Capítulo 26
Uma hora depois de ele ter rezado o Maghrib, ele saiu de casa de novo para a casa do Yusuf. Ele entrou na casa e encontrou ele na sala de estar dele jogando futebol. "De novo, não sei porque o yapendo concordou em deixar você ter sua própria casa," o muhsin falou zombando enquanto ele se sentava no sofá macio perto do primo dele. Yusuf pausou o jogo e olhou para ele. "A mesma razão que você tem sua própria empresa. Eu sou velho o suficiente," ele afirmou antes de apertar o play e continuar o jogo.
"Qual é a boa? Você parece meio mal," Yusuf falou, olhos fixos na tela. "A mesma coisa todo dia." Ele soltou um suspiro desolado e esfregou a têmpora. "O que você cozinhou? Eu tô com tanta fome..."
"Você não tá cansado de ir em lugares pra comer?" Ele pausou o jogo e encarou o primo dele. Muhsin olhou pra ele confuso. "Sim, você não tá cansado? Quer dizer, você precisa se virar! Você é o homem da casa. Não é como se eu estivesse te dando um conselho ruim, mas você precisa consertar as coisas na sua casa, cara. Se ligar e mudar as coisas na sua casa."
Muhsin jogou a cabeça pra trás rindo à beça. "Você conhece a amira desde o primeiro dia e sabe o quanto eu sou durão com ela, mas você ainda tá falando como se eu fosse o que deixa ela fazer as coisas sozinha. Você precisa entender o quão folgada essa garota é. Ela é a única filha que o papai tem, então eu não tô surpreso com o quão mimada ela é."
"Isso não significa que ela deva ser assim e se for assim, você só tem um irmão também, mas você não é assim e isso não faz diferença pra mim," ele opinou. "Eu tenho um irmão, como você disse. E eu sou homem, ela é mulher. Tem muita diferença," ele corrigiu Yusuf. "Você não tá sendo tão durão porque nunca dormiu fora quando sabe que ela ficaria preocupada. Você pode achar que eu sou louco, mas se eu fosse o marido, eu ia ameaçar dar uma surra nela, talvez isso colocasse um pouco de juízo na cabeça dela," ele opinou enquanto pausava o jogo. Muhsin encarou o primo dele em diversão. "Eu não posso bater nela, Yusuf. Mesmo eu não amando ela, mas eu não posso bater nela..."
"Nunca falei que você devia," ele se defendeu. "Bem, eu não vou bater na minha esposa e eu vou falar pro yapendo que você me aconselhou a fazer isso," ele falou em tom de brincadeira. "Minha mãe sabe o quão inocente eu sou, ela nunca acreditaria nas suas palavras," ele afirmou enquanto se levantava do sofá. Muhsin o seguiu pra cozinha, "não esquece, eu sou o sobrinho favorito dela, você devia parar de brincar com sua vida porque eu tenho o coração dela."
Yusuf jogou a cabeça pra trás rindo antes de balançar a cabeça. "Então, como tá a nova construção indo? Quando vamos lançar?" Ele perguntou animado. "Oh, tá indo muito bem alhamdulillah. As novas filiais serão lançadas em poucos meses, se Allah quiser." Ele suspirou feliz quando a ideia das suas novas filiais veio correndo de volta pra sua mente. Essa era uma das coisas que o deixava aliviado sempre que a amira o chateava.
Yusuf cozinhou macarrão pra ele antes de eles irem pra beira da piscina e se sentarem enquanto conversavam mais sobre as novas filiais dele. Muhsin não saiu de casa até depois das 10 da noite.
Ele entrou em casa no momento que chegou em casa. Ele encontrou ela no mesmo lugar que a deixou assistindo sei lá qual filme. Ela desviou o olhar e continuou comendo pipoca. Ele sorriu, era isso que ele queria; o tratamento do silêncio dela. Era uma punição pra ele, ela pensava. Mas o que ela nunca soube era que ele ficava satisfeito quando ela não falava com ele. Paz de espírito, ele riu enquanto abria a porta do quarto dele. Ele não se importaria se eles vivessem daquele jeito. Mas ela ia acabar se cansando do tratamento do silêncio e ia voltar correndo pra ele. Ela sempre foi a mais fraca. Ela se arrependeu de deixar ele saber o ponto fraco dela, e ele estava usando isso contra ela sem ela saber que ele estava.
No dia seguinte, Dalia finalmente consegue terminar a matrícula dela com a ajuda do Muhsin. Ele estava a caminho de levar ela pra casa quando a atenção dele foi chamada no escritório. "Me chamaram no escritório e eu tenho que ir pra lá agora. Não posso deixar você usar carro comercial," ele falou enquanto virava o volante. Ela olhou pra ele e desviou o olhar sem dizer nada. Ele deu de ombros e continuou dirigindo pra empresa.
Ela focou o olhar dela nas pessoas e carros passando enquanto a ideia da mãe dela passou pela mente dela. Já eram mais de 5 da tarde, ela sabia que a mãe dela devia estar fora do pátio pegando um pouco de ar fresco como ela sempre fazia, especialmente quando o pai dela estava em casa. Ela suspirou calmamente com a ideia do pai dela.
Às vezes as memórias dele deixam ela triste, especialmente à noite, e às vezes isso fazia ela sorrir quando ela se lembrava do tempo precioso que eles passaram juntos. Já fazia quase um ano desde que ele faleceu, mas o luto não tinha terminado o curso dele. A tristeza estava nos membros dela tanto quanto na mente dela. Coisas que ela costumava achar engraçadas agora só causavam um aprofundamento da dor. Ele devia estar lá pra se alegrar com ela quando ela passou no Jamb na primeira tentativa dela. Ele devia estar lá pra dançar com ela quando ela conseguiu a admissão em uma das universidades mais caras que ela conhecia na Nigéria. Ele devia estar lá quando ela começou a matrícula dela, pra segurar a mão dela e acalmá-la sempre que ela estivesse nervosa, mas não, ela teve que aprender a se abraçar e fazer as coisas sozinha. Ela sentia falta de ser a menina do papai. Ela sentia falta de ser mimada mesmo quando ela fazia birras, mesmo que na maioria das vezes ela fizesse isso pra chamar a atenção dele, mas ele já tinha ido embora e ela não ia vê-lo de novo até o futuro.