Capítulo 45
'Tá perdendo a mão, Case." Dom zombou de mim.
Eu dei meia-volta, sentindo meu sangue ferver com a voz daquele cara desprezível. Mandando uns olhares mortais pro sorriso zombeteiro que ele tinha na cara, me deu uma puta vontade de dar um tapa pra tirar ele dali.
Dom se endireitou, parando de se encostar numa árvore num canto sombreado. Meu corpo berrou em protesto quando meus músculos ficaram tensos com a visão da treta. Eu usei quase toda a minha energia na luta que eu acabei de sair, não faz nem uns minutinhos.
Mesmo assim, quando Dom chegou perto o suficiente pra eu alcançar ele, eu tentei dar um tapa nele e consegui acertar um nas costelas dele depois de fingir um soco direto na cara dele. Ele cambaleou pra trás pra botar distância entre a gente antes de se curvar e gemer.
Nessa vez, não rolou culpa nenhuma. Não teve aquela bile amarga subindo na garganta, diferente de quando eu tava tentando dar uns golpes mortais no meu oponente durante a luta mais cedo.
"Eu achei que tinha deixado bem claro que você não era pra chegar perto de mim ou da minha família e amigos nunca mais."
"Não consigo evitar, você é simplesmente muito atraente." Ele tossiu de dor enquanto tentava se endireitar aos poucos. Me deu uma vontade de fazer uma cara de nojo com aquilo, mas eu me segurei e deixei o meu ódio pelo cara me consumir. Não demorou muito e eu tava fervendo. Tentei dar um chute na cabeça dele, mas ele desviou, bloqueando meu chute e fazendo com que acertasse na omoplata dele em vez disso.
Ele chiou e me deu um olhar mortal. Retribuí, sem planos de desistir.
"Ouvi dizer que você matou a Carla, Case. Não sabia que você tinha essa dentro de você." Dom deu um sorriso malicioso e eu podia sentir minhas entranhas fervendo de raiva e ódio amplificados.
"Seu! Seu pedaço de merda! Foi você que fez isso! Eu sabia que você tinha alguma coisa a ver com isso! Seu pedaço de merda―"
"Agora, agora, pequena Case, essa não é forma de cumprimentar um velho amigo." Dom zombou com um sorriso doentio. Me mexi pra dar um tapa na cara dele, mas ele agarrou minha mão e segurou com força. Eu puxei pra tentar soltar minha mão.
"Vai se foder!" Eu cuspi pra ele com nojo.
Ele torceu meu braço, indo pra trás de mim e me empurrando contra uma árvore. Senti a respiração dele bater na nuca antes de ouvir a voz dele sussurrando no meu ouvido. Eu me encolhi com a proximidade dos lábios dele com minha orelha, tentando botar o máximo de distância possível entre mim e aquele pedaço de lixo.
"Não tá orgulhosa de como o Adam cresceu? Ele é um baita homem, né?" Ele provocou.
"Mais do que você vai ser algum dia," foi a única resposta sarcástica que eu consegui formular com a dor no meu braço.
Veio um som de Dom e eu não consegui evitar o sorriso que surgiu nos meus lábios; parece que eu acertei um ponto fraco ali. O sorriso sumiu no segundo em que ele torceu meu braço mais, aumentando a dor que percorria meu braço. Foi aí que eu joguei minha cabeça pra trás. Senti outra dor forte florescer na parte de trás da minha cabeça, onde fez contato com a cabeça de Dom.
"Sua vagabunda!" Ele gritou. A dor no meu braço estava sumindo rápido com a pressão que ele estava fazendo em mim. Ele finalmente soltou pra cuidar do nariz dele. Líquido vermelho escuro estava escorrendo pelos dedos dele. Eu fiz questão de chutar ele nas bolas e dei um chute delicioso na têmpora dele. Tomara que isso dê uma dor de cabeça da porra nele e me dê tempo pra fugir da cena sem mais problemas.
Eu rapidamente balancei meu pé pra chutar ele onde o sol não bate, mas não fui rápida o suficiente e ele agarrou com força. Usei a mão dele no meu pé pra pular e chutar ele do lado da cabeça com o outro pé. Me preparei pra o impacto do meu corpo batendo no chão assim que senti o impacto do meu pé chutando a cabeça de Dom.
Me senti em queda livre e rolei no segundo em que bati no chão. A força diminuída do impacto me salvou de quebrar a cara, ou quebrar qualquer coisa, na verdade.
Eu me sacudi, sentindo a pele arder nos cotovelos onde eu raspei durante a queda. Olhei pra Dom, encolhido no chão, cuidando da cabeça que provavelmente estava latejando.
O arranhão foi um pequeno preço a pagar por essa satisfação. Eu tive uma vontade absurda de cuspir naquela pobre desculpa de homem, mas me segurei. Eu tô acima de cuspir nas pessoas, mesmo que esse ser em particular fosse mais animal do que qualquer outra coisa.
Eu dei meia-volta e comecei a corrida louca pra minha moto. Saí daquele lugar como se estivesse sendo perseguida pelos cães do inferno.
A estrada era um borrão e o vento chicoteava as pontas do meu cabelo que saíam do meu capacete em todas as direções. Eu podia sentir o frio penetrando na minha jaqueta e entrando nos meus ossos, me fazendo apertar as mãos nos guidões da minha moto.
Quando virei pra entrar na minha garagem, o Preston tava na minha varanda com o Adam, sentados no chão do meu jardim. A visão disso me fez frear tão forte que quase fui jogada da minha moto de cabeça.