Capítulo 94
O céu tava exatamente como na noite que você me chamou pra sair pela primeira vez", eu falei pro Adam enquanto me ajeitava do lado dele pra ver melhor o céu.
"Queria tanto lembrar como era", o Adam murmurou, suspirando, enquanto a gente continuava olhando pra cima, pro céu limpinho.
"Relaxa, a segunda vez foi bem mais mágica", eu brinquei, e o Adam deu uma risadinha.
Eu fiquei olhando pro céu, vendo uma estrela piscar. Deixei rolar de novo a lembrança de quando eu me apaixonei pelo Adam.
"Adam, não era pra gente encontrar teu pai e as crianças?" Eu olhei pros lados, confusa.
Esse idiota me pegou no comecinho da noite porque o Jerry queria jantar com a gente, e esse idiota podia ter se perdido no caminho pro restaurante.
O Adam ficou quieto, segurando minha mão na dele e continuando a andar.
"Você se perdeu, né?" Eu revirei os olhos.
O Adam me olhou por cima do ombro, levantando uma sobrancelha. Acabou rindo da minha famosa cara de paisagem.
"A gente não tá perdido, Case. Já tá quase lá", o Adam respondeu com paciência.
A gente estacionou o carro faz um tempinho e agora tava andando a pé. A gente tava seguindo um caminho que parecia um parque natural.
Mesmo quase tendo certeza de que a gente tava perdido, os passos firmes do Adam me fizeram pensar que eu era a única perdida ali. A gente tava seguindo essa trilha faz uns 10 minutos e eu tava grata por não ter escolhido usar meus saltos.
Mas eu tava com um vestidinho fino e não pensei em levar um casaco, porque achei que a gente ia ficar em lugar fechado quase a noite toda.
Tenho que parar de fazer suposições.
Uma brisa gelada bateu na gente e eu me encolhi na hora. Lutei contra a vontade de correr pro lado do Adam e usar ele como meu escudo humano contra o vento.
Espaço pessoal, Case, as pessoas têm espaço pessoal.
Eu e o Adam ficamos mais próximos de novo, porque eu parei de lutar, e a sensação que eu tenho quando vejo o velho Adam ressurgir é indescritível.
Não importa o quão perto a gente estivesse agora, eu sabia dos meus limites. Ele não era meu pra grudar. Ele era meu amigo, e nada mais.
Meu amigo por quem eu sinto uns sentimentos extra-amigáveis. Meu amigo que eu queria abraçar.
E beijar.
Para com isso!
Usei minha mão que o Adam não tava segurando pra me abraçar e esfregar o braço pra me esquentar.
Eu não sabia se tava tremendo de frio ou por causa dos meus pensamentos.
O Adam pareceu perceber o frio e parou de andar por um momento pra tirar a jaqueta jeans dele e colocar nos meus ombros.
Eu ia protestar quando ele colocou o dedo nos meus lábios e fez "shhh".
A sensação do dedo com calos dele nos meus lábios me assustou e eu quase pulei. Sorte que me controlei a tempo, antes de fazer papel de boba na frente do Adam.
"Valeu", eu murmurei pro Adam, agarrando a jaqueta mais perto do meu corpo pra me proteger do frio.
Dei uns dois passos pra frente, pronta pra continuar a andar, quando o Adam me puxou pra perto dele e começou a andar de novo.
"Hum, Adam?" Eu perguntei hesitante, dando uma espiada no rosto dele por entre meus cílios, enquanto ele olhava pra mim.
Ele murmurou em resposta, desviando o olhar pra frente, olhando onde tava pisando.
"O que é isso?" Eu apontei pro braço dele.
Os olhos do Adam desceram pra ver o que eu tava apontando e os lábios dele se curvaram no que eu presumo que era diversão.
"Isso é pra te manter quente", ele disse.
Eu fiquei quieta depois disso, sem palavras.
Eu tô mais quente mesmo, então ele tinha um ponto válido.
Depois de mais uns minutos andando, a gente chegou num lago grande com um pavilhãozinho perto.
O pavilhão tinha luzinhas penduradas. As luzes iluminavam o pavilhão com um brilho quente e davam um toque mágico pra cena.
No pavilhão, tinha uma mesa pra dois, a mesa tava coberta com uma toalha branca. Em cima, tinha dois pratos com tampas, duas taças de vinho, uma garrafa de vinho num balde com gelo e velas.
"Fecha a boca antes que entre mosca, Case", a voz divertida do Adam me tirou do transe e eu fechei a boca na hora.
"O que é isso?" Eu me virei pro Adam, surpresa. De um jeito bom, claro.
"Vou te explicar em um minuto, mas vamos dar uma olhada mais de perto primeiro", o Adam sorriu pra mim, "Vamos?"
Eu peguei a mão estendida dele e deixei ele me guiar mais perto do pavilhão.
Num dos assentos, tinha um buquê pequeno de flores que o Adam pegou e me entregou.
Eu peguei depois de hesitar um pouco, sem saber qual era o jogo dele.
Claro, eu sinto coisas por ele e sim, eu provavelmente ia derreter na hora se ele confessasse que sentia algo por mim também, mas eu não queria criar expectativas, caso isso fosse uma pesquisa de satisfação ou algo do tipo.
(N/A: É possível, ok!)
"Adam, o que é isso?" Eu perguntei pra ele, sem saber o que pensar.