Capítulo 25
O motorista deixou-a em casa e voltou pro escritório do papai, tipo, como ele foi instruído.
Enquanto isso, **Amira** andava de um lado pro outro no quarto dela, discando o número da **Karima**. Já era a enésima vez que ela ligava naquele dia, mas a **Karima** nunca atendia. No fim, a **Amira** desligou o celular. Ela queria se arriscar e sair, mas toda vez que se lembrava da expressão furiosa dele, ficava cada vez mais desanimada. E ela sabia que ele ia voltar em poucas horas.
Ela fez um 'tss' enquanto ia pro armário e pegava o véu e as chaves do carro, antes de sair correndo. Entrou no carro e ligou a ignição, antes de sair da casa depois que o porteiro abriu o portão pra ela.
Ela pisou no acelerador, olhando pro espelho retrovisor como se tivesse cometido suicídio. Finalmente chegou na casa da **Karima**, ela nem sabia como ia lidar com ela por não atender as ligações. Engoliu a raiva enquanto caminhava até o portão e bateu nele até que o porteiro abriu correndo pra ver quem ousa bater na porta daquele jeito. A expressão dele mudou quando seus olhos encontraram os de **Amira**. "Boa noite, senhora. A **Hajiya** não está, ela saiu com um homem desde de manhã e..."
"Cala a boca", ela gritou antes de fazer um 'tss'. Ela foi pro carro e entrou. Pegou o celular no banco do passageiro antes de discar de novo, mas tava desligado. Deu a partida no carro enquanto seu coração batia forte contra a caixa torácica.
Ela tava quase saindo quando viu a **Karima** descendo do carro de alguém. Suspirou aliviada antes de sair do carro. A **Karima** tava quase entrando quando viu a **Amira** indo na direção dela.
Ela sorriu, coçando a nuca. "**Amira**, oi, eu não sabia que você tava..."
"Só me entrega minhas joias, por favor", ela falou, estendendo a mão pra **Karima**. "Vamos entrar primeiro, precisamos conversar." Ela insistiu, mas a **Amira** balançou a cabeça. "Por favor, preciso ir pra casa antes que meu marido chegue, só tira agora e me deixa ir", ela implorou. A **Karima** fez um 'tss' leve antes de tirar todo o conjunto de ouro que tava usando e entregar pra dona. A **Amira** se virou e começou a andar em direção ao carro.
"Eu te ligo mais tarde, tenho fofocas", a **Karima** gritou, mas a **Amira** não se virou nem pensou em responder. Entrou no carro e foi embora. Olhou pro ouro e suspirou aliviada. Se algo tivesse acontecido com ele, o que ela ia dizer pro marido? Não que ele se importasse com a fortuna que custava, mas porque a mãe dele deu pra ela. Ela sabia como ele valorizava a mãe e como leva a sério tudo que ela dá pra ele.
Seu coração deu um pulo quando entrou na casa ao mesmo tempo que ele tava saindo do carro. Ele olhou pro carro dela e respirou fundo, cansado. Esperou até ela estacionar o carro e sair. Ela começou a andar lentamente na direção dele, mas ele a parou levantando a mão. "**Muhsin**... eu..."
Ela não ousou se mexer, não ousou nem respirar. Estava paralisada no lugar. Conseguia sentir seu coração batendo no peito. Respirações pesadas e profundas. O rosto dele mandava calafrios pela espinha. Ele se aproximou dela enquanto olhava pra mão dela. "O que você tá segurando?"
Seu coração deu um tum forte. Quando ela começou a ter medo dele? Ou ela tinha medo de perdê-lo? Ou os dois. De qualquer jeito, ela nunca ia querer deixá-lo. "O que você tá fazendo com isso?" Ele perguntou, arrancando as coisas dela. "De onde você tá vindo, **Amira**?" Ele perguntou, franzindo a testa.
Ele olhou em volta antes de agarrar o pulso dela e arrastá-la pra dentro de casa. "Quando você vai começar a me ouvir, **Amira**? Quando..." Ele a empurrou pra sala enquanto ouvia seus murmúrios. "Por favor, não me deixe. Não se divorcie de mim, eu sei que fiz algo errado, mas por favor, me perdoe." Primeiro, o nariz dela ficou bem vermelho na ponta, enquanto as lágrimas continuavam caindo sem parar.
Ele ficou ali, olhando pra ela, chocado. O que ela tava pensando? "Te deixar? O que você quer dizer? Eu... por que eu..." Ele fez uma pausa e fez um 'tss' leve quando os lamentos dela ficaram mais altos. "Você pode calar a boca?" Ele gritou. Ela se encolheu e gritou, enquanto deixava os joelhos no chão de mármore. Ele ficou quieto, olhando pra ela com a mesma cara de decepção que ele dava pra ela mil vezes antes. Ela sentiu uma pontada na garganta. Não que ela estivesse arrependida, não. O que ela ia dizer pros pais dela se ele decidisse se divorciar dela naquele momento por desobedecê-lo? O pai dela, especialmente.
"Você não é criança, **Amira**. Eu não vou sempre te sentar e ficar tentando te corrigir ou gritar com você. Se você quiser, conserte seus comportamentos e nos deixe viver em paz e se você não quiser, o problema é seu, mas eu vou te avisar de novo, se eu ver seus pés fora dessa casa sem minha permissão de novo, você vai sentir minha fúria." Com isso, ele foi embora e a deixou lá, de joelhos.
Ela não se levantou até ouvir o barulho da porta dele fechando. Suspirou e se levantou antes de limpar o rosto. Fez um 'tss' um pouco quando percebeu que ele tinha levado o ouro com ele. Deu de ombros e entrou na cozinha pra esquentar as sobras.