Capítulo 98
O que o deixou chocado foi como ela nunca, nem por um instante, confessou que abortou o bebê, muito menos pediu desculpas. Será que ele entendeu tudo errado? E se ela não fosse a culpada? Ele balançou a cabeça, soltando uma risada que machucava. Se ela não fosse a culpada, então como ela tomou os comprimidos? Ele olhou para a porta da cozinha e desviou o olhar antes de se levantar e sair de casa.
Tarde da noite, Dália e Amrah estavam na sala assistindo TV quando ouviram a campainha. Amrah se levantou para atender a porta. "É a Karima?" Amira gritou das escadas enquanto descia com cuidado. Amrah abriu a porta e se afastou. Karima entrou, olhando fixamente para as duas garotas sentadas na sala e fingindo que não as via.
Amira chiou antes de pegar o controle remoto da mesa de centro e desligar a TV. Dália levantou a cabeça e a encarou. Ela estava começando a ficar irritada com a palhaçada da Amira ultimamente. "Por que você sente prazer em procurar problema comigo? Por que você não cuida da sua vida, como eu sempre faço? Você nunca me vê metendo o nariz na sua..."
"Amira? Então essa garota criou duas cabeças para falar com você dessa forma e você fica parada olhando para ela como um balde de óleo?" Amira respirou fundo de raiva quando Dália se levantou. Quando ela estava prestes a sair do lugar, Amira, furiosa, deu-lhe um tapa aberto na bochecha. Com uma expressão de espanto, ela olhou para Amira, segurando a bochecha.
Amrah correu para revidar, mas Dália ficou em seu caminho. "Dália, você deve estar louca se permitir que essa gorda te dê um tapa. Saia do meu caminho, eu preciso vingar você." Dália franziu a testa e balançou a cabeça. "Isso não é da sua conta, Amrah. É entre mim e ela..."
Dália o observou entrar na sala enquanto ele continuava perguntando o que estava acontecendo. Dália desviou o olhar e tentou sair do lugar quando ele a interrompeu. Amrah chiou, irritada, enquanto saía furiosamente do lugar.
"O que aconteceu?" Ele perguntou de novo, olhando para Amira. As lágrimas já tinham começado a rolar quando ele entrou. Ela não sabia que ele estava ali o tempo todo, sem que elas percebessem. "Eu... eu só pedi para ela ajudar minha amiga Karima com alguns refrescos, mas ela se recusou e começou a dizer coisas que machucam só porque você não estava por perto. Então a irmã dela também se juntou a ela e..." Ela fez uma pausa, soluçando incontrolavelmente. Dália olhou para ela, de boca aberta. Ele desviou o olhar para Karima, "Por favor, saia da minha casa, agora!" Sem pensar duas vezes, Karima saiu apressadamente de casa enquanto amaldiçoava Amira. "É verdade?" Ele perguntou para Dália. "Não foi isso que aconteceu, estávamos apenas assistindo TV e então ela desligou. Eu estava perguntando por que ela me deu um tapa, sem motivo nenhum." Ele sabia que Dália estava certa, mas não havia como ele apoiá-la.
Ele esfregou os olhos com cansaço enquanto suspirava. Amira estava prestes a protestar quando ele a interrompeu. "O que quer que você tenha feito, você mereceu o tapa. E diga à sua prima para fazer as malas, o motorista vai levá-la para casa amanhã de manhã. Eu não posso ter esse tipo de pessoa em minha casa e desrespeitando minha esposa."
Ela o encarou incrédula. "O que minha prima tem a ver com a estupidez da sua esposa? Você sabe a verdade, mas decide apoiá-la? Não se esqueça que Allah está te observando e vai te questionar por ser injusto conosco." Ela saiu correndo da sala. Doeu muito, mas ela já tinha decidido, nunca mais ia chorar. Ela não ia desperdiçar suas lágrimas em alguém que só se importava em deixá-la chateada.
Muhsin virou o olhar para Amira, sem se importar que ela ainda estivesse chorando. "Por que você deu um tapa nela? Como ousa sequer colocar suas mãos nela?" Ele a questionou. Ela se assustou um pouco. "Mas... eu não fiz isso, ela está mentindo."
"Ah, por favor, eu vi tudo! Eu só te defendi porque quis. Deixe-me avisá-la, Amira, só porque eu permito que você faça o que quiser, isso não te dá o direito de colocar as mãos na minha esposa assim. Eu não quero ver isso acontecer de novo. Você faz o seu e ela faz o dela! Caso contrário, vamos ter um problema sério." Com isso, ele saiu casualmente e a deixou ali parada.
Dália entrou em seu quarto para encontrar Amrah já arrumando suas coisas. Ela se aproximou dela enquanto a bombardeava com perguntas. "Eu não posso ficar aqui e assistir isso acontecer com você. Eu simplesmente não posso e preciso contar para a tia Amina sobre isso. Eu sei que estão te maltratando, mas você se recusa a falar. Eu sei que você está com dor, Dália. Você acha que eu não te ouço chorando no banheiro ou quando ele está gritando com você? Eu sei disso há meses, mas decidi cuidar da minha vida e deixar você lidar com isso, mas chega. Eu não posso deixar você se transformar na Binta, não." ela continuou arrumando suas coisas enquanto Dália ficou parada, olhando para ela.