Capítulo 83
Eu dei uma parada na minha mente viajante quando cheguei na praça de alimentação bombando. Era uma área pequena cheia de barraquinhas diferentes. Levei um tempinho pra dar uma olhada em tudo. Faz tempo que eu não venho aqui desde que me inscrevi. Fui andando devagar até a banca de sushi e dei de cara com o sujeito atrás do balcão.
'E aí, no que posso ajudar?' Ele me deu um sorriso branco pérola e eu dei um sorrisinho curto antes de fazer meus pedidos.
Depois que eu dei umas notas pra pagar a comida, ele me entregou meu sushi numa embalagem de plástico transparente, uns lencinhos e palitinhos e o troco.
'Aproveite!' Ele me deu um último sorriso e piscou pra mim. Tentei não fazer careta com o jeito paquerador dele.
Eu já mencionei como eu sou péssima com gente que flerta?
Sentei numa das mesas vazias e abri a embalagem de plástico. Abri o potinho de molho shoyu dentro e coloquei um pouco em cima do sushi.
Eu ia limpar meus dedos manchados de molho shoyu com o lencinho quando vi os números rabiscados nele.
Senti minhas sobrancelhas franzirem na hora. Eu não vi ele pegando uma caneta e rabiscando nada. Ele ficou pegando o sushi que eu queria e colocando na embalagem o tempo todo.
Como diabos ele conseguiu rabiscar o número dele no lencinho então? Ele tem um estoque de lencinhos com o número dele rabiscado?
'Agora que é desespero,' minha consciência disse sarcasticamente e eu revirei os olhos junto.
Limpei meus dedos no outro lado do lencinho e peguei meus palitinhos. Quebrei os palitinhos no meio e comecei a comer meu sushi enquanto pensava em salvar o número do cara.
Tipo, beleza, parecia bem desesperado, mas ele pode ser um cara legal com qualidades charmosas. Legal o suficiente pra dar sushi de graça num encontro?
Quase dei risada de mim mesma. Quem eu tô querendo enganar. Me arrepiei levemente quando percebi o quanto eu tava parecendo uma vaca manipuladora. O pensamento de vacas manipuladoras me lembrou da Sonia; a boa e velha rainha vaca Sonia que amava fazer da minha vida no ensino médio um inferno.
Devorei o sushi, perdida em pensamentos enquanto relembrava minhas experiências no ensino médio. O ensino médio não era tão ruim depois que o Adam apareceu. Eu comecei a me divertir depois que ele entrou na minha vida.
Quando terminei todo meu sushi, joguei todo o lixo fora e me preparei pra luta brutal contra os estudantes que eu ia ter que enfrentar pra chegar na aula. Sem falar das escadas que pareciam dolorosas pra caramba.
Suspirei pra mim mesma.
Ah, vai lá, Case. Você já passou por coisa pior, isso vai ser moleza.
Bati mentalmente nas minhas costas por essa força de vontade e comecei a andar de volta pro prédio onde era minha próxima aula.
Depois do que pareceu uma década, finalmente cheguei na base das escadas. Eu ia me atrasar se não fosse logo. Então, respirei fundo pela última vez pra me preparar e agarrei no corrimão das escadas.
Puxei meu corpo pro primeiro degrau das escadas usando o corrimão e continuei fazendo isso até estar quase dez degraus acima.
Eu tava prestes a dar outro passo quando alguém tocou no meu ombro. Me virei e dei de cara com uma garota ruiva.
'E aí, tá tudo bem?' Ela me perguntou.
Eu dei um sorriso forçado pra ela e balancei a cabeça. A real era que meu corpo tava se esforçando pra continuar. Todos os meus membros doloridos estavam ardendo de dor a cada passo que eu dava.
'Deixa eu te ajudar, você parece que tá sofrendo.' Ela ofereceu, com uma expressão preocupada no rosto.
Ela tinha uma estrutura física bem mediana e eu não tinha dúvidas de que ela era forte o suficiente pra me ajudar a subir essas escadas. Mas ainda assim, hesitei, dúvidas e medos nublando minha mente.
E se ela começasse a fazer perguntas? Eu realmente não queria mentir pra uma possível amiga. Ou pior, e se ela fosse uma das más?
'Ah, vamos, se a gente não for logo, nós duas vamos nos atrasar.' Ela sorriu, oferecendo o braço.
Finalmente cedi, deixando meus pensamentos de lado e deixando ela levantar meu braço pra enrolar no ombro dela. O braço dela se enrolou na minha cintura e eu prendi a respiração na dor na ponta da minha língua quando ela fez um pouco de pressão no meu lado pra me segurar.
Deixei ela aguentar um pouco do meu peso enquanto subíamos os degraus restantes das escadas.
Quando finalmente chegamos no topo das escadas, nos soltamos e eu soltei um suspiro de alívio. Eu esperava que descer não fosse tão difícil quanto subir.
Eu só tinha três aulas hoje e esperava que meu corpo estivesse melhor no dia seguinte.
'Obrigada por me ajudar,' eu disse pra ela, tornando minha voz o mais sincera e gratificante que eu pude. Ela se virou pra mim com um sorriso, 'De nada.'
'Eu sou Raven,' ela ofereceu a mão e eu peguei. 'Case.'
'Bom, a gente se vê por aí, Case.' Raven disse, olhando para o relógio no pulso dela.
'Certo, melhor ir pra aula. Obrigada de novo por me ajudar,' eu falei pra ela, acenando enquanto nos separávamos.
Enquanto eu andava pelos corredores, sorri pra mim mesma aliviada quando percebi que não precisei mentir pra ela.
A luta vai acabar logo e talvez eu já tenha alguém pra fazer amizade quando tudo terminar.