr pra gaveta, pegou as chaves do carro antes de sair. Ela nem sequer pensou em pegar nenhum véu com ela. Ela correu pro carro e entrou antes de ligar o motor e dar a ré e sair do quintal depois que o porteiro abriu o portão.
Ela saiu do carro e correu pra dentro de casa. Ela viu a Dalia na sala e parou. Ela soltou uma risada seca, cheia de raiva. "Você!" Ela foi pra cima dela e, antes que Dalia pudesse correr, agarrou-a pelo braço e deu um tapa na bochecha antes de começar a bater nela sem piedade. "Sua traidora, você me traiu! Você esteve vindo na minha casa todo esse tempo só pra roubar meu marido." Ela socou-a de novo pela enésima vez e tudo o que Dalia pôde fazer foi gritar e implorar por misericórdia.