Capítulo 97
Dalia levou Amrah pro quarto dela antes de descer pra cozinha e botar uma bandeja de comida e refrescos pra ela. Ela entrou no quarto, toda animada, chegando perto da Amrah com a bandeja. Amrah levantou a cabeça, olhando pra ela. Se não estivesse enganada, a Dalia tinha emagrecido. Ela com certeza tava com alguma coisa na cabeça, a Amrah pensou. Até da última vez que viu ela, parecia quase infeliz.
"Dalia", ela chamou. Dalia deixou a bandeja na mesinha do meio e foi sentar na cama com a Amrah. "Tá acontecendo alguma coisa? Sabe que pode confiar em mim, né?" Dalia encarou os olhos da Amrah, decidida a não desviar o olhar primeiro. Ela tinha certeza que a Amrah sabia que ela tava tentando esconder algo, mas mesmo assim tava decidida a enganar a Amrah. Ela fez uma forçação de sorriso, meio estranho, mostrando os dentes, as bochechas não estavam colaborando. Ela conseguia sentir a relutância delas em serem forçadas. Quando a Amrah finalmente desviou o olhar, o sorriso dela caiu, sem vida, deixando o rosto dela voltar pro jeito melancólico de sempre.
"É só ter uma co-esposa que é bem mais velha que você, nada demais." Dalia forçou um sorriso pra esconder a dor dela da Amrah ou de qualquer um. A razão dela fazer isso era pra não preocupar eles, mas a dor tava ficando insuportável. Dói agora. Até pra forçar um sorriso. Amrah levantou a sobrancelha, e depois mandou um olhar desconfiado pra ela. "Então você deixa ela te maltratar?"
Dalia suspirou, já se sentindo derrotada, mas não ousou contar a verdade pra Amrah. "Amrah, para com essa cara. Eu te falei, eu tô bem, a gente tá bem. Eu juro que se tivesse alguma coisa, eu ia te contar." A Amrah deu de ombros e levantou. "Seja o que for, quando chegar a hora certa, a gente vai saber a verdade. Vou rezar asr primeiro antes de comer." Ela tirou o hijab dela e foi pro banheiro.
Dalia olhou pras costas dela indo pro banheiro. "Ufa, essa foi por pouco", ela murmurou, botando a mão no peito pra acalmar o coração.
***
No dia seguinte, a Dalia tava na cozinha com a Amrah, preparando o café da manhã, quando a Amira entrou feito um furacão. Ela olhou pra Amrah e virou a cara na mesma hora. Elas nunca se davam bem quando a Amrah ia visitar a Dalia. A Amrah sempre defendia a prima dela, não importa o quê. Irritava a Amira que ela não podia revidar e tinha que chamar a Karima pra lutar por ela porque a Amrah sabia mais jeitos de machucá-la do que ela.
"Eu pensei que eu tinha pedido pra você cortar umas frutas pra mim." Ela ficou parada na porta, braços cruzados. Ela conseguia sentir os olhares da Amrah nela, mas tentou ignorar. "Espera, você vai mesmo deixar essa mulher te manipular? Só porque ela tá grávida ou sei lá o quê?" A Amrah falou, encarando a Amira. Dalia fez uma cara de súplica e balançou a cabeça. A Amira encarou ela, e depois fez um "psiu" e desviou o olhar das duas. "Não me faça descer de novo, você sabe quem eu vou mandar da próxima vez e você não vai querer ficar no lado ruim dele, mesmo já estando." Ela virou nos calcanhares e foi embora.
A Amrah não conseguiu segurar a risada. "Nunca vi ninguém tão feia com barriga de grávida como sua co-esposa." Ela jogou a cabeça pra trás, rindo, quase caindo da cadeira. A Dalia segurou um sorriso e balançou a cabeça. "Tá, eu até que concordo com você. Quando ela tá falando comigo, eu tento tanto não ficar olhando pro nariz inchado dela, tão grande..."
A Amrah riu alto, não só pelo que a Dalia tinha falado, mas porque a Dalia finalmente tava sorrindo por alguma coisa. "Quando é que é a data prevista pra ela? Ela já devia ter parido, porque ela parece um elefante que engoliu outro elefante." A Dalia mordeu os lábios pra não rir. "Amrah, já chega. E eu não sei quando é a data prevista pra nascer, mas provavelmente logo." Ela continuou cortando as frutas que a Amira pediu, enquanto elas conversavam mais.
Saindo da cozinha, ela encontrou ele na sala, assistindo o jornal. Ela suspirou, desviando o olhar dele e subiu as escadas pro quarto da Amira. No caminho de volta pra cozinha, ele parou ela. Ela virou a cabeça lentamente na direção dele. "Vem cá." Ele fez um gesto pra ela chegar mais perto. "Por que quando minha esposa pede alguma coisa pra você, você não faz na hora, até ela ficar irritada?" Ele fez a pergunta, com os olhos fixos no celular. Quanto mais ela ouvia a voz dele, mais vontade ela tinha de estrangulá-lo.
Ela abriu a boca pra falar, mas fechou. Ele levantou a cabeça pra olhar pra ela e levantou uma sobrancelha. "Por que você não vai lá e faz você mesma, se não quer que ela fique irritada?" Ela foi embora, majestosa, sem olhar pra trás. Ele sorriu, olhando pras costas dela indo embora. Ele não tava surpreso com a resposta dela, dava alegria pra ele quando ele irritava e deixava ela com ciúmes. Mas, no fundo do coração dele, ele sentia falta dela.
Ele sentia alegria sem ela, depois do que ela fez com ele. Como ele conseguiu lutar contra os sentimentos dele por ela por quase um ano? Ele se sentia aliviado estando longe dela, mas tinha um sentimento lá no fundo que dizia que ele tava sentindo falta dela.