Capítulo 41
Quando cheguei em casa, já estava começando a escurecer lá fora, já que eu tinha parado pra comprar umas coisas no mercado. Ultimamente, eu tenho comido muita comida pronta e eu sabia que era porque a Mãe não tinha nada pra cozinhar. Então eu decidi ser uma boa filha e pegar umas coisas pra mulher se divertir um pouco.
Ou você só quer comer outra coisa que não seja comida pronta. A consciência de Case me corrigiu. Me diverti com a ideia de ser uma filha tão boa pra minha mãe.
Nem me dei ao trabalho de gritar que eu cheguei, eles não iam me ouvir de qualquer jeito. Os quartos deles ficavam mais pro fundo da casa, enquanto o meu era mais perto da porta.
Joguei as sacolas de compras na cozinha, organizando tudo nos armários antes de subir pro meu quarto e trocar de roupa por algo mais confortável.
Coloquei uma camiseta velha e um short que parava no meio da coxa. Fui pro quarto dos meus pais e lá estavam eles, deitados na cama, os dois nos celulares com a TV no baixo.
'Mãe, comprei algumas coisas no mercado pra você cozinhar o jantar hoje à noite,' eu falei pra ela com um sorriso exageradamente doce que só existe pra dar diabetes pras pessoas.
A minha mãe revirou os olhos com um sorriso no rosto. 'Você sabe que precisa aprender a cozinhar sozinha, querida.' Fiz uma careta com isso e o meu Pai fez uma expressão horrível quando percebeu o que a minha mãe disse.
'Nós todos sabemos o que aconteceu da última vez que ela tentou isso.' Ele lembrou a minha mãe com firmeza. Eu balancei a cabeça em concordância, meio que incentivando o meu Pai, porque pra ser sincera com qualquer pessoa, eu simplesmente tinha preguiça de cozinhar.
A minha mãe revirou os olhos de novo, o que me fez pensar se os olhos podem realmente ficar presos em uma posição anormal por causa de tanto revirar os olhos.
'Ela vai ter que aprender um dia e você sabe disso. Como ela vai sobreviver sozinha? Quer dizer, ela já está estudando na faculdade, pelo amor de Deus. O mínimo que ela pode fazer é cozinhar um ovo pra ela mesma.'
Abri a boca pra protestar que provavelmente eu consigo cozinhar um ovo pra mim, mas fechei a boca quando percebi que 'provavelmente' provavelmente não funciona.
Balancei a cabeça pra discussão deles sobre se vale a pena ou não arriscar eu botar fogo na nossa cozinha só pra aprender a cozinhar. Saí do quarto deles pra ligar o meu laptop e começar a fazer a lição de casa.
Eu tinha uma luta chegando e precisava me manter focada. Estava perdendo a vontade de passar por toda essa provação de luta de rua. Tudo em mim queria sair daquele lado horrível da minha vida. Mas eu sabia o quanto precisava continuar com isso, precisava manter a minha família segura, manter todos que eu amo seguros. Precisava fazer isso, mesmo que o que eu vi no parque partiu o meu coração, pensando que eu poderia machucar aquelas crianças se eu vencesse o Cole.
Ou talvez ele te vença e te mate por destruir a vida do irmão dele.
Ou isso.
Tirei o meu celular e liguei pra casa do Jerry pra falar com as crianças. Elas geralmente estariam na sala a essa hora.
O telefone tocou duas vezes antes de alguém atender. Alguma movimentação foi ouvida e uma voz irritada flutuou pela ligação. 'Eu atendo, Pres, só cuida do Pio.'
Meu coração deu um pulo quando a voz grossa me cumprimentou do outro lado da ligação.
'Alô?' Ele pigarreou antes de se repetir e desta vez a voz dele soou mais suave, como era quando ele costumava sussurrar piadas no meu ouvido que me faziam rir.
Meu coração saltou e então caiu alguns metros. Eu não sabia o que fazer ou dizer. Devo cumprimentá-lo de volta? E se ele lembrar da minha voz?
Liguei pra falar com as crianças, pra ganhar um pouco de determinação pra continuar; pra me lembrar por quem eu estava lutando. Aquelas crianças têm todo um futuro pela frente e eu estaria ferrada se deixasse alguém estragar isso pra elas.
Eu estava com saudades dele. Percebi, enquanto escutava a voz dele livre de ressentimento. Eu estava com saudades do rapaz por quem eu me apaixonei tanto. Foi como uma faca sendo cravada no meu coração quando finalmente percebi por que o meu coração estava pesado. Doía porque eu sabia que não podia ir lá e abraçá-lo. Eu não podia correr pros braços dele e ter a voz confortante dele me dizendo que tudo ficaria bem.
'Alô?' Ele repetiu mais uma vez e, sem pensar, minha boca se abriu sozinha e minha voz saiu.
'Oi,' eu respirei de repente. Juntei meus lábios com a mão, pensando 'merda' repetidamente na minha cabeça quando percebi o que eu tinha acabado de fazer.